Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Como a dança Butoh inspirou os movimentos de Frankenstein no filme do diretor Guillermo del Toro

A dança butoh chama atenção por causa de seus movimentos lentos, expressões intensas e imagens que muitas vezes lidam com temas como morte, dor e transformação. Saiba como ela serviu de inspiração para o ator Jacobi Elordi, em "Frankenstein".

3 jan 2026 - 15h03
Compartilhar
Exibir comentários

A dança butoh chama atenção por causa de seus movimentos lentos, expressões intensas e imagens que muitas vezes lidam com temas como morte, dor e transformação. Com origem no Japão do pós-guerra, a prática rompeu com padrões estéticos tradicionais e passou a explorar o corpo como um espaço de memória, trauma e metamorfose. Assim, esse tipo de abordagem cênica desperta o interesse de diretores de cinema e atores que buscam composições físicas mais complexas. Isso ajuda a explicar por que a butoh entrou no processo criativo do ator Jacob Elordi em sua interpretação da criatura em "Frankenstein", filme dirigido por Guillermo del Toro.

"Tive uma ótima ideia de estudar butoh, uma forma de dança japonesa conhecida por seus temas de morte. É uma espécie de reanimação de um cadáver, o que foi uma maneira útil de entrar no meu próprio corpo", afirmou Elordi a jornalistas na sede da Netflix, em Los Angeles. Assim, em produções que lidam com monstros, figuras marginais ou corpos com modificações, o desafio é construir uma presença física que vá além de maquiagem e efeitos visuais. Portanto, a dança butoh oferece recursos para investigar justamente esse território. Afinal, ela trata o corpo como algo instável, estranho e, ao mesmo tempo, profundamente humano. Ao recorrer a esse universo para compor Frankenstein, Jacob Elordi encontrou um repertório de gestos, tensões e estados internos que dialogam diretamente com a ideia de um ser artificial em conflito com o mundo ao redor.

A dança butoh chama atenção por causa de seus movimentos lentos, expressões intensas e imagens que muitas vezes lidam com temas como morte, dor e transformação – Duc /Wikimedia Commons
A dança butoh chama atenção por causa de seus movimentos lentos, expressões intensas e imagens que muitas vezes lidam com temas como morte, dor e transformação – Duc /Wikimedia Commons
Foto: Giro 10

O que é a dança butoh?

A dança butoh surgiu no final da década de 1950, no Japão, ligada a nomes como Tatsumi Hijikata e Kazuo Ohno. O contexto era o de um país marcado pelos efeitos da Segunda Guerra Mundial, pela ocupação norte-americana e por rápidas transformações sociais. Nessa realidade, a butoh se consolidou como uma linguagem cênica que rejeitava padrões de beleza convencionais e técnicas de balé ou dança moderna. Assim, buscava, em vez disso, um corpo mais cru, por vezes contorcido, coberto de pó branco e em movimentos que beiram a imobilidade.

A palavra "butoh" costuma ser associada a ideias de "dança da escuridão", não no sentido moral, mas como mergulho em zonas pouco iluminadas da experiência humana. Em apresentações de butoh, o público frequentemente se depara com figuras que lembram cadáveres, fantasmas, crianças, animais ou seres híbridos. Além disso, a ênfase está menos na execução perfeita de passos e mais na exploração de estados internos. Por isso, a dança butoh tornou-se uma referência importante para artistas interessados em encarnar personagens traumatizados, desajustados ou em processo de mutação.

Como a dança butoh é trabalhada no corpo?

Ao contrário de estilos que priorizam saltos, giros e virtuosismo técnico, a dança butoh valoriza o controle minucioso da energia e da respiração. O intérprete aprende a sustentar posturas desconfortáveis, a caminhar em ritmo quase imperceptível e a deixar que pequenas mudanças musculares alterem completamente a expressão global do corpo. Em muitos treinamentos de butoh, o bailarino é convidado a imaginar que a pele se desfaz, que ossos se quebram ou que o corpo se torna outro ser, o que resulta em uma fisicalidade pouco usual.

Esse tipo de prática também explora contrastes: extrema lentidão seguida de movimentos bruscos, fraqueza aparente que se converte em tensão, fragilidade que se mistura a imagens de violência. O corpo do bailarino de butoh acaba lembrando, em vários momentos, algo entre um humano e uma criatura de outro mundo. Justamente por isso, a linguagem butoh oferece uma base fértil para a construção de personagens como a criatura de Frankenstein, que carrega em si a marca de um corpo artificial e fragmentado.

