Atriz que se declara “sapatão” vive coach conservadora cristã em filme crítico à extrema direita
‘Virtuosas’ joga os holofotes sobre um movimento norte-americano com cada vez mais adeptas no Brasil
O movimento dos legendários ganhou uma versão feminina no cinema.
Em ‘Virtuosas’, mulheres em busca do fortalecimento de valores pessoais e do relacionamento se isolam em uma mansão numa reserva florestal.
A líder é Valentina Heinzel, uma coach que prega o conservadorismo nos costumes e a fé cristã.
“A mulher virtuosa está pronta para despertar ou se aperfeiçoar”, diz em tom messiânico no teaser do longa.
No papel está Bruna Linzmeyer. Sua escalação já é uma crítica irônica ao perfil das pessoas que participam deste tipo de movimento tradicionalista.
A atriz se declara orgulhosamente “sapatão”. Exibe sem pudor os relacionamentos com outras mulheres.
Em entrevistas, costuma afirmar que ganharia muito mais dinheiro e teria mais convites de trabalho se não defendesse abertamente a comunidade LGBTQIAP+ na mídia.
Nascida e criada em Santa Catarina, um dos estados de maior força eleitoral da direita, Bruna diz ser uma “menina da roça”, consciente do privilégio de ser branca em um país com frequentes casos de racismo.
O lançamento de ‘Virtuosas’ nos cinemas, marcado para 24 de setembro, parece uma provocação às candidatas da direita extremista que tentarão se eleger pouco depois, em 4 de outubro.
A diretora do longa, Cíntia Domit Bittar, revelou no Festival do Rio, em 2025, ter se inspirado nas ‘tradwives’ — abreviação de ‘traditional wives’ (‘esposas tradicionais’) — dos Estados Unidos.
No geral, elas condenam o feminismo e as famílias homoafetivas, além de defender a divisão ideológica de funções entre homem e mulher.
As versões brasileiras das ‘tradwives’ ganham cada vez mais espaço na mídia e nas redes sociais.
As novelas já destacaram esse perfil em personagens como Perpétua (‘Tieta’), Dorotéia (‘Gabriela’) e Carminha (‘Avenida Brasil’).
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