'Acho que o Rei está feliz': Atores de 'Brasil 70' contam como foi dar vida a heróis da Copa
Atores precisaram encarnar 'personagens' como Pelé, Zagallo, Tostão e Rivellino na minissérie da Netflix
Com a Copa do Mundo de 2026 chegando, Brasil 70: A Saga do Tri teve uma bem-vinda estreia na Netflix nesta sexta-feira, 29. A minissérie, criada e escrita por Naná Xavier e Rafael Dornellas, é uma dramatização dos eventos da Copa de 1970, jogada no México, e que, como o próprio título já diz, rendeu o tricampeonato mundial à Seleção Brasileira. Formado por nomes como Pelé, Tostão, Carlos Alberto Torres, Jairzinho, Gérson e outros craques da época, o plantel é até hoje considerado o melhor time que o Brasil já colocou em campo.
Obviamente, um dos grandes desafios da minissérie foi introduzir esses nomes ao imaginário da chamada geração Z, que cresceu com as desilusões de seguidos fracassos na Copa, sem desrespeitar a memória de quem viveu a glória de 1970. Para isso, foi necessário desmistificar as figuras quase divinas de Pelé e companhia.
Assim como Silvio Santos ou Faustão, Pelé é uma daquelas personalidades nacionais para a qual quase todos os brasileiros têm uma imitação. Até por isso, Lucas Agrícola, já fisicamente muito parecido com o Rei, precisou fazer um extenso trabalho para transformar seu "personagem" em algo que ia além da figura solidificada na visão popular.
"O Pelé é um ícone", disse Agrícola ao Estadão, no evento de pré-estreia da série realizado no Nubank Parque (antigo Allianz), em São Paulo. Explicando que se submeteu a "muitos estudos" para levar a atuação para além da imitação, o ator quis transmitir o estado emocional do jogador nos momentos pré-Copa. "A gente tinha uma preocupação de passar o que ele sentiu em 1970, [depois] de tudo o que ele viu das outras Copas."
"Em 1962, ele veio machucado, em 1966 machucou também. Então, ele estava com esse peso nas costas e desacreditado [pelo Brasil]. Foi muito difícil construir isso. Mas a gente conseguiu. Acho que eu consegui transmitir isso e estou muito feliz com o resultado. E onde o Rei estiver, acho que ele está feliz também."
"Pesquisei muito a postura, o jeito de bater na bola, de correr, toda essa questão corporal", explicou o ator, que, como os colegas, precisou recriar os movimentos e jogadas do Capita em campo nas filmagens. "Quando você está sendo gravado, tem que ter uma atenção mais com a postura e a gente tá falando do Carlos Alberto Torres, que é uma lenda."
"É o capitão, maior capitão de todos os tempos, da maior seleção de todos os tempos", continuou Cabral. "Então, é uma responsabilidade muito grande tanto quanto a gente manter essa energia de capitão de juntar o time, de deixar todo mundo junto — não só na filmagem, mas também por fora, porque é um [trabalho] coletivo para tudo acontecer. E para reproduzir lances, falas e postura, eu tive que ver muito vídeo, muita entrevista, então foi um processo muito árduo de estudo, mas que valeu a pena e foi uma honra."
Ao contrário da maior parte do elenco, Daniel Blanco teve a chance de conviver com seu retratado, Rivellino, mas esse encontro aconteceu muito antes de o ator saber que estaria em Brasil 70. "A vida me juntou com ele por acaso", disse o ator. "Tenho um amigo que conhece ele, e a gente se conheceu assim. Tivemos uma troca super positiva, fiquei sabendo de várias histórias da vida dele, histórias de antes e depois da Copa. Trocamos ideia sobre tudo, deu para pegar um pouco da personalidade dele."
Também vivo hoje, Gérson "Canhotinha de Ouro", principal maestro da Seleção de 1970, foi vivido por Fillipe Soutto. Diferentemente de Blanco, ele não teve a oportunidade de conviver com o ex-jogador, mas se debruçou em livros, entrevistas e imagens para interpretá-lo. "É um processo de muito estudo e o tempo inteiro. É um jogador icônico, um dos maiores da história. (...) Tanto na parte de atuação quanto na parte atlética, foi [a pesquisa] a minha preparação e eu espero que tenha ficado bacana."
Até hoje o único jogador a marcar um gol em todos os jogos de Copa do Mundo em que atuou, Jairzinho foi interpretado por Gui Ferraz. Em meio a tantos personagens pressionados pelo peso de jogar a competição, o artilheiro se tornou, em Brasil 70, um alívio emocional dentro do elenco, com um otimismo que transbordou para o restante do plantel.
"Para mim, foi uma satisfação artística, porque acho que o Jairzinho era uma pessoa muito complexa e um personagem muito emblemático para o Brasil", contou Ferraz. "Ele sempre foi esse cara com um sorriso de ponta a ponta do rosto, sempre tocando samba, sempre se divertindo. O Jairzinho me ajudou a me reconectar com essa leveza, porque eu acho que isso é algo que a gente tem parecido, esse alto astral. Para mim foi muito tranquilo ser essa válvula de escape da tensão, foi maravilhoso."
Brasil 70: A Saga do Tri já está disponível na Netflix.
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