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Como Simone Mendes perdeu 4 kg de uma vez? Médicos explicam segredo

Duas cirurgiãs plásticas detalham por que sobra pele depois de um grande emagrecimento

29 out 2026 - 15h12
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Resumo
Após a cantora Simone Mendes retirar 4 kg de pele das pernas pós-emagrecimento, cirurgiãs explicam que grandes perdas de peso rompem fibras elásticas, gerando sobras que exercícios ou tratamentos estéticos não eliminam. O lifting de coxas (cruroplastia) é indicado quando esse excesso causa atrito ou abala a autoestima. Exigindo peso estável, o procedimento remove o tecido sob risco de cicatrizes e complicações como infecções e trombose, demandando avaliação e planejamento individualizados.

A cantora Simone Mendes contou que retirou cerca de 4 kg de pele das coxas depois de emagrecer aproximadamente 30 kg. A cirurgia chamou atenção para um tema comum entre quem perde muito peso: o excesso de pele. Ao Mais Novela, as cirurgiãs plásticas Valéria Destéfani, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), e Cristiane Gusmão explicam por que isso acontece, quando o procedimento é indicado e quais são os riscos. As duas falam em termos gerais, e nenhuma trata do caso da cantora.

Foto: Mais Novela

Por que sobra tanta pele depois de emagrecer

Segundo Cristiane, quando uma pessoa ganha muito peso, a pele sofre um estiramento. Com o emagrecimento expressivo, a gordura diminui, mas a pele nem sempre acompanha a redução, sobretudo quando houve comprometimento das fibras de colágeno e elastina, responsáveis pela firmeza e pela elasticidade. Valéria acrescenta que o excesso é mais evidente em regiões como coxas, braços e abdômen. A quantidade de pele que sobra depende da idade, da genética, da qualidade da pele, do peso perdido e do tempo em que ela ficou distendida.

A cirurgia passa a ser indicada, dizem as duas, quando o excesso é importante e não regride sozinho, e pode causar desconforto físico, assaduras, dificuldade com roupas e atividades do dia a dia, além de afetar a autoestima. Valéria lembra que muitas pessoas fazem um enorme esforço para emagrecer e continuam incomodadas com o resultado. Para operar, é preciso que o peso esteja estabilizado, que haja boas condições clínicas e que o paciente entenda benefícios e limitações.

O que exercício e tratamentos sem cirurgia não resolvem

A atividade física é fundamental para a saúde e fortalece a musculatura, mas não elimina grande quantidade de pele excedente. Valéria usa uma imagem: "É como se houvesse um edredom por cima de toda musculatura, impedindo que ela apareça, mesmo para aquelas pessoas que malham." Tratamentos como radiofrequência podem ajudar em flacidez leve, e Cristiane afirma que eles dão uma melhora de discreta a moderada em casos selecionados, mas não substituem a cirurgia quando sobra muito tecido.

O lifting de coxas passa a ser uma opção quando a flacidez é acentuada, a pele forma dobras e há insatisfação persistente com o contorno, principalmente depois de grandes emagrecimentos. Em alguns casos, o excesso causa atrito entre as coxas, irritação e desconforto ao caminhar ou se exercitar. Valéria reforça que a indicação é individual: "Nem toda flacidez exige cirurgia, mas, quando há excesso significativo de pele, é fundamental explicar ao paciente que nenhuma tecnologia não cirúrgica oferece o mesmo resultado de uma retirada cirúrgica desse tecido."

Como é a cirurgia e que cicatriz deixa

O lifting de coxas, também chamado de cruroplastia, consiste na retirada do excesso de pele e, quando necessário, de parte do tecido gorduroso, para reposicionar os tecidos e melhorar o contorno das pernas. Segundo Valéria, a cirurgia pode ser associada à lipoaspiração em casos selecionados, quando também há gordura localizada. A técnica depende da quantidade e da localização da pele sobrando. Quando a flacidez se concentra na parte superior e interna das coxas, a cicatriz pode ficar na região da virilha. Se o excesso for maior e se estender pela parte interna da coxa, pode ser necessária uma cicatriz vertical, que em algumas situações chega até o joelho, e em pacientes pós-bariátricos as duas abordagens podem ser combinadas.

"A cicatriz é uma consequência inevitável da retirada cirúrgica da pele, e sua extensão depende da quantidade de tecido que precisa ser removida", diz Valéria. Cristiane acrescenta que a marca é permanente, embora costume melhorar com os meses, e que o planejamento busca equilibrar a retirada de pele com o posicionamento mais discreto possível da cicatriz.

Os riscos

Como toda cirurgia, a de coxas tem riscos. As médicas citam hematoma, seroma, infecção, alteração de sensibilidade, problemas de cicatrização e cicatrizes alargadas. Cristiane lembra também a assimetria e a trombose, e Valéria destaca o risco, bem pequeno, de trombose venosa profunda e embolia pulmonar, que exige atenção em cirurgias de contorno corporal. Por isso, a avaliação antes da operação, o planejamento, os cuidados com a circulação e o acompanhamento depois são considerados fundamentais.

Quando há lipedema

Em pacientes com lipedema, que acumulam gordura de forma anormal, Cristiane destaca que é preciso diferenciar o excesso de pele do acúmulo de gordura característico da doença. O lifting corrige a flacidez, mas, sozinho, não é um tratamento completo para o lipedema, e é fundamental preservar o sistema linfático durante a operação.

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