Os 10 melhores filmes franceses da história, segundo Wes Anderson
Anderson dirigiu filmes aclamados pela crítica como O Grande Hotel Budapeste (2014), Os Excêntricos Tenenbaums (2001), Moonrise Kingdom (2012) e O Fantástico Sr. Raposo (2009)
Transitando entre o live-action e o stop-motion com seu perfeccionismo habitual, Wes Anderson se consolidou como um dos cineastas mais peculiares do cinema estadunidense moderno. O diretor aposta em um estilo visual único, quase teatral, marcada por paletas de cores pastéis, simetrias perfeitas e histórias que misturam humor excêntrico e melancolia.
Anderson está por trás de longas aclamados pela crítica como O Grande Hotel Budapeste (2014), Os Excêntricos Tenenbaums (2001), Moonrise Kingdom (2012) e O Fantástico Sr. Raposo (2009). Ele também dirigiu o curta-metragem vencedor do Oscar O Incrível Mundo de Henry Sugar (2023).
Em muitos destes filmes, peças do elenco se repetem: Anderson convida frequentemente os mesmos atores para estrelar suas obras, como Bill Murray (que participou de cerca de 9 filmes), Owen Wilson, Jason Schwartzman, Adrien Brody, Willem Dafoe, Tilda Swinton e Frances McDormand.
Questionado pela revista Sight And Sound sobre quais são suas obras favoritas do cinema, entretanto, Anderson fez uma escolha inusitada: o cineasta optou por selecionar apenas filmes franceses. "Como a maioria de nós (acho?), não tenho 10 filmes favoritos. Achei melhor escolher meus 10 filmes franceses favoritos (porque faço essa lista na França)", justificou.
Antes de começar a lista oficial, Anderson pontuou uma menção honrosa: "Começarei com o número 0: A Tragédia de um Homem Rico".
A Tragédia de um Homem Rico é um drama de 1931 dirigido por Julien Duvivier e estrelado por Harry Baur, Paule Andral e Jackie Monnier. O longa adapta o romance de 1929 de Irène Némirovsky, David Golder, e acompanha um homem judeu pobre, mas ambicioso, que se reinventa como um empresário de sucesso em Nova York. Depois de enriquecer, David se muda para Paris, mas enfrenta a traição e a ganância de sua esposa e de sua filha.
Anderson listou seus 10 filmes franceses favoritos (organizados em ordem cronológica, e não de preferência). Confira a lista a seguir, que se inicia em 1937 e vai até 2004:
1. A Grande Ilusão (1937)
O primeiro e mais antigo filme selecionado por Anderson é A Grande Ilusão (1937), dirigido por Jean Renoir (A Regra do Jogo). Ambientado durante a Primeira Guerra Mundial, o longa acompanha dois soldados franceses, Capitão Boeldieu e Tenente Marechal (vividos por Pierre Fresnay e Jean Gabin), que são capturados por tropas alemãs. Na prisão, eles fazem amizade com um homem chamado Rosenthal (Marcel Dalio).
Após tentarem fugir diversas vezes, eles são separados do amigo e enviados para um fortaleza. Lá, Boeldieu faz amizade com o oficial alemão Van Rauffenstein (Erich von Stroheim), que, assim como ele, tem origem aristocrática.
Além de abordar as guerra, A Grande Ilusão explora as nuances das relações humanas e os conflitos de classe social. O longa fez história ao se tornar o primeiro filme em língua não inglesa a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme, apesar de não ter vencido a premiação.
https://www.youtube.com/watch?v=vcO8rEjoG0c
2. Crime em Paris (1947)
Dirigido por Henri-Georges Clouzot — vencedor do prêmio de Melhor Diretor no Festival de Veneza — Crime em Paris (1947) é um drama policial baseado no livro Légitime défense, de Stanislas-André Steeman. O filme segue Jenny Lamour (Suzy Delair), cantora ambiciosa que sonha em ter sucesso no mundo da música. Para alcançar seu objetivo, ela busca a ajuda de um produtor rico, Georges Brignon (Charles Dullin).
O marido de Jenny, Maurice (Bernard Blier), muito ciumento, decide ameaçar o produtor de morte, porém, o encontra já morto. Assim, se inicia uma complexa investigação policial: o inspetor Antoine (Louis Jouvet) tem como principais suspeitos o próprio Maurice, que não tem álibi, Jenny, que estava no local, e Dora Monnier (Simone Renant), uma amiga do casal que também esconde detalhes sobre noite.
https://www.youtube.com/watch?v=Xy7rjb0WD_4
3. Desejos proibidos (1953)
Desejos proibidos (1953) é um clássico drama romântico de Max Ophüls, situado em Paris no final do século XIX. O filme acompanha a história de Louise (Danielle Darrieux), esposa do general André (Charles Boyer), que vende um par de brincos que ganhou de presente do marido para pagar dívidas e finge tê-los perdido.
