A lição de Alice Walker, poetisa e ensaísta: 'Não seja a favorita de ninguém, seja uma pessoa à margem. Aceite as contradições da sua vida e envolva-se nelas como se fossem um xale'
Em um poema de 1973, a autora de 'A Cor Púrpura' usa a imagem de um xale para falar sobre o que nos protege quando nossas escolhas desagradam aos outros
Reconhecida por sua militância nos direitos civis e por centrar suas obras nas vivências e resistências de mulheres negras no sul dos EUA, a escritora Alice Walker fez história ao se tornar a primeira mulher negra a vencer o Prêmio Pulitzer de Ficção por "A Cor Púrpura", de 1982. Essa força temática e o incentivo à autoaceitação e à autonomia também marcam sua poesia, como no célebre verso de 1973 que convida a aceitar as contradições da vida e a não temer a posição de viver à margem.
Antes de conquistar o público com "A Cor Púrpura", Alice Walker já escrevia sobre a vida no sul dos Estados Unidos, onde nasceu em 1944, no estado da Geórgia.
Romancista, poetisa e ensaísta, ela participou do movimento pelos direitos civis e colocou no centro de sua obra as experiências de mulheres negras, com espaço para seus afetos, suas ambições e suas formas de resistir à violência.
Em "A Cor Púrpura", publicado em 1982, essa perspectiva ganha forma nas cartas de Celie, uma mulher negra que encontra na escrita uma maneira de contar a própria história.
O livro fez de Walker a primeira mulher negra a ganhar o Pulitzer de Ficção, em 1983, e chegou ao cinema dois anos depois, em uma adaptação dirigida por Steven Spielberg.
A ideia de tomar a palavra e decidir como contar a própria vida também aparece em sua poesia. Quase uma década antes do romance, Walker abriu um de seus poemas com estes versos, aqui em tradução livre.
"Não seja a favorita de ninguém, seja uma pessoa à margem. Aceite as contradições da sua vida e envolva-se nelas como se fossem um xale"
O que o xale protege no poema de Alice Walker
O trecho abre "Be Nobody's Darling", poema publicado em 1973 na coletânea Revolutionary Petunias & Other Poems. Era o segundo livro de poesia de Walker, escrito no contexto de uma trajetória já marcada pelo ativismo.
Em vários poemas da coletânea, a autora volta ao sul dos Estados Unidos para revisitar o mundo em que cresceu.
A imagem do xale fica mais clara nos versos seguintes. Ali, el...
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