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Famosa teme doença grave, e especialista revela como a alimentação pode protegê-la dos riscos

Após revelar diagnóstico de esofagite, Kim Kardashian demonstrou temor com possíveis complicações; especialista explica como a alimentação pode influenciar o quadro e quais hábitos merecem atenção

9 out 2026 - 19h40
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Resumo
Após o diagnóstico de esofagite de Kim Kardashian, especialistas alertam para os riscos do refluxo crônico não tratado, que pode causar complicações como úlceras e estreitamento do esôfago. A nutricionista Flávia Cyfer destaca que a alimentação tem papel crucial na prevenção: fracionar refeições, evitar excessos de gorduras, café e álcool, além de controlar o peso corporal e não se deitar logo após comer, são hábitos essenciais que devem ser aliados ao acompanhamento médico individualizado.

O diagnóstico de Kim Kardashian, de 45 anos, trouxe à tona uma preocupação que vai além dos sintomas digestivos. A empresária revelou ter esofagite e demonstrou receio diante da possibilidade de enfrentar um problema de saúde mais grave no futuro. A situação também chama a atenção pelo histórico familiar: seu pai, Robert Kardashian, morreu em 2003, aos 59 anos, após ser diagnosticado com câncer de esôfago.

Kim Kardashian (Reprodução/Instagram)
Kim Kardashian (Reprodução/Instagram)
Foto: Contigo

Embora a esofagite não signifique que a pessoa desenvolverá câncer, a inflamação exige atenção, principalmente quando está relacionada ao refluxo gastroesofágico crônico. Nesses casos, o contato frequente do conteúdo do estômago com o esôfago pode provocar irritação e favorecer complicações quando o problema permanece sem controle.

Mas será que mudanças na alimentação podem ajudar a proteger o órgão? Quais hábitos aumentam o risco de refluxo e o que fazer para evitar que a inflamação persista? A nutricionista especializada em 40+, climatério e menopausa Flávia Cyfer explica os principais cuidados e esclarece a importância de combinar uma rotina alimentar adequada com acompanhamento médico.

Até que ponto os hábitos alimentares podem contribuir para reduzir fatores associados ao refluxo e proteger o esôfago?

"A esofagite é uma inflamação da mucosa que reveste o esôfago e pode ter diferentes causas. Uma das mais comuns é o refluxo gastroesofágico crônico, que provoca uma agressão contínua a essa mucosa. Entretanto, a esofagite também pode ter origem medicamentosa, infecciosa ou estar relacionada a alterações do sistema imunológico.

O refluxo crônico é uma das causas mais frequentes de esofagite, e muitas pessoas convivem com esse problema sem perceber. Isso porque nem sempre os sintomas são tão evidentes. Além da sensação de queimação, podem surgir manifestações como dor de garganta e outros desconfortos que nem sempre são associados ao refluxo.

Entre os principais fatores que favorecem o refluxo estão o excesso de peso, a hérnia de hiato, o tabagismo, o hábito de se deitar logo após as refeições e o consumo de grandes volumes de comida de uma só vez.

Outro fator importante é o funcionamento do esfíncter esofágico inferior, uma espécie de válvula que separa o esôfago do estômago. Quando o alimento passa para o estômago, essa válvula normalmente se fecha para impedir que o conteúdo gástrico retorne ao esôfago. Entretanto, algumas pessoas apresentam alterações nesse mecanismo, como se essa válvula estivesse mais frouxa, comprometendo sua capacidade de vedação e favorecendo o refluxo.

É justamente nesse contexto que a alimentação exerce um papel fundamental, atuando em diferentes frentes: no controle dos fatores que favorecem a inflamação, na melhora da eficiência do processo digestivo e na prevenção de novos episódios de refluxo.

Uma das principais estratégias é identificar e corrigir os fatores alimentares que podem estar contribuindo para o problema. Isso inclui investigar possíveis sensibilidades alimentares, reconhecer alimentos que não são bem tolerados e ajustar hábitos que favorecem o refluxo, como consumir grandes quantidades de comida em uma única refeição.

Algumas pessoas, por exemplo, apresentam maior sensibilidade ao café, chocolate, álcool, preparações muito condimentadas e refeições com excesso de gordura. Nesses casos, identificar e reduzir o consumo dos alimentos que desencadeiam os sintomas pode ajudar a diminuir a irritação da mucosa esofágica. Isso não significa, entretanto, que todos esses alimentos precisem ser excluídos definitivamente.

