Crítica: 'Chef Jack' é boa animação brasileira sobre amizade e gastronomia
Produção mineira comprova força dos desenhos brasileiros e encanta com retrato competente do ato de cozinhar
Nos últimos anos, apesar de todos os problemas que enfrentou, o cinema brasileiro parece ter encontrado uma verdadeira vocação: a animação. São várias produções que, mesmo produzidas a duras custas, resultam em filmes sensíveis, agradáveis e que não perdem pra quase nada de grandes estúdios. Chef Jack, que estreia nesta quinta, 19, comprova isso.
Dirigido por Guilherme Fiúza Zenha (O Menino no Espelho), o filme é bem simples: com menos de 1h30 de duração, fala sobre o personagem-título (Danton Mello) entrando em uma competição gastronômica que parece uma mistura de MasterChef com No Limite.
Afinal, mais do que preparar pratos, os competidores precisam atravessar desafios, cumprir pequenas provas e, enquanto isso, encontrar uma noz dourada que vai permitir o preparo do último prato. É uma jornada bem linear, que os pequenos conseguem acompanhar sem grandes problemas, e que no final são recompensados com uma história muito simpática.
Enquanto isso, a gastronomia se faz presente. É a quiche mágica do protagonista, é o baião de dois que o ajudante de Jack sonha em fazer. Em traço e cores, dá água na boca.
"Meu recurso era a voz. Quando a gente tá em cena no live-action, a gente tem corpo, tem tudo. Esse trabalho foi uma experiência incrível", conta Danton Mello ao Paladar. "Foi algo novo. Já fiz outras dublagens, mas adaptando o trabalho em inglês. Nesse caso, a gente tinha liberdade para criar as falas, entender o personagem. Foi uma experiência gostosa".
Criação gastronômica de 'Chef Jack'
Para fazer as cenas de comida, a produção de Chef Jack contou com uma ajuda importante: o chef Edson Puiati. Ele foi o consultor do longa, ajudando os animadores e o diretor a criarem as cenas de comida. Além disso, vale dizer que o próprio Zenha ajudou nesse processo todo, preparando o desenho de todas as cenas com antecedência.
Na tela, tanto cuidado funciona. As cenas dos personagens cozinhando são o ponto alto: o corte de uma cebola não é resolvido com efeitos de animação, mas com a câmera mostrando, com um nível raro de detalhes, como esse corte é feito. Os sons também são bem encaixados: o barulho da faca na tábua, a borbulha da panela e por aí vai.
É um cuidado visto em Ratatouille, por exemplo, e que mostra, como falamos no início, toda a força do cinema brasileiro de animação. "A animação brasileira deu um salto imenso desde O Menino e o Mundo", diz o produtor Luiz Fernando de Alencar. "Esperamos que Chef Jack traga bons fluídos para a animação brasileira e que a gente não pare mais".