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Netflix vai adquirir suas próprias salas de cinema (Rumor)

Será que a empresa de streaming vai dar mais um passo para também controlar a distribuição cinematográfica de suas obras?

19 abr 2018 - 15h56
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Dentre as muitas mudanças provocadas pelo abalo sísmico que a Netflix produziu no mercado tradicional do cinema, destaca-se a remoção dos intermediários. Enquanto produtora e distribuidora de seus próprios conteúdos, a companhia possui total controle sobre o que e como veicula em sua plataforma de streaming para os seus milhões de assinantes ao redor do mundo. No momento, tal domínio dos âmbitos supracitados limita-se apenas à estratégia de negócios da Netflix, voltada quase que exclusivamente para seu catálogo de streaming; contudo, rumores dão conta de que a companhia estaria interessada em adquirir suas próprias salas de cinema.

Foto: AdoroCinema / AdoroCinema

Segundo reportagem do Los Angeles Times, a empresa californiana teria manifestado seu desejo de comprar cadeias de cinemas para exibir seus longas-metragens nas telonas e, consequentemente, obter mais chances de disputar com propriedade os troféus da temporada de premiações cinematográfica. Atualmente, as produções da Netflix encontram problemas para se candidatar a eventos como o Oscar e o Globo de Ouro porque a empresa prioriza o streaming e não a distribuição cinematográfica tradicional, meio de exibição priorizado pelas premiações em questão. De posse de salas de cinema, a Netflix eliminaria a necessidade de negociar com o mercado exibidor, reduto em que a companhia se depara com inúmeros detratores, e controlaria a veiculação de suas obras nas telonas por conta própria. A rede Landmark Theatres - que tem o milionário Mark Cuban, inimigo da Netflix, como um dos sócios - seria um dos principais alvos da empresa de Ted Sarandos; fontes ligadas à gigante do streaming, no entanto, negam a informação.

Scorsese conversa com Joe Pesci no set de The Irishman; o ator retornou da aposentadoria para trabalhar novamente com o lendário realizador e amigo de longa data.

A possível movimentação em direção à atuação no campo da distribuição tradicional representaria um novo patamar para a Netflix. Caso a negociação venha a se concretizar - e caso o rumor se prove verdadeiro, diga-se de passagem -, o panorama já seria completamente modificado de imediato. Cineastas de peso como Martin Scorsese (The Irishman) e Alfonso Cuarón (Roma) trabalharam com a Netflix recentemente e lançarão suas obras diretamente na plataforma de streaming na companhia, sem nenhuma confirmação até o momento de que as mesmas chegarão de fato às telonas; assim, com redes de cinema próprias, a companhia californiana poderia lucrar sobre a exibição dos filmes de maneiras variadas, tanto pelo método tradicional, quanto pelo método on demand.

Outro ponto interessante que tange o rumor é a recente polêmica que colocou a Netflix e o Festival de Cannes em pé de guerra. Como o evento francês não pode aceitar apresentar nenhuma obra que não será exibida futuramente nos cinemas locais - caso das produções da Netflix, evidentemente - em sua mostra competitiva, a empresa de streaming decidiu se retirar da edição 2018 do Festival. A mudança no regulamento, motivada pela controversa seleção de Okja e de Os Meyerowitz para a corrida pela Palma de Ouro no ano passado, impedirá portanto que o próximo projeto de Cuarón, Roma, brigue pelo tão sonhado troféu. Outras obras da Netflix que também ficarão de fora de Cannes incluem Hold the Dark, de Jeremy Saulnier (Sala Verde), e The Other Side of The Wind, filme perdido do lendário Orson Welles.

Festival de Cannes 2018: Netflix se retira do evento após mudanças no regimento

"Aparentemente, a Netflix quer enviar mais filmes ao Oscar ou para outros tipos de premiações da indústria. Eles estão tentando acumular mais credibilidade. A Netflix decolou há alguns anos quando algumas de suas obras receberam indicações ao Emmy. Se eles conseguirem fazer isso em relação aos outros prêmios, isso pode elevar a plataforma um pouco mais", opinou Eric Handler, analista especializado no negócio das redes de cinema estadunidenses. Resta saber agora se a companhia de streaming realmente quer dar um passo à frente em uma nova direção ou se preferirá aprofundar ainda mais seu domínio em seu habitat natural.

AdoroCinema
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