Felipe Isidro, professor titular de educação física: 'O problema é que vivemos com um enorme déficit de força útil aplicada no momento certo'
Apenas uma em cada seis pessoas adultas pratica exercícios de força e exercícios cardiovasculares na medida considerada saudável
O especialista em educação física Felipe Isidro alerta que, para um envelhecimento saudável, apenas caminhar ou acumular passos não basta. A preservação da autonomia, crucial a partir dos 60 anos, depende do treino de força útil, equilíbrio e coordenação motora. Mais do que volume muscular, a longevidade exige a capacidade de reagir rapidamente a imprevistos cotidianos, demonstrando que a agilidade e a resposta neuromuscular devem ser ativamente exercitadas.
Você desce as escadas com as sacolas de compras em ambas as mãos e, de repente, o pé não pisa no degrau exatamente como você esperava. Por um instante você perde o equilíbrio, se apoia no corrimão e continua como se nada tivesse acontecido.
São apenas alguns décimos de segundo, mas em situações assim o corpo está fazendo muito mais do que parece: ajusta a postura, coordena os movimentos e recupera o equilíbrio quase sem que cheguemos a pensar a respeito.
E é precisamente aí que pode estar uma das chaves para entender como envelhecemos. Não tanto em quantos passos damos por dia ou nos quilômetros que acumulamos, mas na nossa capacidade de reagir quando algo sai do previsto.
Uma capacidade que ganha uma importância especial a partir dos 60 anos, quando manter a força, a coordenação e o equilíbrio pode fazer uma enorme diferença na autonomia.
Felipe Isidro, professor titular de Exercício Físico e um dos especialistas espanhóis mais conhecidos em treino de força e saúde, focou precisamente nessa questão em uma publicação em sua conta do Instagram.
Sua reflexão convida a prestar atenção em algo que costumamos ignorar até que começa a falhar.
O momento em que o corpo cobra a conta
Isidro parte de uma ideia simples de enunciar, mas difícil de aceitar: há uma idade em que apenas se movimentar deixa de ser suficiente. "Chega um momento na vida em que não basta se mexer, o corpo lembra que a autonomia também se treina", afirma o especialista.
Ele explica isso usando exemplos muito concretos...
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