Por que a dança butoh inspirou Jacob Elordi em "Frankenstein"?

No projeto "Frankenstein", de Guillermo del Toro, a figura criada em laboratório precisa revelar, apenas com a presença física, que não pertence integralmente ao mundo humano. Jacob Elordi, ao recorrer à dança butoh, encontrou uma forma de trabalhar essa sensação de estranhamento desde a postura até os movimentos mais simples. A criatura, em vez de caminhar com gestos naturais, pode demonstrar peso excessivo em certas partes do corpo, descompasso entre tronco e membros ou uma espécie de hesitação constante, elementos frequentes em explorações butoh.

A estética de Del Toro costuma valorizar monstros que expressam vulnerabilidade, dor e sensibilidade. A butoh, por sua vez, faz do corpo um canal para emoções extremas sem depender apenas de expressões faciais ou falas. A combinação desses dois universos oferece ao ator um caminho para construir um Frankenstein que não seja apenas ameaçador, mas também marcado por sofrimento e busca de identidade. A dança butoh ajuda a traduzir essa dualidade: um corpo que parece rígido e pesado, mas que por dentro carrega estados emocionais intensos.

A relação entre butoh, horror e a criatura de Frankenstein

O encontro entre dança butoh e cinema de horror não é casual. A linguagem butoh trabalha com imagens de decomposição, metamorfose e corpos deslocados, elementos comuns em narrativas de monstros. No caso de Frankenstein, a criatura é formada a partir de partes de cadáveres, o que já a aproxima simbolicamente das figuras cadavéricas que aparecem com frequência nas coreografias de butoh. Além disso, a sensação de não pertencimento que acompanha a criatura ecoa um dos eixos da própria butoh: o corpo como lugar de conflito entre passado, presente e futuro.

Para um ator como Jacob Elordi, a dança butoh oferece um repertório para ir além da interpretação psicológica. Em vez de se limitar a pensar o que o personagem sente, o artista pode investigar como esse sentir se manifesta fisicamente: ombros caídos ou erguidos demais, olhar perdido, mãos que parecem não entender o espaço, respiração fragmentada. Todos esses detalhes podem ser inspirados pelo treinamento em butoh e ajudam a compor um Frankenstein que comunica sua condição apenas ao se movimentar em cena.

A dança butoh surgiu no final da década de 1950, no Japão, ligada a nomes como Tatsumi Hijikata e Kazuo Ohno (foto) – Autor desconhecido/Wikimedia Commons
A dança butoh surgiu no final da década de 1950, no Japão, ligada a nomes como Tatsumi Hijikata e Kazuo Ohno (foto) – Autor desconhecido/Wikimedia Commons
Foto: Giro 10

Quais técnicas da dança butoh podem aparecer em "Frankenstein"?

Ao observar a linguagem butoh e o tipo de personagem criado por Mary Shelley, é possível identificar alguns recursos que tendem a se cruzar na tela:

  • Lentidão extrema: movimentos prolongados que aumentam a tensão e sugerem dificuldade em habitar o próprio corpo.
  • Desarticulação: braços e pernas se movendo como se pertencessem a corpos diferentes, reforçando a ideia de montagem e colagem.
  • Contração muscular intensa: uso de tremores, espasmos e rigidez para indicar dor física ou memória traumática.
  • Olhar vazio ou deslocado: foco visual que não encontra lugar no espaço, típico de figuras que não se reconhecem no ambiente.

Em um processo de preparação de elenco voltado para a dança butoh, é comum a adoção de exercícios que podem ter influenciado diretamente a atuação de Jacob Elordi, como:

  1. Explorar diferentes pesos do corpo, imaginando materiais distintos (metal, pedra, barro) moldando os músculos.
  2. Trabalhar a sensação de reanimação, passando da imobilidade quase total a pequenos impulsos de vida.
  3. Investigar formas de caminhar que não remetem ao padrão humano, com apoios incomuns e trajetórias imprevisíveis.

Dessa maneira, a dança butoh se torna uma ferramenta relevante para a construção de um Frankenstein mais denso e fisicamente elaborado. A inspiração nessa arte japonesa oferece ao ator Jacob Elordi e ao diretor Guillermo del Toro uma base consistente para retratar um corpo remendado, dividido entre a condição de monstro e a de ser que ainda tenta compreender o próprio lugar no mundo.

Giro 10
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade