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Após 25 anos, repórter conta bastidores do presidente americano no ataque do 11 de Setembro

Bush expõe no Texas cerca de 15 pinturas inspiradas em suas lembranças do atentado terrorista

11 set 2026 - 14h56
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O então presidente americano George W. Bush no avião presidencial Air Force One, após os atentados
O então presidente americano George W. Bush no avião presidencial Air Force One, após os atentados
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Em 11 de setembro de 2001, o dia amanheceu normalmente e sem expectativas de grandes acontecimentos. O então presidente George W. Bush, que estava no cargo há oito meses, participava, naquela manhã, de um evento com crianças para promover suas políticas educacionais. Em questão de horas, porém, o republicano enfrentaria o pior ataque em solo americano desde Pearl Harbor, em 1941. Vinte e cinco anos depois, nesta sexta-feira, Bush expõe no Texas cerca de 15 pinturas inspiradas em suas lembranças dos ataques.

Naquele dia, ele estava na Escola de Ensino Fundamental Emma E. Booker, em Sarasota. Enquanto se reunia com funcionários e alunos, Steve Holland, repórter da agência Reuters, acompanhava a agenda presidencial e estava em um centro de imprensa próximo, onde jornalistas assistiam pela televisão à fumaça saindo de uma das Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York. O primeiro avião havia atingido o prédio e, inicialmente, acreditava-se que poderia ter sido um acidente. Enquanto acompanhavam as imagens, porém, o segundo avião atingiu a outra torre.

Antes de entrar na sala de aula, Bush já havia sido informado sobre a primeira colisão. Enquanto acompanhava crianças em um exercício de leitura, o então chefe de gabinete da Casa Branca, Andy Card, se aproxima e sussurra que um segundo avião havia atingido a outra torre do World Trade Center: “Os Estados Unidos estão sob ataque”,  afirmou ele, enquanto câmeras registravam a expressão dele ao receber a notícia.

Reação

Após a notícia, Bush permaneceu sentado durante cerca de sete minutos e terminou o exercício de leitura com as crianças. Depois, as elogiou e tirou fotos com alunos e professores. Questionado por um repórter sobre os ataques, respondeu que falaria sobre o assunto mais tarde.

A cena foi uma das imagens mais conhecidas daquele dia e, anos depois, foi usada pelo documentarista Michael Moore em “Fahrenheit 9/11”, como símbolo do que seus críticos consideravam uma reação de paralisia diante da crise. O ex-presidente, entretanto, afirmou que permanecer sentado foi uma decisão consciente.

"Minha primeira reação foi de raiva. Quem diabos faria isso com os Estados Unidos?", disse à National Geographic, acrescentando que, em seguida, sua atenção se voltou para as crianças e para “o contraste entre o ataque e a inocência” delas.

Ao fundo da sala, o ex-presidente observava os jornalistas apurando informações em seus celulares. Ele comparou a cena como a “assistir um filme mudo”. Foi então, afirmou, que percebeu que pessoas fora daquela sala também estariam observando sua reação. Naquele momento, relembrou, ele decidiu não “levantar imediatamente e sair da sala de aula”, porque não queria assustar as crianças.

"Eu já havia passado por crises suficientes para saber que a primeira coisa que um líder precisa fazer é transmitir calma", afirmou ele, que em relato à NBC, negou ter ficado em choque. "Não vou debater com os críticos se eu estava ou não em choque. Eu não estava. Eles podem ler o meu livro e tirar suas próprias conclusões."

Dimensão do ataque

Fora da sala de aula, a dimensão do ataque terrorista ficava cada vez mais clara. As duas torres do World Trade Center desabaram, matando cerca de três mil pessoas. Um terceiro avião atingiu o Pentágono, matando 64 a bordo e outras 125 no prédio. Um quarto, o voo 93 da United Airlines, caiu em um campo na Pensilvânia depois que passageiros reagiram contra os sequestradores. Todas as 44 pessoas a bordo morreram.

