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47 anos de 'Apocalypse Now': 6 curiosidades sobre o clássico de Francis Ford Coppola

Lançado em 15 de agosto de 1979, filme de Francis Ford Coppola se tornou uma das obras mais influentes sobre os horrores da guerra

17 ago 2026 - 12h55
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Em 15 de agosto de 1979, chegava aos cinemas Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola, filme que se tornaria uma das obras mais importantes — e conturbadas — sobre a Guerra do Vietnã. Inspirado livremente em O Coração das Trevas, de Joseph Conrad, o longa acompanha o capitão Benjamin Willard (Martin Sheen, Terra de Ninguém) em uma missão para encontrar o coronel Walter E. Kurtz (Marlon Brando, O Poderoso Chefão), oficial que abandonou o comando do Exército americano e passou a agir de forma independente em território cambojano.

47 anos de 'Apocalypse Now' 6 curiosidades sobre o clássico de Francis Ford Coppola (Divulgação)
47 anos de 'Apocalypse Now' 6 curiosidades sobre o clássico de Francis Ford Coppola (Divulgação)
Foto: Rolling Stone Brasil

A produção ficou famosa não apenas pelo resultado final, mas também pelos inúmeros problemas enfrentados durante as filmagens. Para celebrar os 47 anos do longa, confira seis curiosidades sobre a realização de Apocalypse Now a seguir:

1. O título quase foi outro

Antes de chegar a Apocalypse Now, o projeto teve outro nome considerado durante seu desenvolvimento: The Psychedelic Soldier (O Soldado Psicodélico). O título Apocalypse Now foi inspirado em uma frase vista pelo roteirista John Milius em um adesivo de carro que dizia "Nirvana Now". A expressão acabou sendo transformada no nome que conhecemos hoje.

2. A abertura surgiu por acaso

Uma das imagens mais famosas do filme — a floresta aparentemente tranquila sendo tomada por uma explosão de napalm enquanto toca "The End", do The Doors — não nasceu exatamente como uma abertura tradicional.

A sequência foi construída a partir de diferentes imagens captadas durante a produção. O material acabou sendo montado de maneira quase experimental, criando uma introdução que já estabelece o tom alucinatório e perturbador da história.

O uso de "The End" também se tornou indissociável do filme. A música transforma os primeiros minutos em uma espécie de prenúncio da jornada de Willard e da destruição que ele encontrará pelo caminho.

3. Willard quase teve outro intérprete

Antes de Martin Sheen assumir o papel principal, outros atores foram considerados para interpretar o capitão Willard. Entre os nomes associados ao projeto estava Harvey Keitel, que chegou a iniciar as filmagens. Além dele, Steve McQueen, Al Pacino, James Caan e Jack Nicholson foram cotados.

Keitel acabou sendo substituído por Sheen depois que Coppola decidiu que precisava de um ator que transmitisse melhor a dimensão mais introspectiva e atormentada do personagem. A mudança obrigou a produção a refazer parte do material já filmado.

4. Coppola investiu tudo no filme

A produção de Apocalypse Now cresceu muito além do que havia sido planejado inicialmente. As filmagens, que deveriam durar poucos meses, se estenderam por anos e consumiram recursos em uma escala gigantesca. Coppola enfrentou problemas financeiros, atrasos e uma produção constantemente ameaçada de sair do controle. O diretor chegou a colocar recursos próprios em risco para conseguir concluir o projeto.

A pressão foi tão grande que o cineasta precisou lidar com a possibilidade real de o filme se transformar em um enorme fracasso financeiro. O resultado, porém, acabou justificando a aposta: Apocalypse Now tornou-se um clássico e um dos filmes mais celebrados de sua carreira.

5. Um tufão arrasou a produção

Os problemas de Apocalypse Now não ficaram restritos ao orçamento. Durante as filmagens nas Filipinas, um tufão atingiu a região e destruiu parte dos enormes cenários construídos para o longa. A produção precisou ser interrompida, e Coppola foi obrigado a lidar com novos atrasos e custos. A previsão de 14 semanas de filmagens acabou superando mais de três anos, entre gravações e pós-produção.

O caos dos bastidores acabou alimentando a própria lenda do filme. Anos depois, o documentário Hearts of Darkness: A Filmmaker's Apocalypse, lançado em 1991, mostrou justamente a dimensão dos problemas enfrentados por Coppola e sua equipe.

6. Como nasceu o visual de Kurtz

A aparência do coronel Kurtz também foi cuidadosamente construída para reforçar a sensação de que o personagem havia se afastado completamente do mundo convencional. Marlon Brando chegou ao set com uma aparência diferente daquela inicialmente imaginada para o personagem. O ator estava mais pesado do que o previsto, o que levou Coppola e a equipe a repensarem a maneira de filmá-lo.

Em vez de tentar esconder completamente sua aparência, o diretor transformou parte da questão em recurso visual. Kurtz aparece frequentemente envolto em sombras, com seu rosto parcialmente oculto. A iluminação e o enquadramento fazem com que ele pareça mais uma presença misteriosa do que um personagem convencional.

A escolha combina perfeitamente com a trajetória do coronel: quando Willard finalmente chega até ele, Kurtz já parece menos um homem e mais uma figura quase mítica, construída pelas histórias que circulam sobre sua existência.

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