Mostra celebra 100 anos do clássico 'Metrópolis' no Rio de Janeiro
Programação reúne clássicos raros, sessões especiais, debates e minicurso sobre o legado da obra de Fritz Lang; evento acontece até 23 de agosto
A CAIXA Cultural Rio de Janeiro está recebendo, desde o dia 4 de agosto, a mostra Um século de Metrópolis: da invenção do futuro às ruínas do sonho moderno, que celebra os 100 anos de Metrópolis, clássico dirigido por Fritz Lang. Com entrada gratuita, a programação reúne 69 filmes de diferentes épocas e nacionalidades e segue até 23 de agosto na unidade Passeio, no Centro do Rio de Janeiro.
A mostra parte do filme lançado em 1927 para discutir temas que continuam presentes no cinema e na sociedade, como o avanço tecnológico, a relação entre humanos e máquinas, a luta de classes, as transformações urbanas e as diferentes visões de futuro. A seleção inclui obras consagradas e títulos raros, muitos deles pouco exibidos no Brasil.
Entre os filmes programados estão O Deserto Vermelho, de Michelangelo Antonioni; Mundo por um Fio, de Rainer Werner Fassbinder; Playtime - Tempo de Diversão, de Jacques Tati; História de Taipei, de Edward Yang; Sob a Pele da Cidade, de Rakhshan Bani-E'temad; Palermo ou Wolfsburg, de Werner Schroeter; e O Auge do Humano, de Eduardo Williams.
A seleção também contempla produções brasileiras que dialogam com os temas de Metrópolis, como São Paulo, Sociedade Anônima, de Luiz Sergio Person; Brasília, Contradições de uma Cidade Nova, de Joaquim Pedro de Andrade; Megalópolis, de Leon Hirszman; Indústria, de Ana Carolina; Garotas do ABC, de Carlos Reichenbach; e Era Uma Vez Brasília, de Adirley Queirós.
Segundo a curadora Manoela Caldas, a mostra procura refletir sobre a relação entre o projeto de futuro imaginado pela modernidade e o cenário contemporâneo. Para ela, o presente é marcado por uma espécie de crise na capacidade de imaginar o futuro, justamente diante das consequências provocadas pelo avanço tecnológico e industrial.
A curadoria não se concentra apenas nas influências diretas de Metrópolis sobre outros filmes. De acordo com Pedro Henrique Ferreira, um dos curadores, a seleção parte de temas evocados pela obra de Fritz Lang e Thea von Harbou, como a metrópole enquanto projeto urbanístico, a fábrica como espaço de trabalho, o operário como representação de uma classe e as relações entre seres humanos e máquinas.
Sessão especial de Metrópolis
O filme que deu origem à mostra terá uma sessão especial no dia 21 de agosto, às 17h. Metrópolis será exibido com acompanhamento musical ao vivo do cantor e compositor Negro Leo.
Lançado em 1927, o longa acompanha uma sociedade futurista dividida entre uma elite que vive na superfície de uma grande metrópole e trabalhadores que sustentam a cidade em condições precárias. A obra se tornou um dos principais marcos da ficção científica no cinema e permanece associada a discussões sobre tecnologia, desigualdade, industrialização e organização das cidades.
A programação também conta com uma atividade conduzida por Fernando Martín Peña, pesquisador, historiador e crítico de cinema argentino responsável pela descoberta, em 2008, de uma cópia completa de Metrópolis em Buenos Aires. O minicurso, com tradução simultânea para o português, acontece nos dias 13, 14 e 15 de agosto, sempre às 13h30, e aborda o filme e seu legado para a história do cinema.
Debates e outras atividades
Além das sessões, a mostra promove debates sobre os temas que atravessam a obra de Fritz Lang. No dia 12 de agosto, às 18h10, acontece Metrópolis inundada: cidades do futuro, catástrofes do presente, com Thiago Canettieri e Ana Paula Morel.
Já no dia 20 de agosto, às 18h, o debate O monstro tecnológico: humanos, máquinas e seus híbridos reúne Luiz Carlos Oliveira Jr. e Zoy Anastassakis. As duas atividades contam com tradução para Libras.
A programação ainda inclui o bate-papo Metrópoles do Brasil, realizado no dia 6 de agosto, com Hernani Heffner e Frederico Benevides, após a sessão que reuniu Brasília, Contradições de uma Cidade Nova e Era Uma Vez Brasília.
As cópias exibidas na mostra são restauradas e provenientes de importantes arquivos internacionais, como a Fundação Murnau, a Cinemateca Alemã, a Cinemateca Australiana e a Cinemateca da Armênia.
Além dos filmes e das atividades, o público que participar de pelo menos um evento da programação pode receber gratuitamente um catálogo com textos inéditos e traduções de textos sobre o tema, além de um caderno de fotografias dos bastidores e das inspirações de Metrópolis.
A mostra Um século de Metrópolis: da invenção do futuro às ruínas do sonho moderno acontece até 23 de agosto na CAIXA Cultural Rio de Janeiro, unidade Passeio, localizada na Rua do Passeio, 38, no Centro. Todas as atividades têm entrada gratuita. Confira a programação completa no site da CAIXA Cultural RJ.
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