Da escola pública em Sarasota, Bush, primeiro, foi para a Base Aérea de Barksdale, na Louisiana. Depois, ele foi levado para a Base Aérea de Offutt, em Nebraska, onde entrou em um bunker subterrâneo para participar de uma teleconferência com seus principais assessores. Durante aquelas horas, Bush discutiu como responder caso outras aeronaves sequestradas ameaçassem novos alvos.

Três anos depois do atentado, em depoimento à comissão independente que investigou o 11 de Setembro, ele partilhou que concedeu ao vice-presidente autoridade para mandar abater um avião, se necessário. Disse, ainda, que conhecia as regras básicas de engajamento devido à experiência como piloto da Guarda Aérea Nacional do Texas, e que compreendia o peso que uma ordem desse tipo teria sobre os militares.

“Ele entendia as consequências para o piloto, como um piloto poderia se sentir ao receber a ordem de derrubar um avião comercial americano. Seria difícil”, registram as anotações da comissão sobre o relato.

‘Raiva silenciosa’

Bush chegou à Casa Branca ainda no fim da tarde de 11 de setembro. Os jornalistas que o acompanhavam, porém, permanecia na Flórida com grande parte do corpo de imprensa da Casa Branca. Com o tráfego aéreo suspenso no país, os jornalistas não tinham como retornar a capital nacional. Então presidente da Associação de Correspondentes da Casa Branca, Holland pediu uma solução, e o grupo conseguiu um ônibus fretado para voltar à capital. Depois de 14 horas na estrada, ele disse ter visto, em Washington, “a enorme abertura ainda fumegante no Pentágono”.

Três dias após os ataques terroristas, em 14 de setembro, o jornalista voltou a acompanhar Bush, desta vez ao Marco Zero, em Nova York. As ruínas do World Trade Center ainda queimavam e, segundo ele, o cheiro podia ser sentido a quilômetros de distância. Havia ainda a preocupação de que alguns dos prédios ao redor estivessem tão fragilizados que também pudessem desabar.

Uma camada espessa de cinzas cobria as ruas, as calçadas e os ombros dos bombeiros exaustos. Bush caminhou pelo local devastado ao lado do então prefeito de Nova York, Rudy Giuliani, e, em determinado momento, subiu nos destroços de um caminhão de bombeiros, e, com um megafone, dirigiu-se às equipes de emergência.

"Eu consigo ouvir vocês. O resto do mundo ouve vocês", disse ele na ocasião. "E as pessoas que derrubaram esses prédios ouvirão todos nós em breve."

Exposição de Bush

Nesta sexta-feira, 25 anos após os atentados, Bush expõe no Texas 15 pinturas inspiradas em suas lembranças dos ataques. A exposição “Lembrando o 11 de Setembro”, em tradução livre, está em cartaz em seu museu presidencial, no Dallas, e trata dos momentos que se seguiram aos ataques de 2001.

A mostra começa com uma representação de Nova York depois que as Torres Gêmeas desabaram. Ao fundo, os edifícios do sul de Manhattan aparecem envoltos em uma espessa fumaça cinza.

Em várias obras, Bush, que começou a se dedicar à pintura três anos depois de deixar a Casa Branca, em 2009, retrata a si mesmo: consolando uma família ou uma mãe enlutada; cercado por bombeiros de Nova York; discursando na Catedral Nacional de Washington; e segurando a mão do pai, o ex-presidente George H. W. Bush. Outro elemento recorrente da série, marcada por cores intensas, é a bandeira americana. Em uma das pinturas, ela ocupa toda a tela sobre o Pentágono.

“Esses são os momentos que o presidente Bush escolheu pintar, porque são aqueles de que mais se lembra: não o medo, mas a determinação; não o desespero, mas o instinto dos americanos comuns de se unir e ajudar uns aos outros”, explica um comunicado.

Fonte: Portal Terra
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