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Justiça vai analisar compra da Warner pela Paramount apenas em 2027

Julgamento sobre a fusão foi marcado para março do próximo ano; enquanto isso, operação segue suspensa e custos para a empresa podem aumentar

5 ago 2026 - 17h02
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A Justiça dos Estados Unidos marcou para março de 2027 o julgamento da ação que contesta a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount. A decisão adia a conclusão do negócio e mantém suspensa a operação bilionária, que é alvo de questionamentos por supostas violações às leis de defesa da concorrência.

Segundo a Reuters, a aquisição permanecerá bloqueada até o julgamento da ação movida por uma coalizão de 12 estados americanos, liderada pela Califórnia, ou até 1º de junho de 2027, conforme determinação judicial.

A Paramount havia solicitado que o caso fosse analisado ainda em novembro de 2026, mas o pedido foi rejeitado. A juíza Araceli Martinez-Olguin marcou o início do julgamento para 2 de março de 2027, com previsão de encerramento em 19 de março.

Antes disso, haverá uma conferência pré-julgamento em 24 de fevereiro. Já a primeira audiência de gestão do caso está marcada para 19 de agosto deste ano, após a entrega de um relatório conjunto prevista para 13 de agosto.

O novo calendário aumenta a pressão sobre a empresa. A partir de 1º de outubro, a Paramount passará a acumular uma taxa diária de US$ 7 milhões (cerca de R$ 36 milhões na cotação atual) destinada aos acionistas da Warner Bros. Discovery enquanto a operação permanecer pendente.

Como o julgamento ocorrerá cerca de cinco meses depois do início dessa cobrança, o valor poderá chegar a aproximadamente US$ 1,2 bilhão (R$ 6,15 bilhões). O pagamento, porém, só será realizado caso a aquisição seja concluída.

Em nota, a Paramount afirmou que respeita a decisão da Justiça e disse continuar confiante de que a operação será aprovada. Segundo a empresa, a fusão é legal, estimula a concorrência e não viola as leis antitruste. A companhia também informou que segue trabalhando para concluir a transação o mais rapidamente possível.

Já o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, que lidera a coalizão responsável pela ação, afirmou que os estados pretendem impedir o que classificam como uma fusão ilegal.

Anunciada por US$ 111 bilhões (cerca de R$ 568 bilhões), a aquisição é contestada sob a alegação de que reduzirá a concorrência nos mercados de TV por assinatura e distribuição cinematográfica. Separadamente, o sindicato dos roteiristas dos Estados Unidos (WGA) também entrou na Justiça, argumentando que a operação poderá prejudicar o mercado de trabalho da categoria.

A Paramount rebate as críticas e sustenta que a união com a Warner Bros. Discovery fortalecerá sua posição na disputa com plataformas de streaming, como Netflix e Prime Video.

Em artigo publicado no The New York Times, o presidente e CEO da companhia, David Ellison, afirmou ainda acreditar que a ação dos procuradores-gerais tem mais relação com a possibilidade de ele assumir o controle editorial da CNN do que com aos impactos concorrenciais da fusão.

O executivo negou qualquer intenção de interferir na linha editorial da emissora e disse que o jornalismo da empresa continuará baseado em fatos e na verdade.

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Estadão
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