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"Dor em beleza": escultor argentino transforma lixo da pandemia em arte

26 mar 2021 - 13h21
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Marcelo Toledo costuma criar esculturas e joias com metal. Agora, o artista argentino trabalha com um novo material: máscaras e seringas descartadas, da pandemia, que serão utilizadas para criar uma exposição que explora o doloroso impacto do vírus.

Artista argentino Marcelo Toledo abre uma caixa de seringas que serão parte da exposição "Museu do Depois", em seu estúdio em Buenos Aires, Argentina
04/03/2021
REUTERS/Agustin Marcarian
Artista argentino Marcelo Toledo abre uma caixa de seringas que serão parte da exposição "Museu do Depois", em seu estúdio em Buenos Aires, Argentina 04/03/2021 REUTERS/Agustin Marcarian
Foto: Reuters

Toledo, que já fez joias para o musical "Evita" na Broadway e peças únicas para Barack Obama e Madonna, foi um dos primeiros na Argentina a contrair a Covid-19, há um ano, que o deixou internado por oito dias com pneumonia.

A experiência deixou uma marca em sua vida e desencadeou uma enxurrada de obras de arte, começando com a máscara de 14 metros com a bandeira argentina que o artista colocou sobre o icônico Obelisco de Buenos Aires para aumentar a conscientização sobre a doação de órgãos durante a pandemia.

Para sua nova exposição, o "Museu do Depois", Toledo está coletando resíduos reciclados da pandemia enviados por hospitais, laboratórios e pessoas aleatórias. Isso inclui vacinas antigas, materiais médicos e recortes de jornais sobre a pandemia.

"Estou animado para poder transformar a dor em beleza e essa exposição é apenas isso, capturar tudo o que está acontecendo conosco como sociedade", disse Toledo, 45, à Reuters em seu estúdio no bairro de San Telmo, em Buenos Aires.

As obras, que estarão expostas a partir de setembro em um espaço público no centro de Buenos Aires, serão todas feitas com "materiais descartáveis ou lixo que as pessoas mandam", muitos deles lacrados em sacos a vácuo.

"É a primeira vez que faço uma exposição em que não tenho de comprar nenhum dos materiais", disse. "Tudo será lacrado ou colocado em cápsulas porque nunca devemos esquecer isso. Então, a ideia é que tudo possa ser preservado ao longo do tempo".

A exposição contará com um verdadeiro navio que simbolicamente atravessa uma "tempestade" e ilhas de reciclagem para sensibilizar sobre a importância dos cuidados com o meio ambiente.

"A exposição contará a história desse navio que saiu à vela e ficou encalhado após uma tempestade, o que é uma grande metáfora para tudo o que está acontecendo conosco. Essa pandemia é uma grande tempestade global", disse Toledo.

Assim como a máscara gigante, que foi replicada em países como Estados Unidos e Japão, o artista sonha em reproduzir a nova mostra em outras cidades do mundo.

"A ideia deste 'Museu do Depois' é procurar elementos de todo o mundo, e também poder replicá-los em outros locais e até mesmo conseguir um museu físico para deixar a obra para a posteridade", disse.

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