'A Casa do Dragão' retorna com batalha - e o 'maior episódio de TV já feito'. Nós vimos de perto
'Estadão' visitou o set da terceira temporada da série da HBO, na Inglaterra, e acompanhou bastidores de batalha decisiva que será exibida na estreia do novo ano, neste domingo, 21
LEAVESDEN, INGLATERRA - A guerra civil entre os Targaryens e seus aliados chegará ao ápice na terceira temporada de A Casa do Dragão, que estreia na HBO e na HBO Max neste domingo, 21, após um hiato de dois anos. É mais do que apropriado, então, que a série dê início a seu novo ano com aquilo que o seu diretor, Loni Peristere, chama de "talvez o maior episódio de TV já feito".
O superlativo não é só discurso: o episódio adapta, em grande escala, um dos conflitos mais decisivos da Dança dos Dragões, a batalha da Goela. Descrita por George R. R. Martin em Fogo e Sangue como "uma das batalhas navais mais sangrentas de toda a história" [de seu universo], ela opõe o lorde Corlys Velaryon (Steve Toussaint), aliado de Rhaenyra (Emma D'Arcy) na busca pelo trono, ao exército da Triarquia, liderado por sua rival de longa data Sharako Lohar (Abigail Thorn) e alinhado a Aegon (Tom Glynn-Carney). Naturalmente, dragões também estão envolvidos.
O Estadão esteve no set da série em julho de 2025 e pôde acompanhar, durante um dia inteiro, as filmagens de uma parte importante da sequência. Abaixo, contamos os segredos do set e o que esperar do novo ano de A Casa do Dragão. E não se preocupe: pode ler sem medo de spoilers.
Era um dia nublado no complexo de estúdios de Leavesden, localizado cerca de 30 km ao norte de Londres, na Inglaterra. Conhecido por ser o lar dos filmes - e agora da série - da franquia Harry Potter, ele é também a principal base para os trabalhos de A Casa do Dragão. Um de seus numerosos galpões abriga os cômodos da Fortaleza Vermelha, onde está o tão cobiçado Trono de Ferro; no entanto, foi ao lado de uma estrutura montada na área externa do complexo que a reportagem do Estadão, único veículo brasileiro a visitar o set da terceira temporada da série, passou a maior parte do dia.
Tratava-se da intrincada estrutura feita sob medida para um momento-chave do episódio: aquele em que os barcos de Sharako e Corlys se aproximam, dando início a uma série de lutas entre os dois e seus soldados. No terreno, foi colocado um grande tanque azul em formato de T, com cerca de quatro metros de profundidade, e um sistema capaz de bombear mil litros de água por minuto. É nele que ficavam os navios, bem como o time de atores e figurantes. Cercando tudo, havia uma série de painéis em tela azul, erguidos por guindastes, para que o time de efeitos visuais depois pudesse adicionar digitalmente os cenários ao fundo.
Água, mais água e armaduras: Os desafios de filmar uma cena complexa
A escala impressionava. Quando Peristere gritava "ação", as engrenagens imediatamente começavam a trabalhar: os navios passavam a se mover, uma fumaça branca de cheiro adocicado era liberada, mastros se incendiavam, máquinas soltavam cinzas que se espalhavam com o vento e água era esguichada nos atores que lutavam, com resultados variados. Os jornalistas que acompanhavam a cena foram orientados a usar casacos impermeáveis, mas felizmente conseguiram escapar dos respingos - o que não foi o caso de quem estava em cena.
"Eu estava gritando ordens e, quando me virei, eles jogaram água no Corlys, que ficou absolutamente encharcado", diz Abubakar Salim, o Alyn de Hull, filho bastardo do nobre. "Parte de mim pensa 'é como um parque de diversões', mas então tenho que me concentrar e pensar 'não, nossas vidas estão em perigo'. E é muito imprevisível: você não consegue controlar onde a água cai, então precisa reagir a isso também, o que é muito divertido".
Os figurinos usados pelos intérpretes tornavam o trabalho ainda mais desafiador. "Nós passamos de dois a três meses ensaiando com os dublês, usando moletom e camiseta", começou Steve Toussaint, o próprio lorde Corlys. "Todos os movimentos são lindos e poéticos, mas então eles falam 'vista isto aqui' [apontando para sua armadura] e de repente fica muito exaustivo. É difícil, mas há coisas piores", acrescentou, bem-humorado.
