Script = https://s1.trrsf.com/update-1784747113/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Entre tubarões e queda de avião, 'Águas Mortais' quase chega lá

Longa-metragem, que tem toda a cara de filme de sobrevivência dos anos 1990, é certeiro no desastre aéreo, mas falha no terror com tubarões

25 jul 2026 - 12h10
Compartilhar
Exibir comentários

Os filmes sobre tubarões estão tão esgotados de possibilidades que já não basta mais uma única ameaça. Agora, é preciso duplicá-la. Isso vai desde o humor plástico dos tubarões no furacão de Sharknado, passando pela luta solitária de Blake Lively em Águas Rasas, até chegar a Águas Mortais, longa-metragem que estreia nesta quinta-feira, 23, e que mostra um ataque de tubarões contra os passageiros de um voo acidentado.

Dirigido pelo finlandês Renny Harlin, mestre da ação e diretor de filmes como Do Fundo do Mar e Duro de Matar 2, o longa-metragem não tem qualquer complexidade em sua história. Um voo de Los Angeles para a China foge do previsto quando uma bateria externa explode no bagageiro. O piloto (Ben Kingsley) e o copiloto (Aaron Eckhart) tentam salvar o que dá, mas obviamente o avião cai no mar — um mar, aliás, infestado de tubarões ferozes.

Águas Mortais se divide, assim, em dois momentos bem distintos. No começo, é um filme de tragédia com a cara dos anos 1990. A sensação é que Stallone apareceria ali a qualquer momento para salvar o dia. Toda a sequência da queda do avião é surpreendentemente bem dirigida e é difícil não sentir um frio na barriga ao pensar nessa possibilidade na vida real. Méritos de Harlin, que parece ter se dedicado ao máximo para dar esse ar realista a uma sequência que poderia facilmente descambar para o fantasioso.

Cena de 'Águas Mortais', filme que mistura desastre de avião com ataque de tubarão
Cena de 'Águas Mortais', filme que mistura desastre de avião com ataque de tubarão
Foto: Diamond Films/Divulgação / Estadão

Destaque também para o bom desempenho da dupla Kingsley (Gandhi) e Eckhart (Batman: O Cavaleiro das Trevas). Ainda que cause certo estranhamento ver os dois em um filme assim, ambos controlam bem as atuações e ajudam a elevar a primeira metade do longa.

Os tubarões de sempre

O problema surge, porém, quando a trama do avião se esgota. A partir daí, o filme se torna unicamente uma história de sobrevivência contra tubarões, sem qualquer novidade. São pessoas à deriva no mar, agarradas aos restos do avião, tentando escapar de mordidas mortais. Torna-se, assim, mais um título que segue o caminho de Desespero Profundo, longa de 2024 que também mostra um grupo de pessoas preso no fundo do mar e ameaçado por tubarões.

Depois do bom começo, Águas Mortais vira mais do mesmo. É repetitivo, é batido, é vazio. Parece outro filme em termos de ritmo, direção e energia. Até os efeitos especiais, tão bem aproveitados na queda do avião, passam a lembrar uma produção B sem investimento. Os tubarões são visivelmente digitais e a ameaça à vida dos personagens, que deveria soar urgente, simplesmente se dissipa. Vira um filme sem rumo e o clima dos anos 1990, antes impregnado na história, passa a aparecer da pior maneira possível, com saídas fáceis, roteiro preguiçoso e efeitos ruins.

'Águas Mortais' funciona brilhantemente nos primeiros 40 minutos, mas perde força depois do acidente de avião
'Águas Mortais' funciona brilhantemente nos primeiros 40 minutos, mas perde força depois do acidente de avião
Foto: Diamond Films/Divulgação / Estadão

Ainda assim, vale notar que Harlin acertou em algo raro: depois de uma sequência de fracassos em filmes de catástrofe nos últimos anos, o diretor aponta um caminho do que pode funcionar — menos tubarões, claro, e também menos fim do mundo e menos desastres colossais. O cinema de catástrofe precisa de mais drama humano e tramas menos desgastadas. Tivesse ele percebido isso a tempo, talvez Águas Mortais pudesse ser uma das surpresas de 2026. Do jeito que ficou, serve ao menos como uma viagem no tempo para o cinema feito nos anos 1990.

Estadão
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra