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Conheça a história real que inspirou Celeste em 'Emergência Radioativa'

História é baseada em Leide das Neves, que faleceu aos 6 anos vítima do acidente radiológico em Goiânia

31 mar 2026 - 18h29
(atualizado às 19h32)
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Celeste é inspirada na história real de Leide das Neves
Celeste é inspirada na história real de Leide das Neves
Foto: Reprodução/Netflix

A série Emergência Radioativa está no Top 10 da Netflix há duas semanas. E não é para menos: a produção traz histórias e personagens inspirados em pessoas reais afetadas pela tragédia do Césio-137, em Goiânia (GO). A pequena Celeste, por exemplo, é inspirada em Leide das Neves Ferreira.

A menina tinha apenas 6 anos quando foi contaminada com o Césio-137, em 1987. Ela morreu cerca de 1 mês depois de ter ingerido acidentalmente o pó radioativo. Na série, a história dela seu origem à personagem Celeste, interpretada por Mari Lauredo.

A mãe dela, Lurdes das Neves Ferreira, costumava descrevê-la como a alegria da casa. O pai de Leide era irmão de Devair Ferreira, dono do ferro-velho onde se iniciou o acidente radiológico. Devair comprou um objeto de aço que pertencia ao Instituto Goiano de Radioterapia sem saber do que se tratava.

Leide das Neves se tornou símbolo do acidente
Leide das Neves se tornou símbolo do acidente
Foto: Reprodução

O homem decidiu abrir a peça para tentar reaproveitar chumbo, mas acabou encontrando uma cápsula com cerca de 19 gramas de um pó azul brilhante que mudaria a vida deles para sempre. Surpreso com o pó brilhante, ele o levou para casa e compartilhou com familiares, entre eles, Ivo Ferreira, pai de Leide e marido de Lurdes. 

O pai de Leide levou o pó para casa e a menina, encantada, brincou com o Césio-137 antes de fazer uma refeição do jantar. A mãe dela relatou que ela comeu um ovo cozido e que, possivelmente, ela pegou no alimento com a mão contaminada.

Leide faleceu no dia 23 de outubro de 1987, no mesmo dia em que sua tia Maria Gabriela. A mulher era esposa de Devair Ferreira e foi a primeira a desconfiar de que o objeto de aço do marido poderia estar fazendo mal à família. 

Contaminação em série

Diversas pessoas que passaram pelo ferro-velho tiveram contato com a cápsula e foram contaminadas. Entre os sintomas estavam náuseas, tonturas, diarreias e vômitos, levando as pessoas a buscarem um hospital e ajuda médica. 

Maria Gabriela chegou a acionar a Vigilância Sanitária, suspeitando de que a causa poderia ter sido o pó. Em uma entrevista com médicos, Maria afirmou que os sintomas apareceram depois que o marido desmontou um "aparelho estranho".

Entre outras vítimas fatais estão Israel dos Santos, de 22 anos, e Admilson de Souza, de 18 anos, ambos funcionários do ferro-velho de Devair. Devair chegou a passar por um tratamento de descontaminação e morreu sete anos depois.

Família de Celeste, inspirada em Leide das Neves; a menina de 6 anos morreu
Família de Celeste, inspirada em Leide das Neves; a menina de 6 anos morreu
Foto: Divulgação

O físico Walter Mendes Ferreira foi o primeiro a desconfiar de que se tratava de um acidente radiológico. Ele identificou altos níveis de radiação, resultando no diagnóstico correto das vítimas. 

A limpeza do césio-137 resultou em 13.500 kg de lixo atômico, descartados em 14 contêineres lacrados que hoje estão armazenados no Parque Estadual Telma Ortegal, em Abadia de Goiás. O local foi criado para armazenar o lixo atômico.

Um monitoramento feito pela Comissão Nacional de Energia Nuclear mostrou que, na época, mais de 290 pessoas apresentaram elevados níveis de radiação. O número real de vítimas nunca foi descoberto, mas muitas delas se organizaram para criar uma associação após o acidente. 

Fonte: Portal Terra
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