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Marcos Paulo sobre 'Assalto': "é um deboche da história do Brasil"

22 jul 2011 - 15h50
(atualizado às 15h52)
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Juliana Ranciaro

Primeiro filme dirigido por Marcos Paulo, Assalto ao Banco Central estreia nesta sexta-feira (22) nos cinemas do País. O trabalho é inspirado em um assalto ao Banco Central de Fortaleza, no Ceará, em 2005, no qual os ladrões roubaram R$ 164,7 milhões sem serem vistos pelas câmeras de segurança e carregaram essas 3,5 toneladas de dinheiro por um túnel cavado por eles mesmos. Em entrevista ao Terra, o diretor disse que seu longa é uma piada com o ocorrido e com a forma como as coisas acontecem no País: "mais um grande deboche da história do Brasil".

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Terra - Seu filme parece ter muita influência dos anos de direção na TV. Isso não atrapalha no momento de dirigir um trabalho no cinema?

Marcos Paulo -

O diretor Marcos Paulo e a mulher Antonia Fontenelle recebem convidados em pré-estreia do filme 'Assalto ao Banco Central'. O evento foi realizado em São Paulo na última quarta-feira (20)
O diretor Marcos Paulo e a mulher Antonia Fontenelle recebem convidados em pré-estreia do filme 'Assalto ao Banco Central'. O evento foi realizado em São Paulo na última quarta-feira (20)
Foto: Orlando Oliveira / AgNews

Minha experiência de 40 anos na TV interferiu e muito. Fazer novela é uma grande escola, principalmente para os diretores, pela diversidade e velocidade das decisões que precisam ser tomadas, impossível não levar essa bagagem para quaisquer outros trabalhos, mas é claro que pensamos tudo de um jeito que não atrapalhasse, só contribuísse.

Terra - Há alguma razão para alguns personagens surgirem na trama, mas acabarem não se desenvolvendo? Por exemplo, a sua mulher, Antonia Fontenelle, que aparece como a namorada da delegada (Giulia Gam).

Marcos Paulo -

Certas coisas não precisam ser ditas no cinema, nem mostradas. Algumas relações podem ser apenas indicadas, essa é a mágica, fazer o espectador se envolver, montar a história na cabeça dele. Naquele momento, faz sentido mostrar que a delegada tem uma namorada.

Terra - Como surgiu a ideia de fazer uma história que falasse sobre este assalto?

Marcos Paulo -

Estávamos conversando em um bar de Fortaleza, no Ceará, Antonia, eu e mais alguns amigos, e comentamos sobre esse assalto, lembramos que foi em 2005 e bateu curiosidade de saber o que tinha acontecido com aquelas pessoas, com os R$ 140 milhões que nunca foram encontrados. Mas é importante dizer que em nenhum momento tivemos a pretensão de solucionar um crime que a polícia não conseguiu, queríamos divulgar para as pessoas que não sabem como isso aconteceu, o público.

Terra - Como foi o processo de busca de informações para montar este filme?

Marcos Paulo -

Recorremos a jornais e outros veículos com notícias da época e buscamos contatos na polícia, de pessoas que investigaram isso desde o começo e, principalmente, tivemos o cuidado de saber o que não se descobriu sobre este assalto ainda. O filme contou com consultorias da Polícia Federal do Brasil, Polícia Rodoviária Federal, Banco Central, geólogos e empresas de segurança bancária, além do suporte da Equipe de Coordenação de Armamentos. Mas, de qualquer forma, é inspirado em fatos reais, se trata de uma ficção em que a gente pode contar verdades usando mentiras, no bom sentido.

Terra - O filme parece terminar de uma maneira que indica uma continuação, talvez uma adaptação para a TV, uma série. Isso pode acontecer?

Marcos Paulo -

Nem tudo foi desvendado, falta dinheiro. Quem sabe? Se a história também se desenrolar... Mas, não fizemos o longa pensando nisso.

Terra - Em certos momentos que a história pede tensão, algumas piadas são feitas e parecem cortar o "clima". Você pode explicar essa escolha?

Marcos Paulo -

Encontramos uma forma debochada de contar como foi o assalto. Ninguém nunca saber onde foram parar os principais mentores dessa ideia, onde o dinheiro foi usado, é um grande deboche, mais um grande deboche da história do Brasil. Muitas coisas questões estão sem resposta até hoje.

Terra - Em certo momento da trama, as relações entre policiais e bandidos parecem se confundir e isso vem à tona muito pelo personagem do Heitor Martinez.

Marcos Paulo -

Como disse, nosso filme é inspirado em fatos reais, na vida real...

Terra - Qual a importância da trilha sonora em Assalto ao Banco Central?

Marcos Paulo -

Eu me reuni apenas duas vezes com André Moraes, autor da trilha sonora, que conta com a participação de Chris Pitman, tecladista dos Guns n' Roses. Mas, a trilha dá a levada do filme pro público, ela também ajuda a fazer as piadas quando a tensão já dominou a cena.

Fonte: Terra
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