Rapper Hungria lança cinebiografia: 'Foi como me enxergar de fora'
'Hungria: A Escolha de um Sonho' aposta no período anterior à fama para retratar dúvidas, escolhas e a construção do artista
Existe um problema clássico nas cinebiografias de artistas vivos: o sujeito ainda está por aí, bem-sucedido, com assessoria e interesse direto na própria imagem. O resultado costuma ser um produto promocional disfarçado de cinema, com afagos embalados em câmera lenta e trilha emocionante. Hungria: A Escolha de um Sonho, que estreou a última quinta-feira, 7, em cerca de 200 salas no Brasil, tenta escapar justamente dessa armadilha.
O filme, dirigido pela dupla Izaque Cavalcante e Cristiano Vieira, conta a história de Gustavo da Hungria Neves, o Hungria Hip Hop, um dos maiores nomes do rap nacional — mais de 6 bilhões de visualizações no YouTube, shows no Rock in Rio e no Lollapalooza, festival próprio. A cinebiografia o retrata antes de tudo isso, na adolescência na Cidade Ocidental, no entorno do Distrito Federal, quando o sonho de viver de música ainda era uma aposta sem garantia nenhuma.
Por que no cinema?
A pergunta que o filme precisa responder, assim como qualquer cinebiografia, é o que justifica contar essa história no cinema, no espaço de ficção, e não num documentário ou numa postagem do próprio artista.
Cavalcante tem uma resposta para isso. "Queríamos mostrar um ser humano real, com falhas, inseguranças, defeitos, vontade de desistir e conflitos que o público normalmente não vê nas redes sociais ou no palco", disse o diretor, em entrevista ao Estadão. "Não queríamos construir um herói perfeito, cheio de talento e predestinado ao sucesso". A ideia era fazer o movimento contrário ao da mitificação: revelar o Gustavo por trás do artista.
No final, mais do que exaltar uma pessoa, há uma dimensão explicitamente motivacional no projeto — e o rapper não esquiva disso. "Tem muita gente precisando acreditar que é possível, principalmente quem vem de uma realidade parecida com a minha, que é a de milhões de brasileiros", disse Gustavo. "Se isso servir pra alguém não desistir e não evitar o caminho mais difícil, já faz todo sentido".
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