John Lennon falou sobre estar 'morto e enterrado' em última entrevista
A gravação, realizada horas antes do assasinato do cantor, é retratada em "John Lennon: A Última Entrevista"
Em sua última entrevista, horas antes de seu assassinato, John Lennon compartilhou planos de criar arte até sua morte, esperando que ainda demorasse "muito, muito tempo". Trechos da entrevista estão presentes no novo documentário de Steven Soderbergh, John Lennon: The Last Interview, que estreou no Festival de Cannes na última sexta-feira, 15.
A gravação foi conduzida pela RKO Radio com Lennon e sua esposa, Yoko Ono, em 8 de dezembro de 1980, o mesmo dia em que o músico foi baleado e morto em frente ao seu prédio em Nova York. No início do filme, o artista diz na entrevista de rádio: "Considero que meu trabalho não estará terminado até que eu esteja morto e enterrado, e espero que isso demore muito, muito tempo". O casal havia lançado o álbum Double Fantasy apenas algumas semanas antes, e concederam apenas uma entrevista de rádio para promover o disco. A conversa com Dave Sholin e Laurie Kaye durou mais de três horas e meia no Edifício Dakota, última residência e local do assasinato de Lennon.
Na entrevista, que foi editada para o novo filme de Soderbergh, Lennon também aborda a morte de John F. Kennedy. O cantor afimra que a razão pela qual o presidente continua sendo um símbolo de esperança é justamente por causa de sua morte. Assassinado em novembro de 1963, o político morreu da mesma forma que o antigo Beatle, em um atentado à tiros.
Na conversa, Lennon estava animado com seu retorno à música. O cantor e compositor descreve a produção artística como uma "diarreia de criatividade" e afirma que, após o período de 5 anos afastado, as músicas simplesmente surgiram. O artista também cita a contribuição da esposa como inspiração e afirmou terem planos para mais um ou dois álbuns em conjunto. Lennon então descreve Ono como sua "melhor amiga" e afirma que trabalhar com ela foi "uma alegria". Ele também citou a cantora e o colega Paul McCartney como as únicas duas pessoas com quem colaborou múltiplas vezes, elogiando os dois.
O documentário é o primeiro de Soderbergh desde And Everything Is Going Fine (2010), sobre a vida do monologuista Spalding Gray. Em entrevista à Variety , o cineasta explicou que o fato de que tanto Lennon quanto Ono "estavam muito à vontade" na conversa foi o que o atraiu à entrevista.
"Fiquei surpreso com a abertura e o entusiasmo deles para conversar", afirmou o diretor. "Daria para pensar que eles nunca tinham sido entrevistados antes. E quero que isso transpareça para o público. Tudo o que eles disseram há 45 anos não é apenas relevante hoje, mas ainda mais em termos de relacionamentos, política, como nos tratamos, como os sistemas afetam o indivíduo e, acima de tudo, a importância do amor em nosso dia a dia e no mundo."
Em uma fala muito mais aberta do que costumavam exercer em entrevistas, o casal se abre sobre o relacionamento, desde o início até a vida íntima. Ono e Lennon também abordaram o período de separação e a reconciliação. Os artistas também descreveram a dinâmica familiar do casal com o filho Sean , então com 5 anos. O ex- Beatle descreve o filho pequeno como um "gêmeo" e diz que a criança o ensinou a ser autêntico. Sean Lennon tem atualmente 50 anos, e seguiu os passos dos pais ao se tornar um cantor e multi-instrumentista.
Em um segundo momento, o cantor também refelte sobre a relação da paternidade com seu filho mais velho, Julian. Então com 17 anos, o garoto é fruto do primeiro casamento de Lennon, Cynthia Powell. O artista expressa arrependimento por não ter sido um pai presente para o filho. Após o divórcio dos pais, Julian Lennon, hoje com 63 anos, viveu apenas com a mãe. Frente ao afastamento do cantor com o filho, o colaborador Paul McCartney chegou a compôr o clássico dos Beatles "Hey Jude" (originalmente "Hey Jules", apelido do menino) para confortar Julian.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.