Lula decreta luto por Luiz Carlos Barreto: 'O cinema brasileiro deve muito a ele'
Presidente destaca o legado do cineasta para o audiovisual brasileiro e decreta três dias de luto oficial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decretou luto oficial de três dias pela morte do produtor e cineasta Luiz Carlos Barreto, o Barretão, que morreu nesta quarta-feira, 22, aos 98 anos. Considerado um dos maiores nomes da história do cinema brasileiro, ele deixa um legado de mais de seis décadas dedicadas ao audiovisual nacional.
Ao anunciar a homenagem, Lula afirmou que "o cinema brasileiro deve muito a Luiz Carlos Barreto" e classificou o produtor como "o mais importante produtor do cinema nacional nos últimos cinquenta anos".
"Seu amor pelo Brasil, seu talento e, sobretudo, seu espírito inquieto o transformaram no mais importante produtor do cinema nacional nos últimos cinquenta anos. Em reconhecimento à sua obra e à sua contribuição para a cultura brasileira, decreto luto oficial de três dias", escreveu o presidente.
Na mensagem, Lula também destacou a atuação de Barretão desde o Cinema Novo, seu papel na defesa do audiovisual brasileiro e a contribuição para a consolidação da indústria cinematográfica nacional. Ao final da nota, ele e a primeira-dama Janja enviaram um "abraço muito carinhoso" à família do produtor.
Luiz Carlos Barreto deixa a esposa, a produtora Lucy Barreto, os filhos Paula e Bruno Barreto, além de nove netos e oito bisnetos. O casal também teve Fábio Barreto, diretor que morreu em 2019.
Segundo a assessoria da família, o velório será realizado nesta quinta-feira, 23, às 11h, no Palácio da Cidade, em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro. Em seguida, o corpo será cremado no Memorial do Carmo, no Caju, em cerimônia restrita aos familiares.
Leia a nota na íntegra:
"O cinema brasileiro deve muito a Luiz Carlos Barreto, que nos deixou nesta quarta-feira. Seu amor pelo Brasil, seu talento e, sobretudo, seu espírito inquieto o transformaram no mais importante produtor do cinema nacional nos últimos cinquenta anos.
Em reconhecimento à sua obra e à sua contribuição para a cultura brasileira, decreto luto oficial de três dias.
Desde o tempo do Cinema Novo, nos anos 1960, quando a arte tinha que lutar contra a censura e o autoritarismo, Barretão ocupou papel central em nossa produção cinematográfica. Ao longo das décadas seguintes, seguiu revelando talentos, viabilizando produções que marcaram época, a exemplo de "Dona Flor e Seus Dois Maridos", "O "Quatrilho" e o "O Que é Isso, Companheiro", e dando musculatura ao cinema brasileiro.
Como poucos, Luiz Carlos Barreto soube defender nossa produção audiovisual. Lutou por políticas públicas para o setor. Ajudou a criar, no Brasil, toda uma cadeia de gente talentosa e extremamente profissional que hoje nos traz o orgulho na forma de Oscars, Leões de Ouro e muito prestígio internacional.
À sua esposa, Lucy, aos seus filhos, Paula e Bruno, e a todos seus familiares, amigos e colegas, eu e Janja deixamos um abraço muito carinhoso".
O cinema brasileiro deve muito a Luiz Carlos Barreto, que nos deixou nesta quarta-feira. Seu amor pelo Brasil, seu talento e, sobretudo, seu espírito inquieto o transformaram no mais importante produtor do cinema nacional nos últimos cinquenta anos.
Em reconhecimento à sua obra…
— Lula (@LulaOficial) July 22, 2026
Quem foi Luiz Carlos Barreto
Conhecido como Barretão, Luiz Carlos Barreto foi um dos principais produtores da história do cinema brasileiro. Produtor, cineasta, roteirista, fotógrafo e ex-fotojornalista, dedicou mais de seis décadas ao audiovisual e participou da produção de mais de 100 obras, entre elas clássicos como Dona Flor e Seus Dois Maridos, O Quatrilho (1995) e O Que É Isso, Companheiro? (1997).
Nascido em Sobral, no Ceará, iniciou a carreira como fotojornalista da revista O Cruzeiro antes de migrar para o cinema, na década de 1950. Como diretor de fotografia, trabalhou em filmes como Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, e Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha. Ao lado da esposa, Lucy Barreto, fundou a produtora LC Barreto, em 1963.
Sob a liderança da produtora, o Brasil conquistou duas indicações ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro?, consolidando a LC Barreto como uma das mais importantes produtoras do país.
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