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Após 35 anos de silêncio, Christiane Torloni revela a dor desde a trágica morte do filho

Aos 69 anos, atriz revisita uma das experiências mais dolorosas de sua vida, fala sobre a reconstrução após a morte de Guilherme e conta como o mar passou a trazer momentos de paz

24 ago 2026 - 22h07
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Resumo
Prestes a completar 70 anos, Christiane Torloni refletiu sobre perdas e superações, destacando a dor contínua pela morte de seu filho Guilherme, em 1991, um processo de reconstrução que renova diariamente. Em cartaz com a peça "Dois de Nós", ao lado de Antonio Fagundes, a atriz também comentou sobre relacionamentos, criticou o etarismo e celebrou novas paixões, como o surfe, afirmando que a maturidade traz liberdade, aprendizados e uma conexão mais profunda com o presente.
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Christiane Torloni está prestes a completar 70 anos e, ao olhar para a própria trajetória, fala sobre perdas, recomeços e as diferentes formas que encontrou para continuar vivendo. Entre as experiências que mais marcaram sua vida está a morte do filho Guilherme, em 1991, aos 12 anos, após um acidente de carro ocorrido na garagem de sua própria casa.

Diná (Christiane Torloni) em 'A Viagem'
Diná (Christiane Torloni) em 'A Viagem'
Foto: Reprodução/ Globo / Contigo

Mais de três décadas depois da tragédia, a atriz ainda fala sobre o episódio com emoção e reconhece que a reconstrução de sua vida após a perda foi um processo longo, que nunca chegou realmente a um ponto final.

"Passei pela maior provação de uma mãe. Naquele momento, a vida ficou em jogo", afirmou Christiane em entrevista ao O Globo.

Atualmente em cartaz no Rio de Janeiro com a peça "Dois de Nós", de Gustavo Pinheiro, a atriz vive no palco uma personagem que também passa por uma situação de grande impacto emocional. A montagem é dirigida por José Possi Neto e tem Antonio Fagundes no elenco, um dos grandes amigos de Christiane.

A experiência pessoal da atriz acaba criando uma conexão ainda mais profunda com a história apresentada no teatro. Embora se trate de uma personagem fictícia, Christiane conhece de perto a dimensão de uma vida atravessada por uma tragédia.

"A reconstrução desse caminho é enorme"

Depois da morte de Guilherme, Christiane precisou encontrar uma maneira de reconstruir a própria existência. O processo, segundo ela, não foi rápido e tampouco terminou com o passar dos anos.

A atriz explica que recuperar o desejo de continuar vivendo exigiu um esforço diário, especialmente diante de uma dor que não desaparece completamente.

"Recuperar o sentido de viver depois de ter perdido um filho foi um trabalho muito delicado. A reconstrução desse caminho é enorme, e não termina nunca: todos os dias assino meu leasing com a vida."

A frase traduz a maneira como Christiane encara o processo de seguir em frente: não como algo que foi definitivamente superado, mas como uma escolha renovada diariamente.

Na época da tragédia, a atriz também contou com manifestações de carinho de pessoas próximas e até de desconhecidos. Cartas e mensagens se tornaram uma fonte importante de apoio durante um dos momentos mais difíceis de sua vida.

"As pessoas só escreviam cartas, lembro-me de ter ficado impressionada com as demonstrações de afeto que recebi para não desistir, porque havia esse risco."

O apoio recebido naquele período teve um papel importante para que ela conseguisse atravessar os dias mais delicados e encontrar forças para continuar.

Guilherme era filho de Christiane com o diretor Dennis Carvalho, que morreu em 2026. O relacionamento entre os dois fez parte de uma das fases da vida pessoal da atriz, que foi casada publicamente quatro vezes.

Ao comentar seus relacionamentos, Christiane brinca com a própria trajetória afetiva e deixa claro que nem tudo sobre sua vida pessoal esteve exposto ao público.

"Quatro vezes são os casamentos públicos, né? Os que deixo que saibam. O resto tem de ser secreto e divertido", diz.

O mar como uma nova forma de liberdade

Em meio à chegada de uma nova década, Christiane também encontrou uma atividade que lhe proporciona uma sensação diferente: o surfe.

A atriz conta que sempre teve vontade de praticar o esporte, mas que, quando era mais jovem, sua mãe não permitia. Agora, o contato com o mar se transformou em uma experiência de tranquilidade e aprendizado.

"O mar regenera. Estou aprendendo a ler a onda. É zen", afirma.

A relação com o surfe representa, de certa forma, uma nova maneira de se conectar com o presente. Em vez de olhar apenas para o que passou, Christiane encontra no mar uma atividade que exige atenção ao momento, ao movimento das ondas e ao próprio corpo.

A atriz também segue trabalhando intensamente. Além da temporada de "Dois de Nós", ela continua construindo uma carreira marcada por personagens importantes na televisão, no teatro e no cinema.

Atriz critica o etarismo

Ao se aproximar dos 70 anos, Christiane também reflete sobre a maneira como a sociedade enxerga o envelhecimento, especialmente no caso das mulheres.

Para ela, o etarismo — o preconceito baseado na idade — pode ser cruel porque leva muitas pessoas a duvidarem da capacidade de alguém simplesmente por causa do número de anos vividos.

A atriz rejeita essa visão e defende que o envelhecimento também pode trazer novas descobertas e experiências.

"O colágeno vai embora, mas outras coisas melhoram. O sexo vai ficando uma coisa maravilhosa. Quando a gente é jovem, sabe pouco."

Com bom humor, Christiane aponta que a passagem do tempo não significa necessariamente perda em todas as áreas. Algumas características físicas podem mudar, mas outras dimensões da vida podem se tornar mais profundas com a experiência.

Aos 69 anos, a atriz parece atravessar essa fase com disposição para experimentar coisas novas, continuar trabalhando e descobrir novas formas de prazer e liberdade.

Entre o palco, o mar e as lembranças de uma trajetória marcada por momentos de intensa felicidade e profunda dor, Christiane Torloni segue construindo sua relação com a vida. A perda de Guilherme permanece como uma ferida que o tempo não apagou, mas que ela aprendeu a carregar enquanto continua encontrando motivos para seguir.

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Um post compartilhado por Psicóloga Teresa Gouvea (@lacoselutos_)

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