Mais horripilante do que qualquer filme de terror: Cadáveres e vísceras reais levaram o público a abandonar cinema
O filme mais extremo de 2022 não é um filme de terror, mas muitas pessoas fugiram do cinema na estreia de De Humani Corporis Fabrica.
Quando pensamos no gênero "body horror", lembramos principalmente de David Cronenberg, em filmes como A Mosca (1986) ou, mais recentemente, Crimes do Futuro (2022), que derivam seu horror principalmente da alteração patológica ou da manipulação do corpo humano. Mas se pudéssemos ver como ele se parece - literalmente - dentro de nós, isso por si só já seria horror corporal suficiente: não é à toa que muitas pessoas não suportam ver sangue - o fluido que nos mantém vivos, afinal de contas.
Nenhum filme dos últimos anos confrontou seu público com isso de forma tão implacável quanto De Humani Corporis Fabrica (em tradução livre: A Fábrica do Corpo Humano) - não é um filme de terror, mas sim um documentário! No entanto (ou melhor: exatamente por causa disso), o filme é um verdadeiro teste a nossa coragem.
DE HUMANI CORPORIS FABRICA NOS LEVA A UM LUGAR ONDE O BODY HORROR FAZ PARTE DA VIDA COTIDIANA
Lucien Castaing-Taylor e Véréna Paravel realizaram alguns dos documentários mais radicais dos últimos anos. Leviathan (2012) - um filme sobre a indústria pesqueira norte-americana - foi uma experiência audiovisual que ofereceu imagens nunca vistas antes; em Caniba (2017), os cineastas deixaram o assassino de mulheres e o canibal japonês Issei Sagawa contar seus feitos (e aproximaram a câmera milimetricamente de seu rosto e corpo).
De Humani Corporis Fabrica é seu mais recente trabalho e nos leva a um lugar onde o "horror corporal" faz parte da vida cotidiana: o hospital.
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