Diretor palestino retrata dificuldades diárias em Gaza com filme sobre puberdade no festival de Toronto
Gravado integralmente em Gaza, o drama "Thirteen in Gaza", do cineasta Hosam Abu Dan, estreou no Festival de Toronto retratando os dilemas da puberdade de uma jovem de 13 anos em meio ao conflito. Produzido em apenas 12 dias com uma equipe reduzida devido às severas restrições logísticas e à guerra, o filme busca dar voz local à resistência cotidiana dos palestinos. Impossibilitado de viajar ao evento, Abu Dan destacou o desejo de seu povo por uma vida normal e com sonhos, além da tragédia diária.
Um drama palestino filmado inteiramente em Gaza tem como objetivo mostrar ao mundo as dificuldades cotidianas dos palestinos, afirmou o cineasta Hosam Abu Dan.
"Thirteen in Gaza", que estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto na terça-feira, conta a história de Raghad, uma menina de 13 anos que acaba de entrar na puberdade, enquanto lida com a vida ao lado do pai na Faixa de Gaza, lutando para encontrar um espaço seguro para suas confusões e desesperada por carinho e apoio.
O diretor Abu Dan disse que era importante para ele contar uma história da perspectiva de alguém que viveu em Gaza.
"Eu sempre costumava dizer que as pessoas sempre podem contar a sua história, mas quando você a conta do seu jeito, na sua própria língua, é diferente. Isso é algo muito importante", declarou ele à Reuters em uma entrevista.
Dezenas de milhares de palestinos, a maioria deles civis, foram mortos nos ataques militares de Israel, que deixaram grande parte do enclave em ruínas, causaram uma crise de fome e deslocaram internamente toda a população de Gaza.
A guerra foi desencadeada pelo ataque do grupo militante palestino Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, que matou 1.200 pessoas, a maioria delas civis.
O diretor palestino disse que as filmagens duraram 12 dias e contaram com uma equipe reduzida devido a restrições logísticas.
"Normalmente, uma equipe de filmagem é bem grande, mas mantivemos a nossa deliberadamente muito pequena para que pudéssemos caber todos em um único carro e nos locomover com facilidade", afirmou ele.
Abu Dan, que conversou com a Reuters de sua casa em Gaza, não pôde viajar para Toronto para o festival, pois as restrições às viagens internacionais continuam em vigor.
Embora desejasse estar lá pessoalmente para comemorar o filme, ele disse que se orgulha de ter feito um filme que é significativo.
"Muitas pessoas podem achar que Gaza não tem mais nada a oferecer, então precisamos continuar lembrando a elas: não, nós merecemos viver, temos sonhos e temos tudo. O que realmente queremos é levar uma vida normal, assim como todos no mundo."
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