'Tivemos que fazer o que ninguém fez antes'
Aquele dia de gravação era um dos 30 que seriam necessários para filmar toda a Batalha da Goela - mais da metade dos 53 dias dedicados a todo o primeiro episódio da temporada. Mas o processo para idealizar a sequência, que ocupa cerca de 20 minutos da série, começou muito antes. O showrunner Ryan Condal, na verdade, estava desde 2021, ano em que estreou a primeira temporada de A Casa do Dragão, pensando como poderia tirá-la do papel.
"Tem uma Dança dos Dragões antes da Goela e outra depois da Goela", disse ele. "Tem sido uma dor de cabeça para mim; mas uma boa dor de cabeça. Tivemos que fazer um monte de coisas que ninguém nunca fez antes."
Entre elas, está o complexo sistema responsável por fazer os barcos se moverem, como se de fato estivessem no mar. Os trabalhos começaram de forma inusitada: colocando uma caixa preta em um veleiro, para entender os padrões de movimentos dele. "Dessa forma, o que o barco fez naquele dia nós pudemos reproduzir aqui", explicou Michael Dawson, supervisor de efeitos especiais. Os dados foram inseridos em um programa de pré-visualização, que permitiu à equipe visualizar os movimentos com mais precisão.
A execução, nas gravações, se deu por meio de gimbals, suportes giratórios que permitem que um objeto se incline ou gire em torno de um ou mais eixos. A produção mandou construir nada menos do que cinco, o que consumiu aproximadamente 200 toneladas de aço e quase um ano de trabalho. "E só agora finalizamos", explicou Dawson. "Trabalhei em [Indiana Jones e] Os Caçadores da Arca Perdida, mas nunca vi nada assim. Tenho muito orgulho do que fizemos, vou sentir saudades."
O trabalho de Dawson andou lado a lado com o do produtor Kevin de la Noy, que supervisionou a construção de dois grandes tanques: o "molhado", onde foram gravadas as cenas que o Estadão acompanhou, e um "seco", usado para gravar sem água. De la Noy veio com uma vantagem: ele trabalhou em Titanic, diretamente com a construção do tanque e do navio que dá título ao longa de James Cameron. "Eu tinha muito conhecimento de água e navios afundando", disse, bem-humorado. Os tanques foram desenhados com as necessidades da batalha em mente. "Eles não são genéricos; são altamente específicos. Trabalhamos nos ângulos que o diretor precisaria e colocamos isso no design."
Terceira temporada é prenúncio grandioso do fim, com narrativa épica, drama intenso e mais ação
Para além dos desafios técnicos, a Batalha da Goela também tem o desafio de aumentar a temperatura na guerra entre os Targaryens, após uma segunda temporada que não investiu tanto na ação. "Esse é o episódio que foi de certa forma negado quando fizemos só oito episódios na temporada passada. Então há muito apetite por parte dos fãs", notou De La Noy. O segundo ano da série, exibido ao longo de 2024, teve dois episódios a menos do que o primeiro. Na época, veículos da imprensa americana noticiaram que o corte deveu-se, em parte, à preocupação com a greve dos atores e dos roteiristas norte-americanos, que paralisou boa parte de Hollywood em 2023.
O produtor afirmou que a nova leva de A Casa do Dragão tem "uma narrativa maior e mais épica", e o diretor Loni Peristere reforçou que a série pretende manter a forte intensidade de ação e drama da estreia até o oitavo e último episódio da temporada, a ser exibido em agosto. "O drama se intensifica, e a ação também. Então mesmo que a gente comece com o que talvez seja o maior episódio de televisão já feito, nós também vamos terminar de forma grandiosa, com muitas coisas grandes no meio".
Faz sentido: o plano, até o momento, é que A Casa do Dragão seja encerrada na quarta temporada, então é preciso que a história comece a se encaminhar para o fim. "Estamos no topo da parábola e precisamos ir para o outro lado", resume o showrunner Ryan Condal. "Isso significa que precisamos andar rápido e que os acontecimentos precisam se concatenar de forma consequente para nos levar a duas temporadas finais empolgantes e surpreendentes."
Quando estreia a terceira temporada de 'A Casa do Dragão'?
A terceira temporada de A Casa do Dragão estreia neste domingo, 21. Os episódios serão exibidos às 22h, na HBO e na HBO Max
*A jornalista viajou a convite da HBO
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