Script = https://s1.trrsf.com/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

Karim Aïnouz defende o polêmico 'Rosebush Pruning': 'Nós estamos vivendo o absurdo'

Em seu novo filme, o cineasta cearense coloca estrelas como Callum Turner (Eternidade), Elle Fanning (Valor Sentimental) e Pamela Anderson (The Last Showgirl) nas piores situações possíveis: 'As pessoas acham que eu fiquei louco', ri.

15 out 2026 - 11h25
(atualizado às 11h52)
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
O cineasta Karim Aïnouz lança "Rosebush Pruning", sátira que marca uma virada em sua carreira ao abraçar o absurdo da realidade atual. Estrelada por Jamie Bell e Elle Fanning, a trama retrata a ruína de uma família rica e disfuncional isolada em uma mansão. Exibido no Festival de Berlim, o longa utiliza o humor desconfortável para romper com os tradicionais melodramas do diretor, reunindo um elenco estelar em situações ridículas para refletir criticamente sobre o caos do mundo contemporâneo.

No último dia 4 de outubro, por volta das 22h, os jornais anunciavam um segundo turno para as eleições presidenciais, com Flávio Bolsonaro (PL), filho e herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro, abrindo vantagem sobre o atual presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva com 47,03% contra 45,16% dos votos válidos, respectivamente.

Karim Aïnouz defende o polêmico 'Rosebush Pruning': 'Nós estamos vivendo o absurdo' (Arturo Holmes/Getty Images)
Karim Aïnouz defende o polêmico 'Rosebush Pruning': 'Nós estamos vivendo o absurdo' (Arturo Holmes/Getty Images)
Foto: Rolling Stone Brasil

Na mesma noite, o vídeo de uma criança vestida com uma camiseta verde e amarela, as cores do Brasil, comemorava a primeira vitória do candidato de extrema direita, ainda que estivesse bem longe da idade para votar por si mesmo. Em sua mão direita, uma arma era sacudida no ar. Se verdadeira ou não, é impossível saber pelas imagens. Porém, independentemente, a pergunta é a mesma: quão perto estamos de normalizar o completo absurdo?

Para Karim Aïnouz (A Vida Invisível), nós já estamos vivendo o completo absurdo e o seu novo filme, Rosebush Pruning, que chega aos cinemas brasileiros a partir desta quinta-feira, dia 15 de outubro, retrata exatamente isso:

"Acho que esse filme é um divisor de águas para mim. Não dá mais para ficar só fazendo coisa séria. Não tem a menor condição, entendeu? Porque nós estamos vivendo o absurdo", declara o cineasta em entrevista à Rolling Stone Brasil.

Definido pelo próprio cineasta como uma "parábola absurda, caótica e bem-humorada", Rosebush Pruning conta a história de quatro irmãos norte-americanos isolados em uma mansão com o pai cego, banhados em luxos providos por sua inesgotável fortuna e vivendo relações de dependência mútua que fogem do normal.

Quando um dos irmãos, Jack (Jamie Bell, Todos Nós Desconhecidos), anuncia que irá abandonar a família para morar com a namorada, Martha (Elle Fanning, Valor Sentimental), a estrutura familiar começa a ruir. Ao mesmo tempo, o irmão de Jack, Ed (Callum Turner, Eternidade), começa a descobrir novos fatos sobre a misteriosa morte da mãe, revelando mentiras que desintegram a família brutalmente.

Antes de chegar aos cinemas brasileiros, Rosebush Pruning teve a sua estreia mundial no prestiagiado Festival de Berlim, o Berlinale, em fevereiro deste ano — e a experiência não poderia ter sido menos intimidadora para Aïnouz:

"Foi uma loucura porque a sala estava cheia de gente do mundo todo e, do meu lado, estava o ministro da cultura alemão  [o Ministro de Estado da Cultura e Mídia, Wolfram Weimer], que é um cara de extrema direita. E eu falei: 'Puta, fodeu'. O cara não ria. E o público ficava assim [em silêncio]. E aí, no final, eram uma gargalhadas, porque parecia que o povo passou o filme inteiro prendendo o riso", relembra. "Porque era tipo: 'Não sei se eu posso rir. Está acontecendo uma coisa tão louca, que eu não sei se posso rir'. Mas a sátira é isso, entendeu? É um lugar de desconforto."

Além de Jamie Bell, Elle Fanning e Callum Turner — nomes jovens, mas consagrados em Hollywood —, Aïnouz também escalou Riley Keough (Daisy Jones & The Six) — neta de Elvis Presley, o Rei do Rock —, Lukas Gage (The White Lotus), Tracy Letts (Lady Bird: A Hora de Voar) e Pamela Anderson (The Last Showgirl), e os colocou nas piores e mais ridículas situações imagináveis, o que divertiu muito o cineasta:

"As pessoas acham que eu fiquei louco, entendeu? E talvez eu tenha ficado um pouco. Não tem problema! Eu tenho 60 anos de idade, eu quero fazer coisas que eu nunca fiz. Eu não vou ficar me repetindo o tempo inteiro. Todo ano eu faço um melodrama, a pessoa sofrendo", desabafa, aos risos.

"Como artista, na hora que você começa a adentrar um território que você conhece demais, não é mais divertido, entendeu?", continua. "E uma das coisas que eu mais gosto na vida é rir. Eu adoro rir. É um negócio que me dá prazer. E eu nunca tinha adentrado um filme que eu pudesse rir tanto, tanto fazendo quanto vendo. Então, nesse sentido, ele é fora da curva [na minha filmografia], mas ele é zero fora da curva porque, na verdade, são coisas que eu sempre quis colocar na tela. (...) Isso foi muito libertador, muito divertido."

Ver esse post no Instagram

Um post compartilhado por MUBI BRASIL (@mubibrasil)

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra