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Bolsonaro mandou matar Lula? Entenda o que dizem a investigação e a Justiça

Expressão teve alta de mais de 5.000% nas pesquisas; plano "Punhal Verde e Amarelo" foi apurado pela PF e Bolsonaro nega envolvimento

21 out 2026 - 09h33
(atualizado às 09h36)
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Resumo
Após campanha virtual impulsionar buscas sobre o tema, vieram à tona detalhes da trama golpista de 2022. O plano "Punhal Verde e Amarelo" previa o assassinato de Lula, Alckmin e Moraes. Embora a PGR afirme que Bolsonaro sabia e anuiu com a ação, não há prova de ordem direta de homicídio. O ex-presidente acabou condenado pelo STF a 27 anos de prisão por liderar a tentativa de golpe de Estado, sem condenação específica por mandar matar Lula, e cumpre atualmente prisão domiciliar humanitária.

A frase "Bolsonaro mandou matar Lula" explodiu no Google nesta terça-feira (20). Segundo levantamento do DCI com dados do Google Trends, o interesse pelo tema cresceu mais de 5.000%. O motivo foi uma convocação do deputado federal André Janones (Rede-MG) aos integrantes do canal "Exército do Lula", no WhatsApp, para que pesquisassem a frase. A ação reacendeu o debate sobre as investigações da trama golpista de 2022, que levaram à condenação do ex-presidente pelo STF.

Foto: Mais Novela

O que foi o plano "Punhal Verde e Amarelo"

O caso investigado pela Polícia Federal previa ações para assassinar o então presidente eleito Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do STF. O documento foi elaborado pelo general da reserva Mário Fernandes, que ocupava um cargo na Secretaria-Geral da Presidência durante o governo Bolsonaro.

De acordo com a investigação, o plano foi impresso no Palácio do Planalto em 9 de novembro de 2022, e no mesmo dia Fernandes esteve no Palácio da Alvorada, conforme registros de entrada. O texto previa o uso de explosivos, armas de fogo e envenenamento, e os investigadores também identificaram monitoramento dos alvos. Segundo a PGR, o planejamento não avançou porque seus responsáveis não conseguiram, na última hora, o apoio do comando do Exército.

O que a PGR diz sobre Bolsonaro

Na denúncia apresentada ao STF em fevereiro de 2025, a Procuradoria-Geral da República afirmou que Bolsonaro sabia do plano e concordou com ele. "O plano foi arquitetado e levado ao conhecimento do Presidente da República, que a ele anuiu", sustentou o procurador-geral Paulo Gonet. A acusação também apontou que o ex-presidente acompanhou a evolução do esquema e a discussão sobre uma possível data de execução. A defesa nega qualquer participação ou autorização.

Bolsonaro foi condenado por mandar matar Lula?

O ex-presidente não recebeu condenação específica por tentativa de homicídio, e não há comprovação pública de uma ordem direta para assassinar o presidente. A distinção importa: ter conhecimento de um plano, concordar com ele e ordenar um crime são condutas diferentes.

Em setembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por cinco crimes ligados à tentativa de golpe: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado. O placar foi de quatro votos a um, com divergência do ministro Luiz Fux. Na decisão, ele foi apontado como líder da organização criminosa.

O que aconteceu com os militares

Os militares das Forças Especiais do Exército, conhecidos como "kids pretos", foram incluídos no chamado Núcleo 3 da trama. Em novembro de 2025, a Primeira Turma condenou nove dos dez réus do grupo, entre eles militares e um agente da PF. O general da reserva Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira foi absolvido por insuficiência de provas. As penas variaram conforme o grau de participação de cada um.

Situação atual de Bolsonaro

O ex-presidente começou a cumprir a pena em novembro de 2025, primeiro sob custódia da PF e depois na unidade da PM-DF conhecida como Papudinha. Em 2026, passou à prisão domiciliar humanitária, autorizada pelo STF por questões de saúde. Em outubro, a defesa apresentou pedido de revisão criminal para tentar anular a condenação, alegando novos elementos, e pediu a suspensão da pena durante a análise.

Google também virou alvo de questionamentos

A repercussão levou a críticas ao buscador. O ICL Notícias informou que, ao pesquisar a frase, não recebeu o resumo automático da inteligência artificial do Google, recurso que aparecia em consultas semelhantes com o nome de outras pessoas. Um dos primeiros resultados exibidos era uma reportagem crítica à iniciativa de Janones.

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