Ed Sheeran enfrenta cancelamento nas redes e debandada de artistas em sua turnê por não apoiar rapper pró-Palestina
O escândalo, que começou no início deste mês, ganha um novo capítulo a cada dia, com o envolvimento de um número cada vez maior de artistas. Após ser descartado da turnê do cantor britânico Ed Sheeran nos Estados Unidos devido a um protesto pró-Palestina, o rapper americano Macklemore vem recebendo o apoio de dezenas de bandas e artistas. Paralelamente, o autor de "Shape of You" enfrenta uma debandada em seu circuito de shows e vem sendo alvo de ataques nas redes sociais por não se posicionar sobre a guerra na Faixa de Gaza. "Silêncio é cumplicidade", afirmam posts compartilhados por celebridades.
Ed Sheeran enfrenta forte cancelamento e boicote de artistas em sua turnê após o afastamento do rapper Macklemore, criticado por manifestações pró-Palestina em shows de abertura. Acusado de censura por ceder à pressão de donos de estádios, Sheeran alegou neutralidade para proteger seu público jovem. A postura gerou repúdio de músicos como Roger Waters e Finneas, da ativista Greta Thunberg e de bandas de apoio, que cancelaram suas apresentações por discordarem do silenciamento do rapper.
Daniella Franco, da RFI
Célebre defensor da causa palestina e crítico do governo israelense, Macklemore exibiu imagens da população da Faixa de Gaza e pronunciou um discurso antiguerra em suas apresentações na abertura da turnê "Loop Tour" de Ed Sheeran, no início deste mês, no MetLife Stadium, perto de Nova York. A performance irritou a cantora americana Pink, que acusou o rapper de antissemitismo e inflamou a opinião da comunidade judaica americana nas redes sociais.
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Dias depois, Macklemore revelaria que Robert Kraft, proprietário do Gillette Stadium de Boston, que acolheria um dos eventos da turnê de Sheeran, havia proibido que o rapper se apresentasse no local. O influente empresário ainda teria convencido outros estádios a fazerem o mesmo, acusando Macklemore de difundir uma "retórica e um imaginário antissemita".
Enquanto a polêmica engrossava, a opinião pública questionava o silêncio de Sheeran, conhecido por seu comportamento apolítico. No entanto, com o anúncio do afastamento de Macklemore de sua turnê, o cantor britânico publicou um post nas redes sociais na terça-feira (15) explicando seu posicionamento e que a decisão de encerrar o contrato com o rapper não foi pessoal, tendo vindo da parte do promotor de sua turnê.
"Não sou um cúmplice. Tenho minhas visões pessoais sobre este conflito devastador", escreveu, evocando "sofrimento e dor em ambos os lados". No entanto, Sheeran explica que prefere não se pronunciar sobre a guerra por ter fãs, muitos deles muito jovens, de todas as origens, "que vão a meus shows sem esperar debates políticos". "Há espaço para múltiplas abordagens com a mesma finalidade: a paz", reitera o artista em uma linguagem consensual.
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Cancelamento nas redes
Poucos minutos após a publicação, Ed Sheeran passou a ser o centro da controvérsia. Artistas e grupos do mundo inteiro questionaram a falta de posicionamento do músico britânico, que também se absteve de defender Macklemore, um amigo de longa data.
"Neutralidade diante do massacre de mais de 20 mil crianças nunca será neutralidade", publicou o grupo de trip hop Massive Attack em suas redes sociais. "Nenhum artista deveria tolerar a censura de outros, independentemente de quantos milhões de dólares estiverem em jogo", reitera a banda britânica.
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Outra grande celebridade a criticar o comportamento de Sheeran foi o britânico Roger Waters, da mítica banda Pink Floyd. "Existem dois tipos de pessoas neste mundo, Ed. Existem as pessoas que fazem a coisa certa. Aquele rapper, Macklemore, seria uma delas", diz. "E existem as pessoas — muitas delas, infelizmente, canalhas como você, que fazem a coisa errada", reiterou.
Políticos, como a parlamentar americana Alexandra Ocasio-Cortez, e ativistas, como a ambientalista sueca Greta Thunberg, não demoraram a aderir aos protestos. "Ed, só há uma vítima aqui: o povo palestino", disse a jovem em uma publicação conjunta com o grupo Humanti Project em uma publicação no Instagram na noite de terça-feira. "A normalização de um estado de apartheid e as tentativas de encobrir ou justificar suas ações não serão mais toleradas", diz o mesmo post.
Boicote da turnê
Além das críticas, Sheeran enfrenta também o boicote de sua turnê americana por músicos de sua própria banda e grupos que abririam o seu show. Entre eles, está o irlandês Beoga, responsável por acompanhar Ed Sheeran no palco, que justifica sua saída pelo "silenciamento de Macklemore pelos lobbies sionistas".
O cantor irlandês Rowe evocou a história conturbada de seu país para justificar sua retirada. "Como irlandeses, conhecemos bem demais o genocídio, a fome provocada e a ocupação violenta", destacou.
"Artistas não devem ser silenciados quando eles falam em nome dos oprimidos", escreveu nas redes sociais o cantor americano Finneas, irmão de Billie Eilish, que também cancelou sua participação na turnê "Loop Tour". "Estou do lado da Palestina e seu povo", completa.
Já o grupo dinamarquês Lukas Graham denunciou as pressões exercidas por vários proprietários de estádios nos Estados Unidos, que ameaçaram cancelar os shows de Ed Sheeran caso Macklemore continuasse como atração de abertura. "Dinheiro não dá o direito de monopolizar o debate", afirmou. "Não é o saldo bancário de alguém que deveria decidir quem tem o direito de se expressar ou quais sofrimentos estamos autorizados a reconhecer."
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