Lavigne sugeriu que Caetano aparecesse nu em 'Coração Vagabundo'
No documentário
Coração Vagabundo, do jovem Fernando Grostein Andrade, Caetano Veloso aparece numa rápida cena de nu frontal. E, contrariando os rumores de que o protagonista da história teria ficado irado com a ideia, uma surpresa: ela partiu da própria Paula Lavigne, ex-mulher do cantor, e grande conhecida por seus ataques de ciúmes.
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"Eu comecei a filmar, mas sabia que nunca iriam autorizar a imagem dele nu. Então, na edição, eu cortava exatamente quando ele aparecia no banheiro. Quando mostrei pra Paula, ela soltou: 'Você vai tirar a melhor parte! Está louco?'", revelou Andrade em entrevista realizada nesta terça-feira, em São Paulo.
Taxado de vazio por alguns críticos de cinema, Coração Vagabundo mostra nada mais do que as viagens que Caetano fez para divulgar A Foreign Sound, primeiro de seus discos todo cantado em inglês. Andrade o seguiu em São Paulo, Nova York, nos Estados Unidos, e Tóquio, Osaka e Quioto, no Japão.
Nas viagens, Caetano visita lugares históricos, comenta situações cotidianas, filosofa, conta piadas e encontra velhos amigos que apreciam seu trabalho, entre eles Gisele Bündchen - que ganha uma "página" especial por conta da relação entre Paula e Caetano -, Regina Casé e David Byrne.
Caetano, que se mostra um inveterado "falador", afirma ter gostado do resultado. "Eu não gosto muito de me ver e fico um pouco envergonhado de falar tanto. Mas mesmo assim eu consegui acompanhar sem desagrado. As escolhas das falas me pareceram boas", conta ele, que não hesitou em rebater, também, os comentários negativos sobre o filme, que já esteve em exibição no festival É Tudo Verdade, além de festivais internacionais, entre eles o de Roma.
"Eu não achei o filme superficial. Ele é bem despretensioso apenas", cita. Se depender das explicações de Andrade, Caetano tem lá suas razões. A princípio, Coração Vagabundo seria usado apenas como um extra do DVD do show de A Foreign Sound, mas a riqueza de imagens fez com que eles mudassem de ideia. O resultado: uma hora de proximidade direta - e sem rodeios - com um dos maiores músicos do Brasil. Algo que deve interessar (e muito) aos fãs, mas não se tornar um produto de ampla expressividade comercial.
Como não deixaria de ser - e que já se repetiu em toda a vasta carreira do cantor -, o mais "baqueado" com essa relação muito próxima dos espectadores deve ser o próprio Caetano. Declarações polêmicas não faltam. E numa delas, o cantor afirma, com todas as palavras, que a música americana é a melhor já feita nos últimos tempos.
"Viajando pelo mundo, eu vejo que há pessoas que adoram música brasileira. No entanto, o que eu falei no filme é uma evidência indescritível em qualquer parte do mundo. É uma situação incrível de superioridade", dispara.
Nem é preciso adiantar, também, que o filme mostra um Caetano, que, no fundo já conhecíamos - nos últimos anos, tal suspeita tornou-se evidente com o blog Obra em Construção, em que o cantor soltava o verbo. No início de Coração Vagabundo, Caetano diz que "engole muitos sapos, mas não todos". Na produção do documentário, segundo ele, só teve que engolir um: "Você fica fazendo excursão e sendo filmado o tempo todo. Às vezes eu tinha que engolir um sapinho de ir encontrar o Fernando para gravar. Mas foi só", diverte-se.