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Cinema com dublagem ao vivo ainda pode ser encontrado em Moscou

6 jul 2013 - 08h54
(atualizado às 08h58)
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Cinema com dublagem ao vivo faz sucesso em Moscou:

Se muita gente já reclama de filme dublado, imagine como seria assistir a um filme com dublagem ao vivo, feita por uma pessoa com um microfone sentada ao fundo do cinema? Coisa do século passado? Em Moscou, uma sala exibe filmes estrangeiros com esta técnica no mínimo curiosa.

Na Rússia, os filmes são quase sempre dublados no cinema, com o voice-over. Ouve-se o som original ao fundo, mas a dublagem em russo é sobreposta ao áudio original. No caso da sala Mossovet, esta voz sobreposta é feita ao vivo. Uma tradutora narra todo o filme ou traduz para o russo as legendas que vão aparecendo no idioma original, caso seja um filme silencioso. Não é incomum que os espectadores aplaudam no final do filme, reconhecimento o esforço da dubladora.

A doutoranda brasileira Priscila Marques, que estuda russo há quatro meses em Moscou, é uma das frequentadoras da sala. “Já fui a três sessões com dublagem ao vivo. O que me atraiu foi a programação em si, com filmes antigos e clássicos. Eu nem sabia que havia esta técnica de dublagem, mas achei a experiência muito interessante”.

Para os que não estão acostumados, pode ser confuso. Para os russos, que acham que legenda e filme realmente não combinam, o fato de que tudo isso seja feito ao vivo é somente um pequeno ddetalhe. Na programação da sala, a técnica de dublagem ao vivo nem mesmo é anunciada como um diferencial.

“Eu assisti ao Duck Soup (Diabo a quatro, em português), um filme americano de 1933, com os irmãos Marx. O filme é falado e, apesar de ter exigido realmente muita habilidade da tradutora, não aparecia no cartaz que seria com dublagem ao vivo. Parece que não é algo tão significativo ou estranho para eles".

Em entrevista ao Terra, o pesquisador de história do Cinema e Doutor em Comunicação pela UFF, Rafael de Luna, explica que “isso (cinema dublado em Moscou) parece um revival ou uma atualização de uma prática muito comum entre os anos 1910 e 1920”. Segundo ele, esta prática foi muito famosa no cinema japonês e o nome do artista/profissional que tinha esta função era “benshi”, termo utilizado até hoje. “Às vezes o ‘benshi’ era tão famoso que o público era atraído mais pelo narrador ao vivo do que pelo filme”, conta de Luna.

A técnica era muito comum durante o cinema silencioso, mas com a chegada do cinema falado, passou a ser mais lucrativa a padronização. Ao invés de um dublador ao vivo em casa dala e/ou de uma orquestra de música, adotou-se uma a dublagem gravada diretamente no filme.

“Em alguns países, prevaleceu a dublagem. Em outros, a legendagem. Mas é muito difícil ver um local onde ainda haja dublagem (ou comentários) ao vivo”, diz o pesquisador.

No Brasil, o pesquisador Rafael de Luna explica que “o acompanhamento sonoro era utilizado para aumentar o envolvimento e a compreensão dos filmes pelas plateias”. Segundo ele, houve um tempo em que as situação mais importantes dos fimes eram anunciadas no palco por alguém, substituindo a legenda.

Na União Soviética, durante os primeiros anos da era Brezhnev, os filmes estrangeiros eram proibidos. O Comitê Estadual da URSS para Cinematografia realizava sessões a portas fechadas de muitos filmes ocidentais e as projeções eram abertas para trabalhadores da indústria do cinema e membros da elite política do regime soviético. Muitos dos mais famosos dubladores do país começaram suas carreiras neste tipo de exibição

Fonte: Terra
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