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Criador de 'Fúria', Igor Verde elogia MC Cabelinho e detalha produção das cenas de luta

Em entrevista para Rolling stone Brasil, Igor revelou como surgiu Fúria, explicou a busca pelo realismo nas cenas de luta, elogiou o comprometimento de MC Cabelinho e mais

29 jul 2026 - 08h13
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Fúria, nova produção brasileira da Netflix, aposta na mistura de ação, suspense e drama para contar a história de Marcelo (Vinícius Neri, Promessa de um Amor Selvagem), um homem encontrado à beira da morte que desperta sem qualquer lembrança de quem é. Ao longo da trajetória, ele enfrenta uma intensa rivalidade com Júnior Malamute, personagem vivido por MC Cabelinho (Vai na Fé).

Criador de 'Fúria', Igor Verde elogia MC Cabelinho e detalha preparação das cenas de luta
Criador de 'Fúria', Igor Verde elogia MC Cabelinho e detalha preparação das cenas de luta
Foto: Albert Andrade/Netflix / Rolling Stone Brasil

Criador da série, Igor Verde mergulhou em referências do universo das lutas para desenvolver a produção. Em conversa com a Rolling Stone Brasil, o roteirista e diretor falou sobre a origem da história, os bastidores da escalação do elenco, o trabalho para tornar as lutas realistas e o encontro com ex-campeão do UFC Anderson Silva. Confira a seguir:

A origem de Fúria

Antes mesmo de chegar à Netflix, Fúria nasceu de uma inquietação pessoal de Igor Verde. O diretor conta que sempre quis explorar o universo das artes marciais, inspirado por um projeto social de jiu-jítsu que conheceu no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, onde cresceu. "Eu tinha muita vontade de falar do universo da luta."

Ao mesmo tempo, outra ideia também o acompanhava havia anos: a relação entre memória e identidade. A união desses dois temas acabou dando origem ao protagonista Marcelo. "Fui pensando em como juntar essas duas coisas no universo do MMA e contar essa história da luta, que, ao mesmo tempo, forma o caráter, mas também pode ser extremamente violenta."

Depois da criação do projeto, Gustavo Bragança e José Henrique Fonseca se juntaram ao desenvolvimento da série, que acabou sendo adquirida pela Netflix.

A escolha de Vinícius Neri e o elogio a MC Cabelinho

Escalar o protagonista foi um dos processos mais longos da produção. Segundo Igor Verde, a equipe realizou inúmeros testes até encontrar Vinícius Neri. "O protagonista foi uma busca exaustiva, de testes e mais testes", contou. "O Vinícius Neri nos pareceu sempre muito interessante. Eu acho que foi um marco importante a entrada dele na série", completou.

MC Cabelinho chegou ao projeto carregando a popularidade conquistada na música e na televisão, mas surpreendeu o criador principalmente pelo comprometimento durante a preparação. "Quando encontrei esse cara no primeiro treino, falei: esse maluco é de outro nível."

Igor afirma que o artista rapidamente superou qualquer expectativa que existia em relação ao seu trabalho como ator. "Hoje vejo ele como um grande ator da idade dele." Mais do que o talento diante das câmeras, foi a disciplina do intérprete de Júnior Malamute que chamou sua atenção: "Poucas vezes vi alguém tão jovem com esse nível de ética de trabalho. É um trabalho muito exaustivo de treino."

O diretor também destacou a participação de nomes como Alice Carvalho (O Agente Secreto), Fábio Lago (Tropa de Elite) e Cláudia Raia (A Favorita), elogiando a contribuição de cada um para a construção da narrativa.

O desafio de fazer o público acreditar nas lutas

Para Igor Verde, um dos principais objetivos era fazer com que as sequências de combate transmitissem autenticidade. Por isso, desde o início da produção, ele insistiu para que os atores treinassem com contato físico real, sempre dentro dos limites de segurança. "Luta é contato, não tem jeito. Tem que ter algum nível de contato."

Ao lado do coordenador Peter Lee Thomas, profissional com experiência em grandes produções de Hollywood, a equipe desenvolveu meses de treinamento antes das gravações. "Passamos muito tempo treinando com todo mundo que luta na série. Sparring, contato, tolerância ao contato... Isso faz muita diferença."

Segundo o diretor, quando os atores conseguem absorver esse trabalho corporal, o resultado aparece naturalmente diante das câmeras. "Você não precisa depender apenas da montagem para vender o golpe. Quando existe contato, isso aparece na tela."

Embora o treinamento tenha sido fundamental, Igor explica que boa parte da intensidade das lutas também foi construída durante a pós-produção. Ele destaca que o desenho de som teve papel essencial para reforçar cada impacto. "Muitas vezes você não consegue captar o som real do contato enquanto está gravando. É preciso construir esse som depois."

Além disso, efeitos visuais foram utilizados para complementar golpes mais perigosos e criar detalhes como respingos de sangue em momentos específicos. "Tem muito trabalho de computação para compor essa brincadeira."

As referências visuais da série

A identidade estética de Fúria também foi construída a partir de diferentes inspirações. Igor destaca o trabalho do diretor-geral José Henrique Fonseca, do diretor de arte Cássio Amarante e do diretor de fotografia Flávio Zangrandi para criar um visual próprio.

Entre as referências estão filmes de luta da década de 1970, o universo do MMA contemporâneo e registros reais de lutas clandestinas. "Para as partes da série sobre o submundo das lutas, buscamos muitas referências de lutas clandestinas na Rússia."

Segundo ele, outro diferencial foi pensar cada golpe como parte de uma composição visual. "Quando você faz uma série, prepara tudo para que aquele golpe aconteça de uma forma esteticamente bela."

O encontro com Anderson Silva

Entre todos os nomes envolvidos na produção, Anderson Silva foi um dos que mais impressionaram Igor Verde. O diretor revela que descobriu uma curiosidade sobre o ex-campeão do UFC antes mesmo das gravações. "A primeira coisa que ele fez antes de lutar foi teatro."

Mas foi durante um jantar que percebeu o que, na sua visão, diferenciava Anderson dos demais atletas. "O meu encontro com Anderson Silva foi um negócio meio místico." Segundo Igor, o lutador demonstra uma capacidade de concentração impressionante. "Ele tem um nível de foco e concentração muito maior do que a média."

A afinidade entre os dois aumentou quando descobriram o interesse em comum pela meditação, prática que, segundo o diretor, também influencia a presença de Anderson diante das câmeras. "Ele leva isso para o set. Tem um nível de atenção e presença muito fora da curva."

Ao final da experiência, Igor não esconde o desejo de ver Anderson Silva em novos projetos como ator: "Chamem o Anderson Silva para trabalhar como ator. É muito maneiro."

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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