Filme brasileiro 'London' é premiado na Mostra de Veneza com o Queer Lion
O cinema brasileiro voltou a se destacar no Festival de Veneza com a premiação de "London", longa-metragem de Victor di Marco e Márcio Picoli exibido na Semana da Crítica, mostra paralela dedicada à revelação de novos talentos. O filme dividiu o prêmio Queer Lion com "Queer Edward II", do diretor Theo Rollason. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (11).
O filme brasileiro "London" venceu o Queer Lion na Mostra de Veneza, prêmio concedido à melhor produção com temática LGBTQIA+ do festival. A obra aborda desejo, deficiência e autonomia ao acompanhar um jovem dominador fetichista em conflito entre buscar um diagnóstico médico e preservar sua identidade. O júri elogiou o retrato da sexualidade, prazer e resistência, além do diálogo com o New Queer Cinema. A conquista reafirma a visibilidade e o sucesso recente do cinema brasileiro no festival italiano.
Misturando questões de desejo, deficiência e autonomia, "London" acompanha um jovem que construiu sua vida em torno da busca pela independência.
Ao lado dos amigos Luke e Lilá, ele trabalha como dominador em uma casa fetichista. Quando surge a possibilidade de compreender melhor sua condição por meio de um exame médico, ele passa a enfrentar um impasse: o desejo de obter respostas entra em conflito com o receio de ver sua identidade reduzida a um diagnóstico.
Entegue à melhor obra com temática LGBTQIA+ apresentada em qualquer seção do festival, o Queer Lion havia premiado no ano passado o mexicano "En el camino". Nesta edição, doze produções disputaram o reconhecimento.
Ao justificar a escolha, a organização destacou a forma como os jovens personagens do filme vivenciam uma sexualidade explícita e assumida, marcada pela presença do fetiche, do prazer, da amizade e da resistência na construção de suas identidades. O júri também ressaltou que Di Marco e Picoli dialogam com a tradição do New Queer Cinema ao abordar aspectos da experiência queer ainda pouco explorados pelo cinema contemporâneo.
A conquista reforça a presença recente do Brasil em Veneza. Em 2024, "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles, recebeu o prêmio de Melhor Roteiro na competição oficial do festival, concedido a Murilo Hauser e Heitor Lorega. Em 2022, Pedro Harres conquistou o Grande Prêmio do Júri da seção Venice Immersive, voltada às obras em realidade virtual, com o curta "FROM THE MAIN SQUARE".
(Com agências)
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