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Os 10 melhores filmes da história, segundo Stanley Kubrick

O lendário cineasta realizou um levantamento de seus filmes favoritos em uma entrevista de 1963

3 jul 2026 - 14h55
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Diretor de clássicos absolutos do cinema como O Iluminado(1980), Dr. Fantástico (1964), De Olhos Bem Fechados (1999), Laranja Mecânica (1971) e 2001: Uma Odisséia no Espaço (1968), Stanley Kubrick nunca gostou de delimitar quais filmes seriam os melhores. Entretanto, uma lista de favoritos do cineasta ressurgiu na internet graças ao Instituto Britânico de Cinema, com obras das décadas de 30, 40 e 50.

Stanley Kubrick não gostava de ranquer filmes, mas tinha uma lista de favoritos
Stanley Kubrick não gostava de ranquer filmes, mas tinha uma lista de favoritos
Foto: Silver Screen Collection/Getty Images / Rolling Stone Brasil

O cineasta realizou o levantamento em uma conversa com uma publicação sobre a sétima arte, em 1963.  "A primeira e única (que se saiba) lista dos 10 melhores filmes que Kubrick enviou a alguém foi em 1963 para uma revista americana iniciante chamada Cinema (que havia sido fundada no ano anterior e deixou de ser publicada em 1976)", escreveu Nick Wrigley, do BFI (instituição responsável pela descoberta da lista), em sua reflexão.

Embora o ranking continue diversificado, o braço direito de Kubrick, Jan Harlan, explicaria no futuro que "Stanley teria revisto seriamente esta lista de 1963 em anos posteriores, embora Morangos Silvestres , Cidadão Kane e Luzes da Cidade permanecessem, mas ele gostava muito mais do Henrique V, de Kenneth Branagh, do que da versão antiga e antiquada de Olivier". 

Com recomendações de obras clássicas do cinema, a expertise de Kubrick é refletida na lista. Conhecido pr ser muito mais do que um diretor, praticamente um filósofo e professor da arte das telonas, o cineasta sempre foi questionado sobre quais filmes e artistas o ensinaram no caminho para seu catálogo repleto de Oscars. Confira abaixo os 10 filmes favoritos de Stanley Kubrick (em 1963):

1. Os Boas-Vidas (1953), Federico Fellini

Na comédia dramática dirrigida pelo mestre do cinema italiano, cinco marmanjos de classe média , presos entre a juventude e a vida adulta, sonham em escapar de sua pequena cidade litorânea. Eternamente desempregados, passam os dias esbanjando o dinheiro dos pais em farra, entre bebidas, mulheres e intermináveis noites de sinuca.

O longa foi o vencedor do Leão de Prata no Festival de Veneza de 1953, garantindo o status de melhor filme da temporada. O filme também foi nomeado ao Oscarde Melhor Roteiro Original, e vencedor de três categorias (Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Produtor) no Sindicato Nacional Italiano de Jornalistas Cinematográficos (em italiano: Sindacato Nazionale Giornalisti Cinematografici Italiani ou SNGCI), premiação de cinema mais antiga da Itália.

2. Morangos Silvestres (1957), Ingmar Bergman

No drama sueco, Isak Borg (Victor Sjöström) é um professor de medicina que revisita vários momentos marcantes de seu passado durante uma viagem de carro até sua antiga universidade, onde ele irá receber uma honraria. Acompanhado de sua nora Marianne (Ingrid Thulin) ele evoca memória de sua família e de sua ex-namorada.

Smultronstället (nome original em sueco) foi extremamente bem recebido pela crítica. A obra foi a vencedora do Urso de Ouro de Melhor Filme no Festival de Cinema de Berlim e do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, além de receber uma indicação ao Oscar na categoria de Melhor Roteiro Original.

3. Cidadão Kane (1941), Orson Welles

Estreia de Orson Welles na direção, o cineasta de 26 anos também protagonizou o longa. O personagem principal, Charles Foster Kane, é um magnata da indústria editorial, possivelmente inspirado em William Randolph Hearst. Durante seu lançamento, Hearst proibiu de mencionar o filme em seus jornais. A carreira de Kane na indústria editorial nasceu do idealismo e do serviço social, mas gradualmente se transformou em uma perseguição implacável ao poder. Narrado principalmente através de flashbacks, a história é contada por meio da investigação de um jornalista que quer saber o significado da última palavra que o magnata disse antes de morrer: "Rosebud".

Na cerimônia do Oscar de 1942, o drama concorreu em nove categorias diferentes. Vencedor da estatueta de Melhor Roteiro Original, o longa também recebeu indicações à Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Orson Welles), Melhor Fotografia (Preto e Branco), Melhor Direção de Arte (Preto e Branco), Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora (Filme Dramático) e Melhor Som.

4. O Tesouro de Sierra Madre (1948), John Huston

A trama começa em 1925, no México, onde o

americano Fred Dobbs (Humphrey Bogart) vive na miséria em Tampico. A sorte do protagonista muda ao se unir a outro forasteiro, Bob Curtin, e ao veterano garimpeiro Howard em busca de ouro nas montanhas de Sierra Madre. À medida que a expedição encontra sucesso, a ganância corrói os laços entre os três homens, transformando a aventura numa reflexão implacável sobre a natureza humana.

