Audrey Hepburn recusou viver Anne Frank por traumas na 2ª Guerra Mundial, revela biografia
Novo livro autorizado sobre a atriz afirma que ela desistiu do papel na adaptação cinematográfica de O Diário de Anne Frank (1959)
Audrey Hepburn (Bonequinha de Luxo) quase viveu Anne Frank na adaptação cinematográfica de O Diário de Anne Frank (1959), mas recusou o papel porque os traumas vividos durante a Segunda Guerra Mundial tornaram a experiência emocionalmente insuportável.
A revelação está no livro Intimate Audrey: An Authorized Biography, escrito por seu filho, Sean Hepburn Ferrer, em parceria com a autora Wendy Holden. Segundo a biografia, Hepburn passou a adolescência na Holanda durante a ocupação nazista. Ela enfrentou a fome extrema, quase morreu de desnutrição e viu amigos e familiares desaparecerem em meio à invasão alemã.
O livro relata ainda que, em 1946, quando tinha apenas 17 anos, Audrey recebeu de um editor de Amsterdã o manuscrito de uma obra intitulada The Secret Annex, que mais tarde seria publicada como O Diário de Anne Frank. A leitura teve um impacto profundo sobre a jovem atriz.
De acordo com o relato reproduzido na biografia, Hepburn dizia que Anne Frank havia descrito exatamente o que ela própria viveu. Audrey também lembrava que, assim como Anne, perdeu a liberdade durante a guerra e passou anos confinada, cercada pelo medo e pela incerteza. "Ela escreveu sobre a natureza, a vida e o amor da mesma forma que eu sentia. Foi como reviver toda aquela época."
Depois do sucesso de A Princesa e o Plebeu (1953) e Sabrina (1954), o diretor George Stevens e o estúdio 20th Century Fox passaram a considerar Audrey Hepburn como a principal candidata para interpretar Anne Frank na adaptação para os cinemas.
Entretanto, ao reler o diário antes de aceitar o convite, a atriz voltou a ser profundamente afetada pelas lembranças da guerra. Segundo Sean Hepburn Ferrer e Wendy Holden, Audrey ficou emocionalmente devastada após a nova leitura, sofrendo crises de choro e pesadelos durante vários dias. Diante disso, decidiu recusar o papel. A personagem acabou sendo interpretada por Millie Perkins no filme lançado em 1959.
O Diário de Anne Frank recebeu oito indicações ao Oscar e conquistou três estatuetas, incluindo Melhor Atriz Coadjuvante para Shelley Winters, além dos prêmios de Melhor Direção de Arte e Melhor Fotografia.
Enquanto isso, Audrey Hepburn seguiu construindo uma das carreiras mais importantes da história do cinema, estrelando clássicos como Bonequinha de Luxo (1961), Minha Bela Dama (1964) e Sabrina (1954).
Nos últimos anos de vida, Hepburn dedicou-se ao trabalho humanitário como embaixadora da UNICEF, frequentemente citando palavras de Anne Frank em discursos e ações da organização. Segundo a biografia, a atriz costumava dizer que a guerra mudou sua forma de enxergar o mundo. "A guerra me deixou um conhecimento profundo do sofrimento humano. As coisas que vi durante a ocupação me tornaram muito realista sobre a vida, e continuei sendo assim desde então."
Audrey Hepburn morreu em 1993, aos 63 anos, vítima de um câncer de cólon.
Fonte: EW
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