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'Queríamos colocar o espectador no cockpit': Irmãos lançam '2DIE4', filme nacional pioneiro em IMAX

'2DIE4: 24 Horas no Limite' é documentário sobre Felipe Nasr em Le Mans e foi concebido para o formato IMAX

5 mai 2026 - 12h11
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O primeiro longa brasileiro concebido para IMAX chegou aos cinemas no último dia 30 com uma aposta incomum: transformar uma corrida de resistência em experiência sensorial. Em 2DIE4: 24 Horas no Limite, os diretores André e Salomão Abdala acompanham o piloto Felipe Nasr nas 24 Horas de Le Mans para investigar, entre o documentário e a construção dramática, a lógica de risco, obsessão e sobrevivência que move o automobilismo.

A estreia marca também a chegada dos irmãos Abdala ao longa-metragem, depois de uma trajetória construída em produções para marcas como Porsche, BMW e Red Bull. O projeto, desenvolvido ao longo de dois anos e vencedor do Motor Sports Film Award 2025 de Melhor Documentário de Longa-Metragem, nasceu já pensado para o formato IMAX — decisão que definiu tanto a escala visual quanto a proposta de imersão do filme.

Para os irmãos, o filme nasce de uma preparação que começou muito antes das filmagens. Em 2013, uma GoPro recebida em sorteio abriu o caminho para os primeiros vídeos de esportes radicais. Depois vieram trabalhos para marcas como Porsche, BMW e Red Bull, que, segundo eles, funcionaram como um laboratório para o cinema.

Irmãos Abdala produziram, roteirizaram, fotografaram e dirigiram '2DIE4'
Irmãos Abdala produziram, roteirizaram, fotografaram e dirigiram '2DIE4'
Foto: O2 Play/Divulgação / Estadão

"Eram só dois irmãos editando vídeos embaixo da escada de casa, com computador sem placa de vídeo", lembra André Abdala, em entrevista ao Estadão. Nos trabalhos publicitários, dizem, havia sempre uma ambição narrativa além do briefing. "O cliente queria um minuto, e a gente entregava um 'corte de diretor' de oito minutos para o YouTube", completa Salomão. "Estávamos treinando para o nosso primeiro filme".

O resultado é esse filme que acompanha os bastidores de Felipe competindo nas 24 horas de Le Mans, revezando com outros pilotos para tentar vencer. Tem tudo na tela: drama, sofrimento, desespero, vontade de vencer.

Limites

A escala do projeto exigiu levar esse impulso ao limite. Filmar em IMAX, dizem, não foi um adorno tecnológico, mas um princípio do filme desde a origem. Isso significou adaptar câmeras ARRI certificadas para IMAX — pensadas para ambientes controlados — a carros em movimento a 250 km/h.

"Era a vibração, o vento… Nós tivemos de desenvolver suportes específicos para que a imagem não ficasse esquisita", diz Salomão.

A operação ganhou outra dimensão com o suporte técnico da Panavision, que ajudou a desenvolver um pacote de câmeras customizado para o projeto. A produção utilizou corpos de cinema 8K com sensores Vista Vision, capazes de registrar imagens em alta velocidade com mobilidade pouco usual para esse tipo de captação. Entre os equipamentos empregados estava também o raro conjunto de lentes System 65 — do qual existem apenas dois no mundo — usado em combinação com uma técnica anamórfica aplicada ao formato IMAX, 1,43:1. Segundo os diretores, a solução permitiu preservar textura cinematográfica e profundidade de campo mesmo em velocidades superiores a 300 km/h.

O desenho sonoro seguiu a mesma lógica de imersão. Em vez de bibliotecas de efeitos, a equipe gravou motores reais com microfones instalados no cofre do motor e no escapamento. "No IMAX, a pressão sonora é muito maior. É um som físico: você sente o deslocamento de ar no peito quando o carro passa", diz. Na sala de cinema, em IMAX, a poltrona chega a tremer.

Felipe Nasr é a estrela de '2DIE4'
Felipe Nasr é a estrela de '2DIE4'
Foto: O2 Play/Divulgação / Estadão

Drama

Mas 2DIE4 não pretende ser apenas uma exibição de potência técnica. O eixo dramático está na pergunta que, segundo André, motivou o projeto: por que alguém escolhe correr esse risco? "Os pilotos são os nossos gladiadores modernos. São caras arriscando a vida enquanto a gente assiste batendo palma", diz. "O que faz alguém querer estar ali?"

É essa dimensão — menos mecânica que existencial — que organiza o filme, narrado em primeira pessoa por Nasr. Em vez de privilegiar bastidores de equipe ou estratégias de corrida, o documentário busca habitar a obsessão individual do piloto, a tensão entre controle e desastre.

Essa proposta também orientou a estrutura narrativa do longa. Em vez de recorrer a entrevistas explicativas ou ao modelo convencional do documentário esportivo, os diretores dizem ter filmado com a disciplina visual de um longa de ficção. "Cada quadro é uma experiência: puro diálogo, pura ação, pura urgência", afirmam. O resultado, segundo a dupla, busca borrar fronteiras entre documentário e cinema narrativo para tratar ambição, risco e a linha tênue entre triunfo e catástrofe.

A recepção internacional surpreendeu até os próprios diretores. Após exibições nos Estados Unidos, comentários sobre o impacto sonoro do filme chamaram atenção. "A gente está morrendo de rir lendo os reviews dos gringos", conta Salomão. "Diziam que era o filme IMAX mais alto que já tinham visto, o mais impressionante em som. A gente sabia que tinha dado tudo, mas não imaginava ouvir isso".

Estadão
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