Guilherme Leme Garcia reflete sobre o cenário social: 'Difícil ser otimista nesse momento'
Em entrevista à Revista CARAS, Guilherme Leme Garcia revela o que espera para o futuro, mesmo com tantos desafios culturais, políticos e sociais
São 40 anos de carreira e nenhuma vontade de desacelerar. Guilherme Leme Garcia (63), na verdade, acumula funções. Apaixonado pelo teatro, ele está no palco e também por trás dele, atuando e dirigindo. Em O Estrangeiro_reloaded, ele repete a parceria com Vera Holtz (71) em uma nova versão da peça apresentada pela primeira vez há 15 anos.
Já Realpolitik, Guilherme Leme Garcia é quem dirige o espetáculo, que aborda a ganância das grandes empresas no mundo atual. Ícone entre o grande público desde os anos 1980 —ele atuou em clássicos da teledramaturgia como Bebê a Bordo, Que Rei Sou Eu? e Vamp—, o ator conversa com a Revista CARAS sobre como se sente sobre as atuais produções de TV, das quais está afastado há uma década, e ainda pondera o que espera para o futuro, diante de tantos desafios culturais, políticos e sociais.
Foto: Priscila Nicheli | Styling: Samantha Szczerb | Beleza: Patricia Nicheli | Agradecimentos: Amil e Breda
Foto: Priscila Nicheli | Styling: Samantha Szczerb | Beleza: Patricia Nicheli | Agradecimentos: Amil e Breda
Foto: Priscila Nicheli | Styling: Samantha Szczerb | Beleza: Patricia Nicheli | Agradecimentos: Amil e Breda
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Como sente que você se transformou de lá pra cá e como isso reverberou nesse trabalho?
Me provocavam muito desde a época da pandemia, que eu deveria voltar com a peça que tinha sido uma obra muito importante e de muita relevância. Uma das coisas que primeiro me bateu foi conversar com a Vera Holtz, diretora da primeira versão. Eu só teria tesão de subir no palco se a gente fizesse uma montagem totalmente diferente. Ela foi completamente a favor. Nesses 15 anos, tudo mudou, né? O mundo hoje vai numa velocidade estonteante de evolução.
Como se dá essa sua parceria com a Vera Holtz. O que absorve de mais especial dessa relação?
Eu e Vera temos uma parceria muito bacana há 30 anos. Nós éramos um par romântico de uma novela, ficamos muito próximos, chegamos até a nos apaixonar um pelo outro. Curtimos esse momento e, depois da paixão, veio uma grande amizade. Eu e Vera somos da mesma fonte, nós somos caipiras do interior de São Paulo, as nossas famílias são muito parecidas e eu acho que nós dois sempre tivemos o mesmo interesse pelas artes. Eu e Vera sempre fomos curiosos, tanto em relação às artes em geral como na nossa relação, em relação ao outro.
Como acredita que o trabalho de ator complementa o de diretor e vice-versa? O que vê de mais bonito em cada ofício?
Como ator e diretor, na verdade como artista, o que me encanta são os mistérios da arte. E como diretor, eu gosto de praticar a contação de histórias. O que importa é a maneira que você conta. Como ator, o que me encanta é a prática, o exercício, o fazer diário da minha profissão. O trabalho teatral, o fazer teatral, essa ação diária de ir ao teatro e fazer a peça. A mesma peça toda noite, realmente, é um desafio e o desafio é que a coisa não fique no mesmo lugar. Cada dia é um novo dia, então a cada vez que subo no palco eu tento trazer uma emoção diferente. Esse é o grande barato das artes performativas.
Dá para ser otimista diante dos desafios e dificuldades que vivemos hoje em dia?
Nós estamos vivendo tempos muito perigosos, estamos vendo aí o planeta superaquecendo, catástrofes climáticas e catástrofes políticas também. Acho que é difícil ser otimista nesse momento. Quem acaba sofrendo são a raça humana e o planeta. O planeta acaba entrando em colapso por uma falta de harmonia.
Você tem uma carreira longa na tela, mas não faz novelas há quase dez anos. Sente falta?
Fui me afastando da televisão e a televisão foi se afastando de mim. O teatro me pegou de uma maneira muito forte. Se eu sinto falta de fazer televisão? Não diria que sinto falta, eu gostaria de fazer se tivesse um bom projeto. Eu faria de bom grado, mas não é uma coisa que me faz falta. Gosto de acompanhar a trajetória da televisão brasileira. Fico muito feliz com essa grandiosidade de programas novos que estão aparecendo. Isso é bom para toda classe artística. O Brasil entendeu que a cultura também é negócio. Então, eu fico feliz, e a classe artística fica feliz.
Consegue fazer um balanço do que viveu ao longo dessas décadas de carreira?
Em 40 anos de carreira muita coisa já aconteceu, muitos acertos e também muitos erros. Acho que é isso a vida. O que me orgulha nesses 40 anos é a persistência que tenho em ser fiel ao meu desejo de praticar a arte. E o que me desagradou nesses 40 anos, claro, houve momentos em que eu não fui tão feliz, mas acho que isso também faz parte de um caminhar. É isso que constrói um artista, né? Eu desejo praticar a arte na minha vida cada vez mais intensamente, mais plenamente e também crescer na minha espiritualidade por meio da meditação, que eu venho praticando há algum tempo. Buscar a paz e a consciência universal para poder mergulhar em oceanos cada vez mais profundos.
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