Funeral de Valentino é uma lição de bom gosto para os ostentadores cafonas
Estilista que morreu aos 93 anos teve uma derradeira homenagem solene
Valentino Garavani bordou seu nome na história com moda com luxo e glamour. Mas, na hora da despedida final, prevaleceu a elegância discreta.
Seu velório, em Roma, seguiu o minimalismo: uma sala branca com poucas cadeiras da mesma cor, vasos e pedestais de vidro transparente, arranjos de flores brancas. Na frente do caixão fechado, um retrato em preto e branco.
Decoração discreta, sóbria, impecável.
Famoso pelos vestidos vermelhos e os brilhos ofuscantes, o ‘imperador’ da alta-costura saiu de cena sem o desfile de vaidades tão comum em funerais de celebridades.
A cerimônia marcada pelo silêncio respeitoso funcionou como aula prática para uma geração acostumada a confundir riqueza com barulho, poder com ostentação.
Por trás das criações exuberantes que o tornaram uma lenda nas vitrines e passarelas, sempre houve um homem avesso ao exibicionismo pessoal.
O mestre italiano nunca sentiu a necessidade de transformar a vida privada em espetáculo nem de usar a própria fortuna como instrumento de autopromoção.
Essa postura explica porque jamais foi refém da fama, apesar de tê-la conquistado em escala planetária.
Valentino Garavani soube ocupar o centro do mundo da moda sem se perder nele, resistindo à tentação de aparecer a qualquer custo ou de confundir reconhecimento com histrionismo.
Sua despedida, coerente com a trajetória, reafirma a lição final: estilo não é ostentação, e sim moderação e delicadeza — inclusive na hora do adeus.