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Oscar quer tornar as cerimônias de premiação mais curtas

Em meio a anúncios de mudanças e cancelamento de planos, a festa da 91ª edição deve passar de 3 horas; em 2018 foram 4 horas

20 fev 2019
03h10
atualizado às 08h07
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A principal produtora do 91.º Prêmio da Academia, Donna Gigliotti, estava de bom humor na manhã de sexta, 15. Serena Williams tinha confirmado que apareceria na transmissão falando sobre Nasce uma Estrela. Milhares de rosas vermelhas para o set estavam a caminho.

A nove dias do show, tudo parecia estar bem. Então o telefone dela tocou. Autoridades da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas estavam na linha. Disseram que estavam cedendo à pressão e abandonando o plano de abreviar a cerimônia, concedendo quatro troféus nos intervalos comerciais, com os momentos vencedores sendo editados e exibidos mais tarde no programa.

Estatueta do Oscar em Los Angeles
15/02/2019 REUTERS/Mario Anzuoni
Estatueta do Oscar em Los Angeles 15/02/2019 REUTERS/Mario Anzuoni
Foto: Reuters

Gigliotti teria de mudar rapidamente a transmissão para que cada Oscar fosse apresentado do jeito tradicional. E ela ainda poderia produzir uma transmissão de três horas - no máximo? "A resposta foi não", desabafou Gigliotti no fim de semana.

A academia de cinema tem lutado para manter o Oscar em um tempo razoável desde pelo menos 1987. A razão é simples: proteger a audiência da TV. Depois de três horas, segundo as pesquisas da academia, as pessoas na Costa Leste vão dormir, derrubando os números de audiência, e as da Costa Oeste também vão embora.

Três horas assistindo a Hollywood celebrar a si mesma - o show do ano passado foi de quase quatro, sem incluir a cobertura do tapete vermelho - parece ser o limite da maioria dos espectadores.

A necessidade de repensar a transmissão se tornou alta prioridade desde o ano passado, quando apenas 26,5 milhões de pessoas estavam sintonizadas, uma queda de quase 20% em relação ao ano anterior. Apenas alguns anos antes, o Oscar teve um público de 43,7 milhões. Toda solução que a academia anunciou, no entanto, não deu certo. Os planos para adicionar uma categoria para conquista em filmes "populares" foram cancelados. Depois de protestos, a academia desistiu de pôr algumas categorias nos intervalos comerciais, como programas de prêmios.

E então, como fica Gigliotti? "Seria uma boa história se eu tivesse um colapso nervoso", afirmou ela, que começou sua carreira como assistente de Martin Scorsese e passou a trabalhar para Harvey Weinstein e Barry Diller. "Mas qualquer produtor está acostumado a essas coisas. É só achar um caminho novo."

Dawn Hudson, presidente executivo da academia, disse em e-mail que a organização "continuará discutindo como o Oscar pode evoluir - para manter o forte engajamento, para refletir a natureza cada vez mais global da indústria cinematográfica e de nossos membros". "Se aprendemos alguma coisa nos últimos meses, é que as pessoas estão muito ligadas ao Oscar. Todo mundo tem uma opinião e uma paixão."

Gigliotti e Glenn Weiss, o coprodutor e diretor da transmissão, não têm estimativa de quanto tempo vai durar o programa de 24 de fevereiro, mas certamente seriam mais de três horas. Mas o evento (transmitido pela ABC) ainda será mais rápido do que no ano passado, em parte porque não há um apresentador.

Depois de uma escolha inicial para o trabalho, Dwayne Johnson não estava mais disponível, e seu eventual sucessor, Kevin Hart, renunciou depois que suas divagações contra gays no Twitter foram redescobertas. Aí, os produtores decidiram ficar sem apresentador pela primeira vez, desde 1989. "Decidimos usar a situação do apresentador como uma forma de alcançar essa marca de três horas", afirmou Weiss. Desta vez, os produtores esperam que o primeiro prêmio seja entregue em 7 ou 8 min.

Sobre a abertura, os produtores revelaram detalhes. Breves apresentações dos oito indicados para melhor filme, por exemplo, serão "espalhadas" durante todo o show. (No ano passado, as melhores apresentações foram condensadas em uma única montagem de 4 min. que foi ao ar antes da categoria ser premiada.) Oito pessoas de fora do mundo do entretenimento farão as apresentações, falando sobre o que os filmes significam para elas.

"Junto com a inclusão, que definitivamente queremos adotar, o grande tema será sobre filmes nos conectando de forma ampla", adiantou Donna Gigliotti caminhando pelo frio Dolby Theater com um casaco acolchoado. "Alguns espectadores querem ver o glamour."

Gigliotti, que ganhou um Oscar por produzir Shakespeare Apaixonado e foi indicada três vezes por Estrelas Além do Tempo, O Leitor, O Lado Bom da Vida, contou que não havia planos para incorporar pessoas comuns ao programa. "Amo pessoas comuns", falou Gigliotti, que mora em Manhattan. "Ando de metrô com elas todos os dias em Nova York. As pessoas do dia a dia não me trazem índices de audiência."

Estrelas como Angela Bassett, Melissa McCarthy, Jason Momoa, Chris Evans, Charlize Theron, Chadwick Boseman e Daniel Craig foram convocados como apresentadores. Jennifer Hudson, Lady GaGa, Bradley Cooper, Bette Midler, vão interpretar as músicas indicadas.

"No momento, estou muito bem", explicou Gigliotti no sábado de manhã. Não está preocupada? Como manter o foco em meio às disputas online que cercaram o Oscar este ano? "Simples", disse ela. "Eu não sei usar o Twitter." / B.B. / TRADUÇÕES DE CLAUDIA BOZZO

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Estadão
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