Ex-BBB Jordana quebra o silêncio sobre polêmica das cotas raciais
Após polêmica voltar à tona, Jordana explica autodeclaração em concurso e rebate acusações
A ex-participante do Big Brother Brasil e advogada Jordana voltou ao centro de uma antiga discussão nesta quinta-feira (16), após a repercussão de um caso envolvendo sua autodeclaração racial em um concurso público realizado em 2016. Diante das críticas que voltaram a circular nas redes sociais, ela decidiu publicar um longo texto no X, antigo Twitter, para explicar o contexto da decisão tomada há dez anos e responder às acusações feitas por internautas. O episódio, que ganhou destaque durante sua participação no reality show, voltou a ser debatido intensamente na internet.
Na publicação, Jordana contou que aquele era o primeiro concurso público de sua vida, referente ao processo seletivo do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, e afirmou que sua intenção jamais foi desrespeitar a legislação. "Nos últimos dias, esse assunto voltou a circular e, antes de falar sobre leis ou qualquer aspecto jurídico, eu gostaria de falar como pessoa e trazer uma reflexão que considero muito mais importante. Quando tudo isso aconteceu, em 2016, eu estava prestando o primeiro concurso público da minha vida. Como tantos jovens brasileiros, eu estudava acreditando que aquela poderia ser uma oportunidade de construir uma vida melhor", escreveu. Em seguida, acrescentou: "Em nenhum momento passou pela minha cabeça desrespeitar a lei ou tirar o direito de qualquer pessoa. Essa repercussão me fez estudar, ouvir pessoas, ler mais sobre o assunto e entender melhor a essência da política de cotas. Naquela época, a minha compreensão sobre esse tema era muito mais limitada".
Advogada rebate acusações de fraude
Ao longo do desabafo, Jordana afirmou que sua visão sobre as políticas de cotas mudou com o passar dos anos. Segundo ela, atualmente compreende que o tema vai além da percepção individual sobre identidade racial. "Com o passar dos anos, compreendi que as cotas carregam um propósito muito maior. Elas representam uma política pública de reparação histórica, criada para ampliar oportunidades para pessoas que foram e continuam sendo afetadas pelo racismo estrutural. Foi nesse processo que a minha visão mudou", afirmou. A ex-BBB também ressaltou: "Vai muito além da forma como uma pessoa se percebe. Também envolve a maneira como essa pessoa é socialmente identificada e os impactos que essa identificação produz ao longo da vida". Para ela, esse entendimento foi resultado de um processo de amadurecimento. "Aprender faz parte da vida. Mudar de entendimento diante de novos conhecimentos não é contradição. É amadurecimento".
Na parte final da manifestação, a bacharel em Direito respondeu diretamente às acusações de que teria cometido fraude. Ela explicou que, na época, acreditava agir dentro da legislação vigente e lembrou que sequer foi aprovada no concurso. "Como advogada, tenho a responsabilidade de falar sobre esse assunto com seriedade e respeito à lei. Tenho visto comentários dizendo que eu 'cometi fraude de cotas'", escreveu. Em seguida, destacou: "Foi exatamente por acreditar, de boa-fé, que eu me enquadrava nessa condição, e dentro da compreensão que eu tinha naquele momento sobre a minha própria identidade racial, que fiz a minha autodeclaração. Nunca houve a intenção de desrespeitar a lei ou de obter uma vantagem indevida. Além disso, eu sequer fui aprovada naquele concurso. Nunca tomei posse, nunca ocupei cargo público, nunca recebi remuneração". Encerrando o texto, Jordana afirmou que a legislação prevê critérios específicos para analisar casos de autodeclaração racial e concluiu: "Não basta alguém discordar da autodeclaração de outra pessoa para concluir que houve crime. A própria legislação demonstra que esse tema é complexo".
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