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Ana Castela gera polêmica com remédio controlado e psiquiatra faz alerta: 'Risco'

Ana Castela polemiza com remédio controlado em Barretos; entenda o risco apontado por psiquiatra após cantora ser detonada nas redes sociais

1 set 2026 - 08h58
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Resumo
A cantora Ana Castela gerou polêmica na Festa do Peão de Barretos ao citar, em tom de brincadeira, o remédio controlado Venvanse como dica para aguentar o evento. A declaração repercutiu negativamente nas redes sociais, levantando debates sobre a banalização de psicotrópicos. Diante do caso, a psiquiatra Camilla Nicolucci alertou sobre os riscos da automedicação e de figuras públicas normalizarem estimulantes para mascarar o cansaço, reforçando a necessidade indispensável de prescrição médica.

A cantora Ana Castela, de 22 anos, gerou debates nas redes sociais após dar uma declaração controversa durante a Festa do Peão de Barretos. Ao responder como encarar a rotina do evento sertanejo, a artista mencionou uma substância tarja preta, amplamente prescrita no tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e do Transtorno de Compulsão Alimentar (TCA).

Reprodução/Instagram
Reprodução/Instagram
Foto: Mais Novela

Dessa forma, o comentário ganhou repercussão imediata durante a conversa com a repórter Dany Andrade. "Ana Castela no Barretão 2026. Uma dica pra quem tá vindo pro Barretão e um conselho pra não errar, Ana", pediu a entrevistadora Dany Andrade.

Em seguida, a artista fez a declaração que acendeu o alerta do público. "Venvanse. Brincadeira [risos], eu nem tomo isso", respondeu a boiadeira.

Ana Castela recua após menção a psicotrópico

Logo após a citação ao medicamento, Ana Castela buscou ponderar o discurso e retratou a colocação com tom mais prudente. "Sei lá, acho que se preparem financeiramente. Porque realmente aqui tudo você precisa pagar. De vez em quando você precisa pagar. Pra comer, você precisa pagar. Acho que isso é uma delas e se programar", ressaltou.

No entanto, a justificativa não impediu a reação negativa de diversos internautas. Diante disso, seguidores criticaram a leviandade de citar estimulantes em entrevistas. "O mais triste desses comentários é perceber o quanto de gente acha legal, divertido, até leve e normal certas coisas. Que doideira!", rebateu um perfil na web.

"Como que vocês querem normalizar isso? Tá de sacanagem", questionou outra usuária. "Quanta gente fanática por aqui! Eu adoro as músicas da Ana Castela, mas a gente tem que reconhecer que foi uma fala totalmente irresponsável. O fanatismo cega", disparou uma terceira.

Psiquiatra faz alerta sobre a banalização de medicamentos

Diante da gravidade do episódio, os riscos do uso inadvertido de estimulantes exigem clareza. Portanto, a Dra. Camilla Nicolucci, psiquiatra e pesquisadora, explica que piadas com remédios controlados oferecem perigos reais à saúde pública.

"Ainda que a referência a um medicamento controlado seja feita em tom de brincadeira, é importante ter cuidado com a forma como esse tipo de substância é apresentado publicamente. Medicamentos que atuam no sistema nervoso central não são recursos para 'aguentar' uma rotina intensa, dormir depois de um dia exaustivo ou compensar uma agenda que ultrapassou os limites do organismo. São medicações que possuem indicações específicas, contraindicações, possíveis efeitos adversos e riscos que precisam ser avaliados individualmente por um médico", alertou aprofissional.

Além disso, a especialista enfatiza o perigo da validação que figuras públicas exercem sobre seus admiradores. "Quando uma figura pública menciona um remédio como se ele pudesse fazer parte de uma estratégia cotidiana para enfrentar cansaço, estresse ou privação de sono, existe o risco de banalizar o uso e transmitir, mesmo sem essa intenção, a ideia de que aquela é uma solução simples e replicável. O problema é que algumas pessoas podem já ter o medicamento em casa, conseguir acesso por outras vias ou acreditar que, se alguém conhecido utiliza, também poderiam experimentar", acrescentou.

Perigos do uso sem prescrição e a cultura do esgotamento

Sendo assim, as consequências colaterais da automedicação em busca de alta performance podem ultrapassar os limites do organismo. "Dependendo da substância, o uso inadequado pode provocar sonolência excessiva, prejuízo de atenção e memória, alterações de comportamento e outros efeitos importantes, além do risco de dependência associado a determinados medicamentos", salientou.

Contudo, a reflexão também se estende à cobrança por produtividade sem limites na sociedade atual. "Também precisamos discutir a cultura de tentar medicar os limites naturais do corpo. Se uma pessoa está exausta porque dormiu pouco, trabalhou demais ou passou vários dias em uma rotina intensa, o cansaço é um sinal fisiológico de que o organismo precisa de recuperação. Não deveríamos transformar medicamentos em ferramentas para silenciar esses sinais e continuar funcionando a qualquer custo", frisou.

Por fim, a Dra. Camilla Nicolucci reforçou a necessidade imperativa da orientação científica antes de qualquer decisão. "Prescrição médica não é uma formalidade: ela existe porque é necessário avaliar indicação, dose, duração do tratamento, possíveis interações e características individuais. O fato de um medicamento funcionar para uma pessoa não significa que seja seguro ou indicado para outra. Por isso, diante de uma rotina exaustiva, dificuldade persistente para dormir, ansiedade ou qualquer outro sintoma, a orientação é procurar avaliação profissional, e nunca utilizar medicamentos controlados por indicação de amigos, influenciadores ou celebridades", concluiu.

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