Diretor explica por que 'Donnie Darko' 'assombra' sua carreira e está há 17 anos sem lançar um filme
Richard Kelly não lança um novo longa desde 2009, com A Caixa; cineasta prepara livro que expande o universo do clássico cult
Sem lançar filmes desde "A Caixa" (2009), Richard Kelly revelou que o sucesso cult de sua estreia, "Donnie Darko" (2001), assombra sua carreira por impor um alto padrão de ambição e complexidade às suas obras posteriores. O diretor admitiu que poderia ter produzido mais se buscasse projetos mais simples, mas prefere tramas multifacetadas. Afastado da direção nos cinemas, o cineasta agora prepara uma expansão desse universo com o livro "The Philosophy of Time Travel", previsto para 15 de dezembro.
Responsável por um dos filmes cult mais celebrados dos anos 2000, Richard Kelly ainda tenta lidar com o peso de sua estreia como diretor. Em entrevista à revista Rue Morgue, o cineasta afirmou que Donnie Darko (2001) acabou estabelecendo um padrão tão alto para sua carreira que, de certa forma, o assombra até hoje. Desde seu último longa-metragem, A Caixa (2009), Kelly não voltou a dirigir um filme.
O diretor tinha apenas 25 anos quando filmou Donnie Darko e escreveu o roteiro aos 23. Estrelado por Jake Gyllenhaal (Os Suspeitos), o longa acompanha um adolescente que começa a ter encontros estranhos com uma figura misteriosa vestida de coelho, chamada Frank. A narrativa mistura ficção científica, drama psicológico e elementos sobrenaturais, conquistando uma legião de fãs ao longo dos anos.
Apesar de não ter sido um sucesso imediato de bilheteria, o filme ganhou status de clássico cult. Seu lançamento, em outubro de 2001, também aconteceu em um momento delicado nos Estados Unidos, poucas semanas depois dos atentados de 11 de setembro — contexto que tornou especialmente difícil para parte do público lidar com a trama, que envolve a queda de um avião.
Ao refletir sobre o legado da produção, Kelly reconheceu que começar a carreira com uma história tão ambiciosa e cheia de camadas tornou mais difícil encontrar projetos que estivessem à altura de suas próprias expectativas.
"Como Donnie Darko foi a primeira coisa que fiz, acabou estabelecendo esse padrão. De certa forma, sou assombrado por isso, porque simplesmente não quero fazer algo que não aspire a pelo menos aquele nível de ambição e complexidade", afirmou.
Por que Richard Kelly não dirige desde 2009?
Depois de Donnie Darko, Kelly escreveu e dirigiu outros dois longas: Southland Tales: O Fim do Mundo (2006) e A Caixa (2009). O segundo teve uma recepção negativa da crítica e um desempenho comercial abaixo do esperado.
Em entrevista, o cineasta reconheceu que provavelmente teria feito mais filmes se tivesse optado por projetos mais simples. Isso não significa, porém, que considere esse tipo de produção inferior. Para ele, o que realmente o estimula é desenvolver narrativas com múltiplas camadas e ideias.
"Não estou criticando histórias simples de forma alguma. Não há nada de errado em fazer algo simples de maneira inteligente e excelente, o que também é bonito e exige muita habilidade. Mas, para mim, existe algo especialmente estimulante e interessante em criar histórias com muitas camadas e ideias", explicou.
Donnie Darko vai ganhar continuação em livro
Mesmo sem planos anunciados de retomar o universo de Donnie Darko nos cinemas, Kelly prepara uma nova história ambientada nesse mundo. O projeto se chama The Philosophy of Time Travel, mesmo título do livro fictício escrito pela personagem Roberta Sparrow dentro do filme.
A obra literária se passa depois da morte de Donnie, esmagado pelo motor de um avião que cai sobre seu quarto, e promete expandir os acontecimentos apresentados no longa. O lançamento está previsto para 15 de dezembro.
Fonte: Lad Bible
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