João Paulo e Rick: dois dos poucos ídolos sertanejos negros morreram em acidentes trágicos
Cantores foram alvo de vários episódios de racismo ao longo da carreira
Setembro já trazia a lembrança triste da morte de João Paulo, parceiro de Daniel, morto carbonizado em acidente de carro aos 37 anos, em 1997.
Agora, marca também o fim da vida de Rick, companheiro musical de Renner, vítima de queda de helicóptero. Tinha 59 anos.
Em comum, além do mês de morte, os dois tinham a representatividade como negros de sucesso no universo das duplas sertanejas.
Sempre foram exceções — e enfrentaram o racismo na frente e atrás dos palcos.
Numa entrevista, ainda enlutado, Daniel confirmou o preconceito contra o amigo.
“Diziam que eu precisava procurar uma pessoa mais bonitinha. Eu não dava ouvidos”, disse.
Em outra matéria, ele contou que, no início da carreira, vários empresários que contratavam a dupla ao ouvi-la no rádio desistiam dos shows após descobrir que um deles era preto.
“Eu achava inadmissível testemunhar o racismo assim”, afirmou. “Mas o preconceito não nos parou.”
Rick falou a respeito.
Ele contou que, em um show, uma mulher pediu uma foto apenas com Renner.
Quando o cantor o chamou para fazer a pose, a fã teria respondido que “não gostava de negros”. Renner recusou-se a atendê-la em solidariedade ao parceiro.
Rick afirmava não se importar quando diziam “aquela dupla que tem um negão”. Preferia não entrar em conflito. “Levava na piada.”
O artista também reconhecia a delicada questão do colorismo no país.
“O João Paulo, por ser mais negro que eu, deve ter sofrido bem mais com o racismo.”
Os dois eram amigos próximos e fizeram composições juntos.
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