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Cannes: Alain Delon é alvo de protesto por estapear mulheres

Grupo se opõe a Palma de Ouro honorária ao ator, que admitiu ter agredido parceiras no passado

14 mai 2019 - 00h07
(atualizado às 08h23)
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O astro do cinema Alain Delon, 83 anos, virou o mais novo alvo do movimento feminista internacional #MeToo, após o anúncio de que ele receberia uma homenagem no 72º Festival de Cinema de Cannes, que começa nesta terça, 14 e vai até o dia 25.

Símbolo sexual dos anos 1960 e 1970, o ator francês afirmou recentemente já ter estapeado mulheres com se relacionou no passado. Delon também é categórico ao revelar se opor à adoção de crianças por casais do mesmo sexo e ser entusiasta da plataforma política do direitista Jean-Marie Le Pen, seu amigo.

O ator francês, que estrelou filmes de sucesso como O Sol por Testemunha, em 1959, será homenageado com uma Palma de Ouro honorária. Na véspera da abertura da 72.ª edição do prêmio, a organização da mostra de cinema foi informada de que um grupo de mulheres americanas organizou um abaixo-assinado contra a entrega do prêmio.

O ator francês Alain Delon
O ator francês Alain Delon
Foto: Gwendoline Le Goff/Panoramic / via Reuters

Em conversa com a imprensa na segunda, 13, o diretor artístico do festival, Thierry Frémaux, reagiu. "Nós não estamos dando o Nobel da Paz a ele", disse, ressaltando a contribuição artística do ator, que estrelou clássicos do cinema como O Leopardo e Rocco e Seus Irmãos, do italiano Luchino Visconti, e O Samurai, do francês Jean-Pierre Melville.

"Alain Delon não é perfeito, mas é livre para ter as opiniões que quiser, ainda que eu não concorde com elas", explicou Frémaux, que alfinetou os Estados Unidos quando soube que o abaixo-assinado tinha sido criado por um grupo de mulheres norte-americanas. E nessa linha também sugeriu que fossem feitas petições contra o aquecimento global nos EUA, já que o presidente Donald Trump é cético em relação ao tema.

Delon é um dos rostos mais conhecidos do cinema europeu e, com o passar do tempo, seguiu a mesma tendência que sua conterrânea e contemporânea Brigitte Bardot, passando a adotar visões políticas cada vez mais à direita.

Maior festival de cinema do mundo, Cannes já enfrentou, anteriormente, críticas de movimentos feministas. O mais frequente é em relação à baixa participação de diretoras mulheres na disputa pela Palma do Ouro. Neste ano, por exemplo, são apenas quatro diretoras na corrida para o prêmio entre 21 diretores, entre eles o americano Quentin Tarantino e o brasileiro Kleber Mendonça Filho.

As diretoras que estão na competição são a austríaca Jessica Hausner, pelo drama de ficção científica Little Joe, as francesas Céline Sciamma, do filme de época Portrait of a Lady on Fire, e Justine Triet, da comédia Sibyl, e a franco-senegalesa Mati Diop, pelo drama migratório Atlantique.

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