Daniel Dantas tenta combater 'homem, branco, hétero' como 'regra do normal' em peça
Em cartaz com a comédia ‘TOC TOC’, ator reflete sobre o papel do teatro em um mundo cada vez mais intolerante
Daniel Dantas reflete sobre o desequilíbrio político, a intolerância e o papel do teatro como espaço de debate, destacando a convivência com diferenças e a importância de ouvir o outro para questionar padrões e fortalecer a saúde mental.
Em um mundo com cada vez menos diálogo e mais polarização – política e social –, o ator Daniel Dantas acredita no poder do teatro em quebrar padrões. “A esperança da gente é que isso ajude a questionar o que a gente pode e não pode dizer que é normal”, afirma. “Porque, de perto, ninguém é normal.”
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Em cartaz em São Paulo com a peça TOC TOC, que trata sobre o transtorno obsessivo compulsivo com humor, ele disse ao Terra que a própria ideia de normalidade foi construída a partir de um modelo que exclui.
“A gente estabeleceu uma regra para tudo, do que é normal, baseada em um único padrão, que é um homem branco, hétero”, diz. “Esse é 'um modelo', não é 'o modelo'. E está na hora de a gente entender isso”.
Peça traz reflexão sobre saúde mental
É nesse contexto que ele vê sentido no teatro como espaço de reflexão coletiva. Na comédia TOC TOC, Daniel destaca que o texto usa o humor para tratar de temas sensíveis, como o transtorno obsessivo compulsivo e a convivência com as diferenças.
“O fato de juntar seis personagens com transtornos diferentes aponta para a pergunta: o que é, de fato, normal?”, diz. “E o normal, o poder viver normalmente, se constrói com os outros”.
Segundo o ator, a montagem fala sobre aceitação e convivência sem perder a leveza. “As pessoas se divertem muito, mas a peça toca nessa coisa do que é normal e do que não é”, afirma.
Para ele, essa mensagem ganha ainda mais força no cenário atual. “A autoestima vem do outro. Você não ganha isso sozinho. A gente precisa muito mais do outro do que gosta de admitir”.
Na vida pessoal, Daniel diz que a saúde mental passa por um exercício constante de autocrítica. “Eu tenho um monte de problemas, mas tenho o hábito de estar o tempo todo me questionando”, conta. “Minha vida é um tropeçar, olhar para trás e dizer: ‘bom, o que houve aí?’”.
Esse processo, segundo ele, ajuda a conter a arrogância. “Quando você entende o quão longe está da perfeição, dá para segurar um pouco essa tentação”, disse. “Eu estou sempre me consertando. Quase sempre sei que errei, quase sempre consigo melhora. Mas é só quase. Daqui a pouco, eu vou errar de novo”, brinca.
Para Daniel Dantas, aceitar a imperfeição é um dos caminhos mais honestos para lidar com a saúde mental, tanto no palco quanto fora dele.
