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A vida por trás do luxo: a rotina surpreendente dos assistentes pessoais de milionários

Profissionais que gerenciam a vida de bilionários mostram nas redes sociais uma rotina que mistura extravagância, responsabilidades extremas e acesso a experiências únicas

24 fev 2026 - 16h39
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Giuliana Passarelli, paulistana de 31 anos, trabalha como assistente pessoal de um empresário milionário. "Sabe aquele ditado que diz que todo mundo tem as mesmas 24 horas? É mentira", afirma. "Ele [o chefe] também tem as minhas 24 horas."

Giuliana Passarelli (Reprodução/Instagram)
Giuliana Passarelli (Reprodução/Instagram)
Foto: Contigo

Ela é responsável por tudo que o empresário de 35 anos não quer fazer, desde escolher um terno de 5 mil euros até organizar festas ou comprar material escolar do filho dele. Em situações mais inesperadas, já precisou viajar às pressas para a França para buscar uma Ferrari.

"Tive que arrumar a mala do dia para a noite, porque ele comprou uma edição especial, de colecionador. Chegamos, fomos a uma cidade vizinha a Paris e tive que resolver toda a parte burocrática de como se traz um carro para o Brasil", lembra Giuliana.

A rotina é imprevisível: um dia ela leva o cachorro do patrão ao veterinário, no outro marca consultas ou paga boletos. "Sabe quando você está no seu dia mais pilhado, cheio de trabalho, e pensa: 'Esqueci de comprar pasta de dente'? Isso não acontece com ele, porque eu não esqueci."

Nas redes sociais, Giuliana se autodenomina "babá de milionário", um termo que surgiu de brincadeira interna. "Eu brincava com isso porque temos uma relação de amizade muito próxima", explica. Segundo ela, enquanto o patrão "liga o modo avião da cabeça", ela assume a responsabilidade por tudo.

"Sabe quando você tem que ficar ligada em uma criança de dois anos, em que não se pode piscar por um segundo? Com ele, é a mesma coisa. Sou responsável pela vida de outra pessoa e, do nada, tudo pode mudar."

Formada em Publicidade e pós-graduada em Marketing, Giuliana deixou o mercado tradicional de agências e eventos para gerenciar a vida do empresário. A oportunidade surgiu na pandemia, e após uma entrevista de cinco minutos, o empresário a contratou. Ela trabalha com ele há cinco anos.

"Por mais que eu não tenha uma rotina estabelecida, isso não é um problema para mim, porque nunca fui uma pessoa apegada à rotina", comenta. "Gosto mais, porque cada dia é um dia, você faz coisas diferentes e conhece coisas diferentes. Você tem que aprender muitas coisas."

Há também momentos excêntricos. Após ler uma matéria sobre milionários que colecionam minigalinhas, o chefe de Giuliana decidiu aderir à moda. As aves, da raça serama, custaram R$ 3 mil cada e vivem no sítio de uma funcionária, mas ela continua repassando fotos e atualizações.

Para manter sua própria formação e carreira, Giuliana passou a criar conteúdo nas redes sociais. Seu perfil no TikTok soma mais de 5 milhões de curtidas e 140 mil seguidores, mostrando os bastidores de seu trabalho.

Tempo é o luxo mais valioso

Segundo Cristina Proença, professora da ESPM, assistentes pessoais representam uma evolução dos antigos empregados domésticos de famílias ricas. "Sempre houve nas famílias tradicionais pessoas que auxiliavam a casa", explica. Ela destaca que a concentração de riqueza aumenta a demanda por serviços ultraespecializados.

O mercado de luxo brasileiro deve crescer de R$ 74 bilhões em 2022 para R$ 150 bilhões em 2030, impulsionado por famílias com patrimônios acima de US$ 1 milhão. Para essas famílias, o assistente pessoal não é apenas um funcionário, mas alguém que transforma o tempo em um bem de luxo.

"Quando você fala da contratação desse staff [equipe ou funcionário], você está falando realmente de ganhar tempo comprando o tempo de outras pessoas", afirma Proença. O tempo economizado torna-se símbolo de status, mais valioso que bens materiais.

Ela ressalta que o termo "babá de milionário" pode infantilizar a profissão. "Parece que a pessoa não tem condições de desenvolver sozinha. Quando falo o termo babá é uma criança ou bebê que não tem autonomia", explica.

Experiências e flexibilidade atraem os profissionais

Outro exemplo é João Victor Marques, de 29 anos, que trabalhou em Mônaco, Dubai, Londres e Zurique para empresários do mercado de luxo. "Uma das situações mais inusitadas do meu trabalho foi jantar em um iate do Leonardo DiCaprio, que estava ancorado em Mônaco", conta. Hoje ele trabalha como assessor pessoal de uma empresária em Goiânia, atuando como uma extensão da patroa.

Para ambos, a profissão combina liberdade, responsabilidade e contato direto com um universo exclusivo. "Para mim, qualidade de vida de poder morar onde quero, ter os meus horários... É imbatível a qualquer salário", afirma Giuliana.

Apesar do glamour, há dilemas. Ver gastos extravagantes diariamente em um país com desigualdade social tão alta como o Brasil provoca sentimentos conflitantes. "Lógico que isso pega. A gente convive com outras realidades, e tem momentos que a gente acha super injusto", admite Giuliana.

Ela encara o conteúdo que publica como entretenimento, mostrando um mundo distante do público. "Não tenho interesse em ensinar nada ou criar um curso de como ser babá de milionário", diz. "Também não estou querendo que você tenha uma bolsa de grife, eu só estou te mostrando que isso existe. Esse é o mundo normal deles."

Organização e jogo de cintura

O setor está se profissionalizando, com agências especializadas na ponte entre ricos e assistentes pessoais. A agência Lu Xavier, em São Paulo, realiza seleção criteriosa, incluindo análise de antecedentes e checagem de referências, focada em residências de alto padrão.

Luciana Xavier, fundadora da agência, destaca que a função exige conhecimento do mercado de luxo, discrição e capacidade de gerir equipes e prestadores de serviço. A remuneração média varia de R$ 15 mil a R$ 30 mil, dependendo da estrutura familiar e das funções desempenhadas.

Profissionais como Giuliana e João Victor precisam de jogo de cintura, fluência em inglês, repertório cultural e capacidade de resolver imprevistos. "Você vai começar a conhecer o gerente do aeroporto de aviação executiva, a florista... Isso é ouro puro, ainda mais para quem está começando", afirma Proença.

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