O longa venceu três Oscars em 1949, nas categorias de Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado para John Huston, e Melhor Ator Coadjuvante para Walter Huston, pai do diretor, marcando a primeira vez na história da Academia em que pai e filho levaram a estatueta na mesma cerimônia. O filme também concorreu a Melhor Filme, além de vencer o Globo de Ouro de Melhor Filme Dramático.

5. Luzes da Cidade (1931), Charlie Chaplin

No auge da transição do cinema mudo para o falado, Chaplin insistiu em fazer um filme sem diálogos. Na trama, o Vagabundo se apaixona por uma florista cega que o confunde com um milionário, e passa a fazer de tudo, inclusive lutar boxe, para conseguir o dinheiro de uma cirurgia que devolveria a visão da moça.

Lançado à revelia da lógica comercial da época, o filme não disputou prêmios competitivos relevantes em seu ano de estreia, mas entrou para a lista dos dez melhores filmes do National Board of Review em 1931. Décadas depois, tornou-se uma das obras mais aclamadas da história do cinema, citada como favorita por diretores como Orson Welles e Kubrick, e foi selecionada pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos para preservação no National Film Registry.

6. Henrique V (1944), Laurence Olivier

Na estreia de Olivier na direção, ele também interpreta o rei inglês que parte para a França com um pequeno exército a fim de reivindicar a coroa francesa, enfrentando um adversário muito maior na decisiva Batalha de Azincourt. Rodado durante a Segunda Guerra Mundial, o filme funcionou como peça de propaganda e levante moral para os Aliados, em paralelo direto com a invasão da Normandia.

Lançado nos Estados Unidos apenas em 1946, o filme concorreu ao Oscar de 1947 nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Direção de Arte em cores e Melhor Trilha Sonora. Olivier recebeu um Oscar Honorário pela conquista de ter atuado, produzido e dirigido a adaptação de Shakespeare para o cinema.

7. A Noite (1961), Michelangelo Antonioni

Em Milão, o escritor Giovanni Pontano e sua esposa Lidia visitam um amigo em estado terminal antes de seguirem para o lançamento do último livro dele e, mais tarde, para uma festa na mansão de uma família abastada. Ao longo de poucas horas, o desgaste do casamento entre os dois se torna cada vez mais evidente, especialmente quando Giovanni se aproxima de Valentina (Monica Vitti), filha dos anfitriões. O filme é a segunda parte da chamada trilogia da incomunicabilidade de Antonioni, entre A Aventura (1960) e O Eclipse (1962).

O drama venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim de 1961. Antonioni também recebeu o prêmio David Di Donatello de Melhor Diretor da indústria italiana, e o longa levou ainda os prêmios Fita de Prata de Melhor Trilha Sonora e Melhor Atriz Coadjuvante, para Monica Vitti.

8. O Guarda (1940), Edward F. Cline, Ralph Ceder

No clássico da comédia estadunidense, W.C. Fields interpreta Egbert Sousé, um beberrão zombado pela própria família que, sem querer, frustra um assalto a banco e é recompensado com o emprego de segurança da agência. A partir daí, sua vida vira uma sucessão de confusões com bandidos e figuras estapafúrdias, culminando em uma das perseguições de carro mais lembradas do cinema americano.

O filme não disputou prêmios relevantes em seu lançamento, mas em 1992 foi selecionado pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos para preservação no National Film Registry por sua importância cultural, histórica e estética, e hoje é considerado um dos trabalhos mais relevantes da carreira de W.C. Fields.

9. Roxie Hart (1942), William A. Wellman

Adaptação da peça Chicago, de Maurine Dallas Watkins (que décadas depois inspiraria o musical e o filme premiado com o Oscar de Melhor Filme em 2003), o longa acompanha Roxie Hart (Ginger Rogers), uma dançarina de vaudeville dos anos 1920 que assume a culpa por um assassinato cometido pelo marido, na esperança de que a publicidade do julgamento reanime sua carreira em declínio.

A trama nasceu da experiência de Watkins como repórter policial do Chicago Tribune em 1924, quando cobriu os julgamentos de duas mulheres presas na chamada "Fileira das Assassinas" do Cook County Jail. Beulah Annan, que deu origem à personagem Roxie, havia matado o amante Harry Kalstedt e passado horas dançando ao som de uma vitrola enquanto ele agonizava, sendo absolvida pelo júri. Já Belva Gaertner, acusada de matar o vendedor de carros Walter Law, inspirou Velma Kelly, personagem que só ganharia peso nas versões musicais posteriores.

10. Anjos do Inferno (1930), Howard Hughes, James Whale, Edmund Goulding

No longa, os irmãos britânicos Roy e Monte Rutledge se alistam na Royal Flying Corps ao estourar a Primeira Guerra Mundial. Enquanto Roy é um homem de forte moral, Monte tenta a todo custo provar que não é covarde, ainda que isso signifique se envolver com Helen (Jean Harlow), a mulher amada por seu irmão. Os dois embarcam juntos numa missão perigosa para destruir um depósito de armas alemão.

Produzido e dirigido por Howard Hughes com um orçamento recorde para a época, o filme foi indicado ao Oscar de Melhor Fotografia, e é lembrado como um marco técnico do início do cinema sonoro.

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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