O fracionamento das refeições, quando necessário, também pode ser uma estratégia interessante. Reduzir o volume de comida ingerido de uma só vez ajuda a evitar uma distensão excessiva do estômago, diminuindo um dos fatores que podem favorecer o retorno do conteúdo gástrico para o esôfago.

Outro objetivo importante da abordagem nutricional é favorecer uma digestão eficiente. Alterações no processo digestivo, especialmente quando os alimentos permanecem por mais tempo no estômago, podem contribuir para o refluxo em pessoas predispostas. Por isso, avaliar a digestão e identificar possíveis fatores que estejam comprometendo esse processo também faz parte de uma estratégia nutricional individualizada.

A alimentação ainda desempenha um papel importante no controle do peso corporal. O excesso de peso, especialmente o acúmulo de gordura abdominal, aumenta a pressão sobre o estômago e pode favorecer os episódios de refluxo. Nesse sentido, a redução do peso, quando indicada, é mais uma maneira de atuar sobre uma das possíveis causas do problema.

Portanto, o papel da alimentação vai muito além de simplesmente evitar alimentos que provocam queimação. Uma abordagem nutricional adequada busca ajudar a controlar a inflamação, melhorar a eficiência da digestão, identificar e corrigir fatores alimentares que favorecem o refluxo e contribuir para o controle do peso corporal.

Dessa forma, a alimentação atua tanto no controle dos sintomas quanto na prevenção de novos episódios de refluxo, ajudando a reduzir a exposição do esôfago ao conteúdo gástrico e favorecendo a recuperação da mucosa inflamada, em conjunto com o tratamento médico adequado."

A alimentação consegue prevenir complicações da esofagite ou ela deve ser encarada como parte do controle da doença, junto ao acompanhamento médico?

"A alimentação pode desempenhar um papel importante na redução do risco de complicações da esofagite, principalmente porque muitas dessas complicações estão associadas à persistência da inflamação ao longo do tempo. Portanto, uma das principais estratégias é justamente controlar o refluxo e evitar que a esofagite se torne crônica.

Nesse sentido, a abordagem nutricional deve atuar em diferentes frentes: reduzir os fatores que favorecem o refluxo, melhorar a eficiência do processo digestivo, adotar uma alimentação anti-inflamatória e oferecer nutrientes que contribuam para a integridade e a recuperação da mucosa esofágica.

Uma alimentação com perfil anti-inflamatório, rica em antioxidantes e compostos bioativos, pode oferecer um suporte importante ao organismo. Isso inclui vegetais, frutas, fontes adequadas de proteínas, azeite de oliva e alimentos ricos em ômega-3, sempre considerando a tolerância individual.

Outro cuidado é evitar alimentos que possam intensificar a irritação da mucosa, especialmente durante uma crise.

O limão, por exemplo, é um alimento que costuma gerar muitas dúvidas. Muita gente acredita que ele deve ser completamente excluído por ser ácido. Entretanto, isso não é necessariamente verdade. A tolerância depende de cada pessoa. Durante uma crise, quando a mucosa está muito inflamada, ele pode provocar ardência e desconforto. Fora desse período, pode fazer parte da alimentação normalmente, desde que seja bem tolerado.

O limão contém ácido cítrico, que participa do ambiente ácido necessário à digestão. Uma possibilidade é utilizá-lo diluído em água antes das refeições, desde que não provoque desconforto ou intensifique os sintomas.

Outro aspecto que considero importante é avaliar a eficiência da digestão. Quando existem alterações digestivas, podemos investigar suas causas e, em situações específicas, considerar o uso de enzimas digestivas em cápsulas, que oferecem suporte à digestão de determinados nutrientes.

Também encontramos enzimas naturalmente nos alimentos. O abacaxi, por exemplo, especialmente seu miolo, contém bromelina, uma enzima proteolítica que ajuda na quebra das proteínas.

Uma possibilidade é preparar um suco mais concentrado utilizando o miolo do abacaxi e consumi-lo antes das refeições. Entretanto, durante as crises, sua acidez pode provocar desconforto, sendo importante respeitar a tolerância individual.

O gengibre também merece destaque por seus compostos bioativos, com propriedades anti-inflamatórias e efeitos sobre a motilidade gástrica. Pode ser utilizado na forma de chá, desde que seja bem tolerado.

