Bonner relata hostilidade do público e mudança de rotina após anos no telejornal
Em São Paulo, jornalista fala sobre ataques sofridos, viagens de carro para evitar constrangimentos e a diferença na recepção do público depois da saída do "Jornal Nacional"
Durante uma coletiva de imprensa realizada nesta tarde na Globo, em São Paulo, William Bonner, 62, apareceu mais leve e bem-humorado, em sintonia com a nova fase profissional à frente do Globo Repórter.
O jornalista comentou de forma descontraída sobre o novo desafio, o período de "férias" após deixar o Jornal Nacional e a transformação que percebeu na maneira como passou a ser tratado pelas pessoas desde que se afastou do noticiário diário.
Segundo Bonner, a relação com parte do público começou a se deteriorar por volta de 2013, no contexto das manifestações contra o aumento das passagens. Ele avalia que, a partir dali, o jornalismo passou a ser alvo direto de disputas políticas. "A polarização política colocou o jornalismo profissional no alvo de certos grupos políticos ideológicos", conta.
"Primeiro, [na extrema esquerda], quando eu fui ostensivamente chamado de fascista, mais de uma vez, em ambiente público. Fascista. E xingamentos de palavrões. [Depois], isso começou a se manifestar também no outro lado do espectro político." William Bonner
Com receio de situações constrangedoras, Bonner decidiu evitar voos curtos. O medo, segundo ele, era sofrer algum ataque que pudesse ser gravado e parar nas redes sociais.
Viajou de carro
A solução foi passar a fazer o trajeto entre Rio e São Paulo de carro — algo que ele descreve como bastante desgastante. Esse esforço se intensificou em períodos delicados da vida familiar, como durante as doenças do pai e da mãe, quando realizava viagens semanais, indo no sábado e retornando no domingo. Apesar de gostar de dirigir, ele admitiu que a rotina era exaustiva.
Depois de deixar o telejornal, Bonner afirma que o clima mudou. Ele diz que passou a receber abordagens mais afetuosas, com demonstrações de carinho e gratidão. "É como se eu tivesse morrido. [...] Voltei para antes de 2013, quando a minha vida era sair na rua e dar autógrafos. Hoje, as pessoas querem uma foto, querem um abraço", disse.
Após a saída do JN, o jornalista tirou férias, mas manteve uma agenda intensa. Participou de eventos profissionais, como o Emmy, em Nova York (EUA), e o Prêmio Profissionais do Ano. Também gravou um documentário com Ernesto Paglia, visitou os filhos na França e, só depois disso, conseguiu passar dois meses de descanso na Bahia, de onde retornou, segundo ele, "superbronzeado".
Bonner contou ainda que vinha se sentindo muito cansado, dormindo pouco e sempre atento ao celular e às demandas do trabalho. "A conta se apresenta. [...] A vida é possível, dá pra fazer, mas não dá pra deixar de prestar atenção nisso, senão a vida passa [...] Podia agora lançar uma carreira de coach", brincou.
No encerramento da conversa, ele revelou que acompanha o Big Brother Brasil. "Mas nunca emito opinião", afirmou.
Ver essa foto no Instagram