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De Freida McFadden a Colleen Hoover: O que está por trás do thriller feminino que domina as vendas?

Livros como 'A Empregada' e 'Verity' são fenômenos editoriais que puxam o sucesso de narrativas criminais escritas por mulheres. Fãs, editoras e escritoras explicam o que há em comum entre as obras e por que movimentam tantos leitores

7 abr 2026 - 17h47
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Se você entrou em uma livraria brasileira nos últimos meses, deve ter cruzado com alguns livros de Freida McFadden. Se passou pela mesa de mais vendidos, certamente viu A Empregada (Arqueiro) ou ao menos reparou naquela capa azul, com um olho espiando por uma fechadura. Ela é a principal representante de uma nova leva de autoras de thrillers que têm conquistado o mercado editorial e mobilizado leitores, principalmente outras mulheres.

Segundo levantamento feito pela Nielsen a pedido do Estadão, o livro foi o segundo mais vendido no Brasil na categoria Crime e Suspense em 2024 e em 2025 (no ano passado, foi ainda o terceiro na lista geral de Ficção). Outro livro de Freida também aparece nessa última lista, Nunca Minta (Record).

Só uma autora fica à frente dela: Collen Hoover, outro fenômeno editorial, com Verity (Galera Record), título de ficção mais vendido no Brasil em 2025. Publicado originalmente em 2018, a obra lidera os Crimes e Suspenses mais vendidos desde 2023 e aparece no Top 5 desde 2021.

"Acho que essas histórias são as que estão fazendo mais sucesso no mercado hoje em dia por essa identificação das mulheres, até com uma forma de curiosidade. Como é que a personagem vai sair dessa? Como é que eu me sairia de uma situação dessa?", diz Aline.

É a mesma avaliação que faz Samara Buchweitz, publisher do selo Mood, que fez a aquisição do livro de Jenniver Niven citado no início da reportagem. "Existe a questão da representatividade. Temos leitores muito carentes por encontrar vozes que escrevam o que eles estão sentindo", afirma. Ela diz que isso se traduz também no setor jovem adulto: "Vemos a trama acontecendo numa escola, por exemplo. Em torno do thriller, há vários outros assuntos abordados, como o bullying e o primeiro relacionamento."

Outro grande atrativo dos thrillers é a agilidade na narrativa. "A Freida, por exemplo, tem um modo de escrita que segue uma fórmula. As histórias dela têm capítulos bem curtos e pouquíssimos personagens", diz Aline. Para ela, são livros que as pessoas procuram como forma de desestressar no fim de um longo dia.

"Há muitos cliff-hangers, uma sucessão quase interminável de reviravoltas no decorrer da trama e um plot-twist no final que a maioria dos leitores não consegue prever, o que ajuda no boca-a-boca. Os leitores costumam comentar nas redes sociais que, quando começam a ler, não conseguem largar o livro, chegando a virar noites para terminar a leitura", completa Renata Pettengill, da Record.

Por trás da aquisição de um fenômeno

Formada em medicina, Freida McFadden é na verdade um pseudônimo - a autora não esconde a própria imagem, mas prefere não divulgar seu nome verdadeiro. Americana de 46 anos, ela começou a publicar livros de forma independente e foi ganhando reconhecimento aos poucos, até que seu A Empregada, de 2022, se tornou um fenômeno mundial.

A história acompanha Millie, uma jovem que começa a trabalhar para Nina e Andrew, um casal que mantém segredos sombrios e perigosos - mas a própria Millie também está guardando segredos. O livro foi oferecido para a Arqueiro pelo agente da autora em maio de 2022, mas Nana só leu o livro em setembro. Naquela altura, o romance já tinha sido vendido para 26 países, com direitos para a adaptação comprados.

Freida McFadden, autora de 'A Empregada'.
Freida McFadden, autora de 'A Empregada'.
Foto: Arqueiro/Divulgação / Estadão

"Percebemos que tínhamos um fenômeno em mãos antes mesmo de lançar nossa edição. Contratamos o livro 2 [O Segredo da Empregada] antes do lançamento do 1. Mas o livro já era um sucesso em muitos países", conta a diretora de Aquisições da Arqueiro.

O mercado logo correu atrás, e a Record entrou na história. "Nós recebemos dos agentes literários novos títulos da Freida McFadden para avaliar quando a série d'A Empregada havia começado a fazer sucesso, gostamos do que lemos e fizemos a aquisição, pensando no público que havia gostado de A Empregada e estaria querendo ler outros livros da autora, além dos fãs de thrillers cheios de reviravoltas. Quando outros títulos independentes dela, ou seja, fora da série da Empregada, começaram a entrar nas listas de mais vendidos do Brasil e do exterior é que tivemos a prova de que havia se tornado um fenômeno", finaliza a editora-executiva da Record.

Estadão
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