Outro composto interessante é o d-limoneno, encontrado nos óleos essenciais das cascas de frutas cítricas, como limão e laranja. Esse composto apresenta propriedades que vêm sendo estudadas por seu potencial de proteção da mucosa do esôfago, ajudando a reduzir a agressão provocada pelo contato com o conteúdo do refluxo.

Uma maneira de incluir esses compostos na alimentação é utilizar raspas das cascas de frutas cítricas em preparações ou na água. Também existem suplementos de d-limoneno disponíveis no mercado.

O objetivo dessas estratégias é contribuir para um ambiente digestivo mais favorável, reduzir os fatores que mantêm o refluxo e oferecer suporte à recuperação dos tecidos.

Isso é especialmente importante porque a esofagite crônica pode provocar complicações, como úlceras e estenose esofágica, que acontece quando a inflamação persistente provoca a formação de tecido cicatricial e estreita a passagem dos alimentos, podendo causar dificuldade para engolir.

Portanto, o principal objetivo é interromper esse ciclo de agressão e inflamação persistente. A alimentação pode contribuir para controlar o refluxo, favorecer a saúde da mucosa e reduzir os fatores associados à continuidade do processo inflamatório.

Entretanto, deve atuar em conjunto com o acompanhamento médico, especialmente nos casos em que já existe uma inflamação importante ou persistente, para evitar que o quadro evolua e provoque complicações mais graves."

Quando a esofagite está associada ao refluxo crônico, quais mudanças na alimentação e no estilo de vida podem ser mais importantes para reduzir a exposição do esôfago ao ácido?

"Durante uma crise de refluxo ou esofagite, alguns cuidados alimentares são especialmente importantes, como evitar refeições muito gordurosas, alimentos excessivamente condimentados, bebidas alcoólicas, café e chocolate, principalmente quando esses alimentos intensificam os sintomas.

Também é interessante reduzir o volume das refeições e, quando necessário, fracionar a alimentação ao longo do dia, evitando uma distensão excessiva do estômago.

Entretanto, quando estamos falando de refluxo crônico, não basta apenas controlar os sintomas. É fundamental investigar o que está favorecendo esses episódios recorrentes.

Uma das questões que considero importantes na prática clínica é avaliar possíveis sensibilidades alimentares, especialmente às proteínas de determinados alimentos.

Observo com frequência pacientes com refluxo crônico que também apresentam sintomas que levantam a suspeita de sensibilidade à proteína do leite.

Nessas situações, quando existe uma suspeita clínica consistente, uma estratégia que pode ser considerada é a exclusão completa da proteína do leite por um período de aproximadamente 30 dias, acompanhando a evolução dos sintomas.

Depois desse período, a reintrodução planejada pode ajudar a avaliar se existe uma relação entre o consumo do alimento e o aparecimento dos sintomas. Quando essa relação é identificada, a exclusão pode ser mantida por um período maior, por exemplo, quatro meses, com posterior reavaliação da tolerância e das possibilidades de reintrodução gradual.

É importante que esse processo seja individualizado e acompanhado por um profissional, especialmente porque refluxo, alergia à proteína do leite e esofagite eosinofílica são condições diferentes e exigem cuidados específicos.

Outro aspecto que considero fundamental é cuidar da microbiota intestinal e garantir uma digestão eficiente. O funcionamento do sistema digestivo precisa ser avaliado de maneira integrada, investigando possíveis alterações intestinais e fatores que possam comprometer a digestão.

Quanto maior o tempo de permanência dos alimentos no estômago, maior pode ser a possibilidade de refluxo em pessoas predispostas. Por isso, identificar alterações do esvaziamento gástrico e outros problemas digestivos também pode fazer parte da investigação.

Além da alimentação, algumas mudanças no estilo de vida são especialmente importantes.

Uma delas é evitar deitar logo depois de comer. O ideal é manter um intervalo de pelo menos duas a três horas entre a última refeição e o momento de dormir.

Para quem apresenta refluxo noturno, elevar a cabeceira da cama também pode ajudar, assim como dormir preferencialmente sobre o lado esquerdo, uma posição que favorece a redução do retorno do conteúdo gástrico para o esôfago.

O controle do peso corporal também merece atenção. O excesso de gordura abdominal aumenta a pressão sobre o estômago e pode favorecer os episódios de refluxo. Portanto, quando existe excesso de peso, a redução da gordura corporal pode trazer benefícios importantes.

