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Jeremy Thomas, produtor de 'O Último Imperador' e 'Crash', morre aos 77 anos

Veterano do cinema britânico trabalhou com nomes como Bernardo Bertolucci, David Cronenberg, Nagisa Oshima e Jonathan Glazer

12 set 2026 - 13h12
(atualizado às 13h18)
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Resumo
O influente produtor britânico Jeremy Thomas morreu aos 77 anos em Oxfordshire. Com mais de cinco décadas de carreira e cerca de 80 créditos, ele marcou o cinema independente mundial ao viabilizar obras consagradas como Furyo e Crash. Sua parceria com Bernardo Bertolucci rendeu o aclamado O Último Imperador, vencedor de nove estatuetas no Oscar. Thomas permaneceu ativo até o fim da vida, deixando produções em exibição em Veneza e projetos inéditos prestes a estrear em festivais internacionais.

O produtor britânico Jeremy Thomas, um dos nomes mais importantes do cinema independente do Reino Unido nas últimas cinco décadas, morreu na última sexta-feira, 11 de setembro, aos 77 anos. Segundo comunicado divulgado pela família, ele morreu pacificamente em sua casa, em Oxfordshire, cercado por familiares e pessoas próximas.

Jeremy Thomas, produtor de 'O Último Imperador' e 'Crash', morre aos 77 anos (Daniele VenturelliWireImage)
Jeremy Thomas, produtor de 'O Último Imperador' e 'Crash', morre aos 77 anos (Daniele VenturelliWireImage)
Foto: Rolling Stone Brasil

Ao longo da carreira, Thomas acumulou mais de 80 créditos e produziu obras de cineastas consagrados de diferentes partes do mundo. Entre os principais títulos estão Furyo: Em Nome da Honra (1983), de Nagisa Oshima; O Último Imperador (1987), de Bernardo Bertolucci; Crash: Estranhos Prazeres (1996), de David Cronenberg; e Sexy Beast (2000), de Jonathan Glazer.

A notícia da morte foi divulgada no último dia do 83º Festival de Veneza, onde estava em competição Bucking Fastard, novo filme de Werner Herzog, produzido por Thomas. Durante uma coletiva no festival, Herzog revelou que o produtor foi responsável por uma ideia fundamental para o projeto: escalar Kate Mara e Rooney Mara como duas irmãs que atuam e falam como se fossem uma só. A solução permitiu que Herzog finalmente tirasse do papel um projeto que estava sendo desenvolvido havia cerca de 40 anos.

Thomas também aparece em Joie de Vivre. Notes, Thoughts, Words, Reflections, Faces, And Visions Concerning Bernardo Bertolucci And The Cinephilia Of The 20th Century That No Longer Exists, documentário de sete horas dirigido por Luca Guadagnino sobre Bertolucci. O produtor ainda esteve envolvido na distribuição internacional do filme por meio da HanWay Films, empresa que comandou durante décadas.

De assistente de montagem a produtor

Nascido em 26 de julho de 1949, Thomas cresceu em uma família ligada ao cinema. Seu pai dirigiu mais de 40 longas, incluindo Os 39 Degraus e diversos filmes da franquia de comédia Doctor. Seu tio Gerald Thomas ficou conhecido pela série Carry On.

Antes de se tornar produtor, Thomas trabalhou em diferentes funções na indústria cinematográfica e chegou à montagem. Foi assistente de edição em filmes como The Harder They Come e The Golden Voyage of Sinbad, além de ter trabalhado como primeiro assistente de montagem em A Family Life, de Ken Loach.

A estreia como produtor aconteceu em 1974, com Mad Dog Morgan, filme rodado na Austrália e estrelado por Dennis Hopper. Poucos anos depois, Thomas fundou em Londres a Recorded Picture Company (RPC), cuja primeira produção foi The Shout, de Jerzy Skolimowski, vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes em 1978. Em 1998, criou a HanWay Films ao lado de Peter Watson e Stephan Mallmann.

Entre os trabalhos que marcaram os primeiros anos de sua trajetória estão Furyo: Em Nome da Honra, Bad Timing, Eureka, Insignificance e The Hit. A parceria com Bertolucci, porém, levaria Thomas ao maior reconhecimento de sua carreira.

O Último Imperador e a parceria com Bertolucci

Produzido de forma independente e dirigido por Bertolucci, O Último Imperador levou três anos para ser concluído e se tornou um enorme sucesso comercial. No Oscar de 1988, o longa venceu nove estatuetas, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor.

Thomas continuou trabalhando com Bertolucci em outros projetos, como O Céu Que Nos Protege (1990), O Pequeno Buda (1993), Beleza Roubada (1996) e Os Sonhadores (2003).

Outro projeto especialmente marcante foi Crash: Estranhos Prazeres, adaptação do romance de J.G. Ballard dirigida por David Cronenberg. O filme estreou em Cannes em 1996 e provocou forte reação, além de enfrentar uma batalha de censura posteriormente.

A relação de Thomas com Cannes foi tão importante que ele próprio se tornou personagem de The Storms of Jeremy Thomas, documentário de Mark Cousins que acompanha a tradicional peregrinação anual do produtor ao festival francês.

Em entrevista publicada pela Deadline em 2021, Thomas comentou que ainda tinha interesse em adaptar outros livros de Ballard, mas reconheceu que seu tempo estava se tornando limitado.

Uma vida dedicada ao cinema

Thomas era conhecido por sua paixão pelo cinema e por uma postura que combinava conhecimento artístico e habilidade empresarial. Durante décadas, fez de Cannes uma espécie de segunda casa: costumava viajar de Londres até a Riviera Francesa em um carro antigo e realizava seus negócios a partir da mesma suíte do Carlton.

A família o descreveu como um profissional de perfil internacional, que trabalhou com cineastas de países como Japão, Itália, Alemanha, Estados Unidos, Canadá, Polônia e Austrália. Entre os diretores associados à sua trajetória estão Bernardo Bertolucci, David Cronenberg, Matteo Garrone, Jerzy Skolimowski, Nagisa Oshima, Richard Linklater, Bob Rafelson, Jim Jarmusch, Takeshi Miike e Terry Gilliam.

O produtor também teve papel importante no início das carreiras de cineastas britânicos como Jonathan Glazer, Stephen Frears, Julien Temple, Ben Wheatley e David Mackenzie. Recebeu, em 2006, o prêmio de Outstanding European Achievement in World Cinema da European Film Academy.

Thomas continuou trabalhando até o fim da vida. Seu próximo lançamento é Bad Lieutenant: Tokyo, de Takeshi Miike, com estreia mundial marcada para 14 de setembro no Festival de Toronto. Outro projeto, Becoming Capa, está atualmente em pós-produção.

Nos últimos anos, Thomas enfrentou um câncer, mas seguiu trabalhando. Ele deixa a esposa, Eski Thomas, e três filhos: Jessica, o agente de cinema e televisão Jack e Joshua.

Fonte: Deadline

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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