Gabriel Leone evita espelho por um mês para papel; diretor revela
Aly Muritiba revela preparação intensa de Gabriel Leone e curiosidades dos bastidores do filme
Após comandar a primeira temporada de "Cangaço Novo", Aly Muritiba retorna aos cinemas com o suspense psicológico "Barba Ensopada de Sangue", adaptação do best-seller de Daniel Galera. Em entrevista ao portal LeoDias, o cineasta detalhou a origem do projeto, comentou a construção temática da narrativa e revelou curiosidades dos bastidores, incluindo a intensa preparação de Gabriel Leone, que passou um mês evitando se olhar no espelho.
Segundo Muritiba, o interesse nasceu ainda na primeira leitura do livro, quando identificou uma conexão direta com assuntos recorrentes em sua filmografia, como identidade, solidão e as fragilidades da masculinidade. A partir dessa percepção, ele decidiu desenvolver a adaptação e buscou viabilizar o longa ao lado do produtor Rodrigo Teixeira. O diretor também destacou a importância da prosopagnosia na trama, condição neurológica que afeta o protagonista e interfere na maneira como ele reconhece as pessoas ao redor. "Faz com que as pessoas sejam incapazes de formar a figura de um rosto, portanto, elas têm que reconhecer as pessoas por outros traços, por um cheiro, por um gesto, por uma roupa", contou.
De acordo com Muritiba, o recurso funciona como metáfora para a jornada do personagem, que tenta compreender a própria identidade enquanto investiga o passado familiar. No filme, a condição ganha peso quando o protagonista chega à praia em busca da história do avô e se depara com ameaças que não consegue identificar. Esse conceito guiou a preparação de Gabriel Leone, reforçando a imersão psicológica necessária para o papel. A experiência, segundo o diretor, ampliou a dimensão sensorial da atuação e contribuiu para que o público compartilhe a confusão do personagem. Assim, o suspense psicológico se constrói não apenas pelos acontecimentos, mas também pela percepção fragmentada do protagonista, elemento que orienta o ritmo narrativo e sustenta a tensão ao longo da história contada aqui.
Como foi a preparação radical do ator para interpretar o personagem?
Segundo Aly Muritiba, a construção do protagonista exigiu um processo profundo de imersão. O diretor contou ao portal LeoDias que buscou aproximar o ator da condição neurológica vivida pelo personagem, tornando a experiência mais sensorial e menos dependente da própria imagem. "Eu e a preparadora de elenco pedimos ao Gabriel Leone que, durante um mês de preparação, não se olhasse no espelho, não tirasse fotografias de si mesmo, não olhasse fotografias, para que ele tentasse, de certa maneira, esquecer um pouco seu rosto, para tentar entender qual é essa condição. E foi um processo muito rico", revelou o diretor.
Além dos bastidores, Muritiba também refletiu sobre o momento do audiovisual brasileiro e o interesse internacional crescente pelas produções nacionais. "Isso é lindo", disparou. "Eu não acho que a gente precise da legitimidade internacional para existir, mas ela é muito positiva, porque faz com que, inclusive, o público interno preste mais atenção nas histórias que a gente está falando", celebrou.
Confira:
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