Outras medidas incluem evitar o tabagismo, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, não utilizar roupas muito apertadas na região abdominal e evitar exercícios intensos imediatamente após refeições volumosas.

O gerenciamento do estresse também é importante, porque ele pode interferir no funcionamento gastrointestinal e intensificar a percepção dos sintomas.

Portanto, no tratamento do refluxo crônico, o objetivo não deve ser apenas evitar determinados alimentos durante as crises, mas identificar e corrigir os fatores que favorecem a recorrência do problema.

Uma abordagem nutricional individualizada, associada aos cuidados com a digestão, a microbiota intestinal e o estilo de vida, pode contribuir para reduzir os episódios de refluxo e evitar que a mucosa do esôfago continue sendo agredida ao longo do tempo."

Para alguém que leva uma rotina intensa, viaja muito e faz refeições fora de casa, como adaptar a alimentação para reduzir episódios de refluxo e irritação do esôfago?

"Para quem tem uma rotina intensa, viaja frequentemente e faz muitas refeições fora de casa, o segredo é adotar algumas estratégias que ajudem a preservar a qualidade da digestão e reduzir os episódios de refluxo, sem necessariamente precisar seguir uma alimentação muito restritiva.

Um dos principais cuidados é evitar passar muitas horas sem comer e depois fazer uma refeição muito volumosa, algo bastante comum durante viagens. O excesso de comida provoca uma distensão maior do estômago, o que pode favorecer o refluxo.

Em restaurantes, uma boa estratégia é optar por preparações mais simples, evitar o excesso de molhos e gorduras e prestar atenção às quantidades. Também é importante comer devagar e mastigar bem os alimentos, evitando refeições feitas com muita pressa.

Outra recomendação que considero interessante é levar um suplemento de enzimas digestivas na viagem, especialmente para pessoas que já apresentam dificuldades digestivas e têm indicação para utilizá-lo. Existem formulações em cápsulas que podem oferecer suporte à digestão em situações específicas. Entretanto, não substituem os cuidados alimentares nem representam um tratamento direto para o refluxo.

Também vale ter atenção ao consumo de bebidas alcoólicas, café e alimentos que a pessoa já sabe que provocam desconforto. Durante uma viagem, é comum consumir esses alimentos com maior frequência, o que pode intensificar os sintomas em pessoas mais sensíveis.

Outro cuidado importante é organizar os horários das refeições, especialmente à noite. É muito comum, durante viagens, jantar tarde e se deitar logo em seguida. O ideal é manter um intervalo de pelo menos duas a três horas entre a última refeição e o momento de dormir.

Para quem apresenta refluxo noturno, dormir sobre o lado esquerdo e manter a cabeceira da cama elevada também são estratégias que podem ajudar.

Uma dica prática é levar pequenos lanches para evitar longos períodos sem se alimentar, principalmente em viagens com deslocamentos demorados. Assim, fica mais fácil não chegar às refeições com tanta fome e acabar comendo em excesso.

O mais importante é entender que uma rotina intensa não precisa ser um obstáculo ao tratamento. Com alguns cuidados na escolha dos alimentos, nas quantidades, nos horários e na maneira de realizar as refeições, é possível reduzir os fatores que favorecem o refluxo e contribuir para a proteção da mucosa esofágica, mesmo durante viagens."

O acompanhamento médico faz diferença

Apesar de a alimentação poder contribuir para o controle do refluxo, ela não substitui a avaliação médica nem garante que complicações serão evitadas. A esofagite pode ter diferentes causas, e o tratamento deve ser definido de acordo com cada caso.

Quando a inflamação está associada ao refluxo crônico, a persistência do problema pode favorecer complicações, como úlceras e estreitamento do esôfago. Em determinadas situações, também pode ocorrer o esôfago de Barrett, alteração que está associada a um risco maior de câncer esofágico.

Isso não significa, porém, que toda pessoa diagnosticada com esofagite desenvolverá essas condições. O acompanhamento adequado permite investigar a origem dos sintomas, avaliar a necessidade de exames e definir a melhor abordagem terapêutica.

No caso de Kim Kardashian, a revelação reacende o debate sobre a importância de não ignorar sinais persistentes do organismo. A combinação entre diagnóstico correto, tratamento médico e ajustes individualizados na alimentação e no estilo de vida é fundamental para cuidar da saúde do esôfago.

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