'Emergência Radioativa': Como está Goiânia 39 anos após o acidente?
Locais atingidos pelo acidente radiológico de Goiânia foram transformados, mas ainda carregam marcas físicas e simbólicas da tragédia
Quase quatro décadas depois do acidente com o Césio-137, Goiânia já não é a mesma. A tragédia, revisitada pela série Emergência Radioativa, da Netflix, voltou ao centro do debate e reacendeu o interesse sobre como a cidade convive hoje com as cicatrizes do desastre.
O episódio começou em setembro de 1987, quando um aparelho de radioterapia foi retirado de um prédio abandonado e acabou indo parar em um ferro-velho. A partir dali, o material radioativo se espalhou, contaminando centenas de pessoas e deixando marcas que atravessam gerações.
Do ponto zero a novos espaços urbanos
O antigo Instituto Goiano de Radioterapia, onde tudo começou, já não existe como era antes. Hoje, o local abriga o Centro de Convenções de Goiânia. A mudança estrutural simboliza uma tentativa de ressignificação do espaço — mas sua história permanece conhecida como o marco inicial da contaminação.
Já a área do ferro-velho, no Setor Aeroporto, onde a cápsula foi aberta, passou por intervenções rigorosas. O solo foi isolado e coberto com concreto para conter qualquer resquício de radiação. Mesmo assim, o endereço segue sendo lembrado como o epicentro da disseminação do material.
Locais de emergência que seguem ativos
Durante a crise, espaços públicos foram adaptados às pressas para lidar com o desastre. O antigo Estádio Olímpico, por exemplo, virou centro de triagem e recebeu mais de 100 mil pessoas para exames. Hoje, funciona como Centro de Excelência do Esporte.
O Hospital Geral de Goiânia, que teve papel crucial no atendimento às vítimas, continua em operação pelo SUS. Na época, uma ala especial foi criada para tratar os chamados radioacidentados — muitos dos quais ainda recebem acompanhamento médico até hoje.
O Centro de Assistência aos Radioacidentados (Cara) continua oferecendo suporte a vítimas diretas e indiretas, reforçando que o impacto do acidente não ficou no passado.
O destino do material contaminado
Todo o resíduo gerado — cerca de seis mil toneladas — foi transferido para Abadia de Goiás, onde permanece armazenado sob responsabilidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear. O depósito, construído com camadas de concreto, brita e solo, segue sob monitoramento constante.
Apesar da segurança atual, os efeitos do material radioativo estão longe de desaparecer. Especialistas estimam que os resíduos só devem atingir níveis totalmente seguros entre 200 e 300 anos após o acidente — ou seja, apenas por volta do século XXIII.
Qual é a história de Emergência Radioativa?
Criada por Gustavo Lipsztein, dirigida por Fernando Coimbra (Os Enforcados) e produzida pela Gullane, Emergência Radioativa é inspirada no acidente real com o Césio-137 e traz Johnny Massaro (O Filho de Mil Homens) como protagonista.
A minissérie retrata uma catástrofe, que se inicia quando uma máquina de radioterapia é aberta em um ferro-velho, espalhando o material radioativo Césio-137 por Goiânia. Começa então uma corrida contra o tempo para rastrear a contaminação e salvar a vida das vítimas, entre elas uma família inteira atingida pela tragédia.
Emergência Radioativa é um drama de heróis anônimos que mobilizou o país e pôs em destaque o trabalho de cientistas e médicos brasileiros.
Quem está no elenco da minissérie?
Além de Massaro, a Netflix confirmou outros nomes no elenco: Paulo Gorgulho (Segunda Chamada), Bukassa Kabengele (Mania de Você), Alan Rocha (Amor Perfeito), Antonio Saboia (Deserto Particular), Luiz Bertazzo (Cidade de Deus - A Luta Não Para) e Tuca Andrada (A Magia de Aruna). Emergência Radioativa conta ainda com as participações especiais de Leandra Leal (Os Enforcados) e de Emílio de Mello (Raquel 1:1).
https://youtu.be/s0wVghg4vS4?si=MbVSEhChglRYY2ID
Fonte: G1 e Metrópole