Ao longo do filme, a joia encara uma longa jornada de ciúmes e tragédias. O general descobre a verdade e a recompra para presentear sua amante, Lola (Lia Di Leo), que está partindo para Constantinopla. Depois, o objeto passa para as mãos do Barão Fabrizio Donati (Vittorio De Sica), diplomata italiano que se apaixona por Louise.
https://www.youtube.com/watch?v=al18feIPhPI
4. Viver a Vida (1962)
Este drama do renomado diretor Jean-Luc Godard (Acossado) é dividido em 12 quadros, ou curtos episódios. A narrativa acompanha Nana (Anna Karina), que abandona o marido e o filho para buscar uma carreira como atriz. Fracassada, ela tenta ganhar dinheiro vendendo discos, mas não consegue se sustentar e acaba recorrendo à prostituição.
A divisão de capítulos enfatiza a fragmentação da vida da protagonista, explorando temas como a alienação, a liberdade de escolha e a objetificação feminina. O filme é um marco da Nouvelle Vague francesa, apostando em uma linguagem experimental e reflexiva, e venceu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza.
https://www.youtube.com/watch?v=ZAZGR5O33jw
5. O Homem que Amava as Mulheres (1977)
Dirigido por François Truffaut, este filme de comédia dramática se inicia no funeral de Bertrand Morane (Charles Denner), e parte daí para narrar a história de sua vida.
Morane é um cientista obcecado por mulheres, que contrai uma IST e não sabe quem lhe passou. Em busca da resposta, ele começa a escrever um livro sobre os encontros paixões que teve ao longo da vida, desde sua primeira relação sexual, quando jovem, até sua morte. Neste processo, ele se envolve com a editora da obra, Geneviève Bigey (Brigitte Fossey), que também é a narradora do filme.
O Homem que Amava as Mulheres recebeu 5 indicações no César Awards (principal prêmio do cinema francês), conquistando o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante para Nelly Borgeaud.
https://www.youtube.com/watch?v=OdGTS7q0VG4
6. Loulou (1980)
Loulou (1980), dirigido por Maurice Pialat, acompanha a história de Nelly (Isabelle Huppert), uma jovem de classe média que abandona o marido André (Guy Marchand) e a vida burguesa após se envolver com Loulou (Gérard Depardieu), um bandido recém-saído da cadeia.
Os dois vivem um romance intenso, mas, quando ela descobre uma gravidez, Loulou não aceita mudar seu estilo de vida.
O longa foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes e conquistou três nomeações no César Awards, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Ator Coadjuvante.
https://www.youtube.com/watch?v=1VbQhHfBBBQ
7. Os Renegados (1985)
Este é o primeiro filme da lista de Anderson dirigido por uma mulher, Agnès Varda (Cléo das 5 às 7). A obra, que conquistou o Leão de Ouro no Festival de Veneza, narra os últimos dias de Mona (Sandrine Bonnaire), uma jovem andarilha encontrada morta em um fosso.
O filme reconstrói a trajetória da mulher através de flashbacks e depoimentos das pessoas com quem Mona cruzou, conheceu ou conversou.
https://www.youtube.com/watch?v=XgRnySg1lOY
8. Olivier, Olivier (1992)
Dirigido por Agnieszka Holland (Franz), Olivier, Olivier (1992) acompanha o desaparecimento de um menino de 9 anos, filho de Elisabeth (Brigitte Roüan) e Serge (François Cluzet). O evento desestrutura completamente a família, gerando conflitos entre os pais e a irmã.
Seis anos depois, o investigador policial que cuidou do caso encontra um adolescente em Paris e o leva até o casal, acreditando ser o desaparecido Olivier. Porém, dúvidas sobre a sua verdadeira identidade e motivações permanecem.
A cineasta se inspirou na história real de uma criança desaparecida que foi encontrada anos depois, reportada na revista francesa Le Matin.
https://www.youtube.com/watch?v=LtNu5-w3uwA
9. Quando Tudo Começa (1999)
Quando Tudo Começa, comédia dramática dirigida por Bertrand Tavernier, acompanha a história de Daniel Lefebvre (Philippe Torreton), diretor de uma escola em uma pequena cidade que sofre com o fechamento das minas de carvão e enfrenta uma alta taxa de desemprego.
Ele e os outros professores são aconselhados a não se envolverem com os problemas da comunidade, mas o protagonista enfrenta um dilema quando a mãe alcoólatra de uma de suas alunas deixa um bebê e a filha, de cinco anos, abandonados na instituição. Então, ele começa uma campanha contra o governo local, reivindicando condições dignas de vida para a população.
https://www.youtube.com/watch?v=iSfLj9fYTp4
10. Reis e Rainha (2004)
O filme mais recente da lista de Anderson é Reis e Rainha, de 2004, dirigido por Arnaud Desplechin (Two Pianos). O longa segue Nora Cotterelle (Emanuelle Devos), diretora de uma galeria de arte que está prestes a se casar pela 3ª vez quando descobre que seu pai está com um câncer terminal. Nora também tem um filho, Elias, cujo pai já faleceu, que tem problemas de comportamento.
Ao mesmo tempo, Ismaël Vuillard (Mathieu Amaric), ex-marido de Nora e um músico brilhante, foi internado em um hospital psiquiátrico e quer fugir. Após descobrir a doença de seu pai, Nora pede que Ismaël a ajude a cuidar de Elias, mas ele tem sentimentos conflitantes quanto a assumir o papel de pai.
https://www.youtube.com/watch?v=7YYNT3A-DM0
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